Mais uma vez aqui, profundamente agradecida. Que nossos propósitos sejam motor de nosso prosseguir. Muitíssimo obrigada a todos vocês.
Sejam todos muito bem vindos! Pretendo que seja aqui o nosso novo espaço de pesquisa, troca de idéias e informações.E não deixe de ler meu livro "DOUSSEAU: ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ".Você vai gostar! Abraços!
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
SÃO JOÃO MARCOS
A tempos desejo fazer essa publicação. Entretanto me perguntava porque, visto que a ligação direta de SÃO JOÃO MARCOS com os imigrantes franceses é mínima. E, de forma indireta, também não e tão grande assim.
Mas... o que é que a gente faz quando é tomada de encantamento total por um retalho de história? Foi o que aconteceu comigo, desde o primeiro contacto com a história tão encantadora quanto assombrosa desse "lugarzinho no meio do nada".
A ligação direta dos franceses com essa ex-vila veio ao meu conhecimento através de um registro de casamento encontrado na IGREJA DE SANTANNA, em BARRA DO PIRAÍ, onde noiva e mãe da noiva pertenciam a família ALIBERT. Eram sobrinha e irmã de FIRMIN FRANÇOIS. Um achado inesperado, visto que o registro, ainda do final do século XIX, assenta um matrimônio que, na verdade, foi realizado na capela de uma fazenda em SÃO JOÃO MARCOS.
Daí comecei a aprofundar a ideia da relação direta e íntima entre ALIBERT e a família BREVES. Necessário registrar aqui que JOAQUIM JOSÉ GONÇALVES DE MORAES (BREVES), dono da FAZENDA MONTE CRISTO (em MARIPÁ DE MINAS) e contratador declarado de nossos bisavós, era proprietário de diversas fazendas em SÃO JOÃO MARCOS. Assim como seu poderoso tio e cunhado, conhecido como "O REI DO CAFÉ". Inúmeros processos relacionados à posse dessas terras nunca foram concluídos, como provam documentos encontrados no ARQUIVO NACIONAL.
Um dia vindo, de BANANAL em direção à RIO CLARO e MANGARATIBA pela SERRA DO PILOTO, pensei realizar o sonho de conhecê-la. Ela. A mítica SÃO JOÃO MARCOS. Mas, infelizmente, como na época ela ainda não havia se tornado o PARQUE que é hoje, e como tal sem sinalização que facilitassem o acesso... passou sem ser vista. Embora pressentida, posso garantir. A região é maravilhosamente linda. Lembro-me especialmente de um pequeno trecho no cume da serra, com uma linda cachoeira lá no fundo do vale sendo sobrevoada por inúmeros e grandiosos pássaros que, da altura em que eu me encontrava, mais parecia um sonho que uma visão real. Digamos que experimentei ali aquela sensação arquetípica de "paraíso perdido".
Gostaria demais de voltar. Mas preciso de condução e cicerone. Procurarei me informar à respeito. Parece que já existe algum tipo de serviço organizado para isso.
Na foto acima, vocês podem ver um exemplar das preciosidades que podemos encontrar ao longo do caminho da "ESTRADA IMPERIAL". Aquela que leva de SÃO JOÃO MARCOS ao mar e seus portos, muitas vezes clandestinos. Onde, entre mercadorias que sobem e descem, podemos incluir os escravos contrabandeados pelo BARÃO DO CAFÉ. Vale a pena lembrar, para exercitar nossa imaginação, que literalmente TODAS essas terras, acima e abaixo, interior e litoral, pertenciam todas a uma mesma e única familia: os BREVES.
Enfim...
A quantidade de material, tanto escrito quanto fotográfico na web sobre SÃO JOÃO MARCOS é imensa. Deixo um link muito bom, apenas como sugestão de leitura:
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/289/uma-cidade-ressurge-do-po
Mas... o que é que a gente faz quando é tomada de encantamento total por um retalho de história? Foi o que aconteceu comigo, desde o primeiro contacto com a história tão encantadora quanto assombrosa desse "lugarzinho no meio do nada".
A ligação direta dos franceses com essa ex-vila veio ao meu conhecimento através de um registro de casamento encontrado na IGREJA DE SANTANNA, em BARRA DO PIRAÍ, onde noiva e mãe da noiva pertenciam a família ALIBERT. Eram sobrinha e irmã de FIRMIN FRANÇOIS. Um achado inesperado, visto que o registro, ainda do final do século XIX, assenta um matrimônio que, na verdade, foi realizado na capela de uma fazenda em SÃO JOÃO MARCOS.
Daí comecei a aprofundar a ideia da relação direta e íntima entre ALIBERT e a família BREVES. Necessário registrar aqui que JOAQUIM JOSÉ GONÇALVES DE MORAES (BREVES), dono da FAZENDA MONTE CRISTO (em MARIPÁ DE MINAS) e contratador declarado de nossos bisavós, era proprietário de diversas fazendas em SÃO JOÃO MARCOS. Assim como seu poderoso tio e cunhado, conhecido como "O REI DO CAFÉ". Inúmeros processos relacionados à posse dessas terras nunca foram concluídos, como provam documentos encontrados no ARQUIVO NACIONAL.
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| FONTE: http://www.job.com.br/sjm/ |
Um dia vindo, de BANANAL em direção à RIO CLARO e MANGARATIBA pela SERRA DO PILOTO, pensei realizar o sonho de conhecê-la. Ela. A mítica SÃO JOÃO MARCOS. Mas, infelizmente, como na época ela ainda não havia se tornado o PARQUE que é hoje, e como tal sem sinalização que facilitassem o acesso... passou sem ser vista. Embora pressentida, posso garantir. A região é maravilhosamente linda. Lembro-me especialmente de um pequeno trecho no cume da serra, com uma linda cachoeira lá no fundo do vale sendo sobrevoada por inúmeros e grandiosos pássaros que, da altura em que eu me encontrava, mais parecia um sonho que uma visão real. Digamos que experimentei ali aquela sensação arquetípica de "paraíso perdido".
Gostaria demais de voltar. Mas preciso de condução e cicerone. Procurarei me informar à respeito. Parece que já existe algum tipo de serviço organizado para isso.
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| FONTE: FABIO RODRIGUES |
Na foto acima, vocês podem ver um exemplar das preciosidades que podemos encontrar ao longo do caminho da "ESTRADA IMPERIAL". Aquela que leva de SÃO JOÃO MARCOS ao mar e seus portos, muitas vezes clandestinos. Onde, entre mercadorias que sobem e descem, podemos incluir os escravos contrabandeados pelo BARÃO DO CAFÉ. Vale a pena lembrar, para exercitar nossa imaginação, que literalmente TODAS essas terras, acima e abaixo, interior e litoral, pertenciam todas a uma mesma e única familia: os BREVES.
Enfim...
A quantidade de material, tanto escrito quanto fotográfico na web sobre SÃO JOÃO MARCOS é imensa. Deixo um link muito bom, apenas como sugestão de leitura:
Deixo também essa sugestão de vídeo, embora tenhamos outros publicados na sessão própria desse blog:
http://www.youtube.com/watch?v=jd-mLDZXSH8
E, como a porção mais saborosa é sempre bom deixar pro final... Para o deleite de todos vocês, fotos recentes e inspiradas daquela que acabou por se tornar símbolo da queda de um império econômico de proporções gigantescas, onde o rei, ao contrário do que pobres mortais proclamaram, não era esse ou aquele Barão. Mas sim, o café. Como num macabro castelo de cartas, o que vimos aqui podemos ver por todo o VALE DO PARAÍBA. Pela ZONA DA MATA MINEIRA. E por outros pontos esparsos. Ruínas. Belas, sim. Mas ruínas. Vamos ao nosso álbum, então:
sábado, 4 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
CHRISTOPHE (DOUSSEAU) LeCANNE
Hoje, dia 25/09/2013, venho relatar para vocês a sentença enfim determinada para CARLOS BERTONATTI, no dia 12 de setembro de 2013, ou seja, 1333 dias depois do fatídico 17 de Janeiro de 2010. O réu foi condenado a 12 anos de prisão fechada, incluindo os 27 meses que já se passaram, seguidos de 2 anos em regime semi-fechado e ainda mais 8 anos de controle policial permanente. O que perfaz um total de 22 anos.
FONTE: NICOLE (DOUSSEAU) Le CANNE
Nesses dias, uma triste coincidência acontece, para todos os DOUSSEAU. Na verdade, a história de dor de parte da família DOUSSEAU francesa se desenrola desde o final da primeira quinzena de Janeiro de 2010, quando CHRISTOPHE (DOUSSEAU) Le CANNE, filho primogênito de nossa prima NICOLE, nascido em 01-08-1965, foi morto de forma brutal, aos 45 anos, num revoltante atropelamento por um jovem motorista embriagado, CARLOS BERTONATTI, numa manhãzinha tranquila de domingo em KAY BISCAINE, MIAMI, onde residia a muitos anos anos com sua esposa e filha. CHRISTOPHE era ciclista experimentado, fazendo parte de um grupo que realizava esses passeios em grupos, habitualmente. Como naquele dia. Seu atropelador acabara de deixar uma boate e fugiu do local do atropelamento, abandonando o veículo. Isso, somado à demora do serviço de socorro, foi mais do que suficiente para que CHRISTOPHE falecesse antes de chegar ao hospital.
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| FONTE: NOTICIÁRIO DO DIA NA WEB |
A família se deslocou para os ESTADOS UNIDOS, a fim de acompanhar sua esposa e filha nesse momento desesperador e de enorme repercussão. E ficou por alguns dias, acompanhando os procedimentos para o translado de seu corpo para o PÉRIGORD.
No dia 24 de Janeiro de 2010, isto é, alguns dias depois do ocorrido, uma inesquecível manifestação foi levada a cabo por uma concentração de ciclistas, maratonistas e atletas em geral. Como homenagem ao amigo CHRISTOPHE. Mas também como pedido de justiça e de providências, visto que ele não havia sido a primeira vítima naquelas circunstâncias. E infelizmente, sabemos hoje, não foi a última. Veja abaixo.
Em seguida, fizeram essa singela homenagem, como podemos sentir na foto abaixo, no exato local em que ele foi morto.
FONTE: NOTICIÁRIO DO DIA NA WEB
O julgamento de CARLOS BERTONATTI, marcado para o dia 19 de Fevereiro de 2013 com previsão de durar vários dias, sofreu uma reviravolta quando o mesmo confessou sua culpa e "pediu perdão" à família de CHRISTOPHE então presente, vinda da FRANÇA (seus pais) e da ARGENTINA (seu irmão).. Pelas leis do país, ele não deve mais então ser julgado por um corpo de jurados. Mas a família espera justiça e, exatamente nesses dias (começo de Maio) estará sendo pronunciada a sentença final, com a presença apenas do juiz, promotor e advogados. Veja no link abaixo a reportagem e o vídeo feito no dia do julgamento que teria havido em 19 de Fevereiro de 2013. Com o pronunciamento da família.
http://miami.cbslocal.com/2013/02/19/key-biscayne-man-to-plead-guilty-in-deadly-hit-run/
No dia 21 de Fevereiro de 2013, esta era a repercussão nos jornais:
http://miami.cbslocal.com/2013/02/21/family-of-cyclist-killed-on-rickenbacker-reacts-to-suspects-guilty-plea/
Hoje estamos no dia 02 de Maio de 2013. O monumento provisório foi substituído por um permanente, com o aval da prefeitura de MIAMI, como vocês podem ver abaixo. Assim como podem observar que CHRISTOPHE não foi a única vítima.
FONTE: NOTICIÁRIO DO DIA NA WEB
Aqui no BRASIL, no RIO DE JANEIRO olímpico, nos últimos dias, temos tido notícias de uma "overdose" de acidentes envolvendo ciclistas. E nem todos eram ciclistas amadores. Se é que isso faz alguma diferença. Foi essa triste coincidência que me fez tomar a decisão de publicar esse nosso drama familiar. Até então, tinha dúvidas sobre se seria adequado, ainda que tivesse o aval de NICOLE para o uso exclusivo no blog. Não tenho mais.
Fica aqui como uma forma de protesto. A pena prevista para CARLOS BERTONATTI pode chegar a 37 anos. E aqui? Ficamos em quanto?
CHRISTOPHE? Esse... foi velado em TERRASSON e sepultado na terra de nossos antepassados, PEYRIGNAC. No nosso PÉRIGORD de memórias ancestrais. Que Deus ampare e console seus pais e irmãos nos dias que virão. E para sempre.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
MARC FERREZ
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| FONTE: FACEBOOK RIO ANTIGO |
Tenho cruzado com ele muitas e muitas vezes... Já é quase um velho amigo... Admiro-o e agradeço-o pelo valor incalculável de sua obra para os apaixonados pela história do RIO DE JANEIRO. Esse é MARC FERREZ. Um ídolo, no mínimo. Sim, houveram outros excelentes fotógrafos e ilustradores de todo tipo, desde a abençoada MISSÃO FRANCESA vinda com DOM JOÃO VI. Maravilhosos todos com suas técnicas precisas e de rara beleza e realismo, anteriores ao advento do daguerreótipo. E das modernas técnicas de fotografia. Mas NENHUM como ele. Onipresente. Emblemático.
Desde meus primeiros passos na pesquisa histórica, soube que sem ele meu RIO seria sem face. E hoje, quando esse mesmo RIO sofre tão grande transformação, espero que haja entre nós artistas do mesmo calibre que ele. Tornando possível que esse nosso RIO que em breve será só fumaça e história (mesmo que mude quem sabe para melhor...) permaneça vivo nas entranhas da imaginação ou de traços abençoados e precisos. Como só ele foi capaz.
Os dados bibliográficos que transcrevo agora, foram extraídos do site do INSTITUO MOREIRA SALLES:
Nasceu no RIO DE JANEIRO em 1843, filho de pais franceses. Após sua prematura orfandade, viveu alguns anos em PARIS com a família DUBOIS. Tendo voltado em 1863, já em 1867 estabelecia-se por conta própria na RUA SÃO JOSÉ, no CENTRO, e em seguida torna-se fotógrafo oficial da MARINHA DO BRASIL. Em 1873 casa-se com a jovem francesa MARIE LEFÈBVRE. Mesmo tendo sofrido o revés de um enorme incêndio que destruiu todas as chapas de seus primeiros anos de atividades, recomeça. Em 1875 e 1876 integra a COMISSÃO GEOLÓGICA DO IMPÉRIO. É desse período a maior parte das preciosas obras que retratam um BRASIL que sempre foi mais que apenas o RIO DE JANEIRO. E das quais leh ficou como lembrança uma doença que lhe aocmpanharia pelo resto da vida. Os dois filhos lhes nascem em 1881 e 1884. Foi agraciado com a ORDEM DA ROSA e em 1905 edita o folheto "1MÁQUINAS E ACESSÓRIOS PARA FOTOGRAFIA". Em 1907 monta o CINE PATHÉ. Também introduziu no BRASIL, em 1912 as "chapas autocromo de LUMIÈRE", realizando fotografias em cores. Em 1914 morre sua esposa. Em 1915 ele parte para uma estadia de 15 anos em PARIS, de onde retorna já doente. Morre no RIO DE JANEIRO em 1923.
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| EM SEU ESCRITÓRIO, NO ANO DE 1895. FONTE: FACEBOOK RIO ANTIGO. |
Quer conhecer sua obra por inteiro? Encantar-se com a sensibilidade de suas tomadas, não só do nosso encantado RIO ANTIGO como também de outras paragens brasileiras? Visite a passeie pela página toda. Será bom, tenha a certeza! Endereç? Aqui está: http://ims.uol.com.br/hs/marcferrez/marcferrez.html
terça-feira, 2 de abril de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
ELES ROUBARAM A BORRACHA. NÓS PIRATEAMOS O CAFÉ
...Voltando ao tema das "incorreções de nossa história"... Vou compartilhar com vocês a página 232 do livro citado na postagem anterior, o "GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL". Porque nela o autor trata de um tema ligado a nós, descendentes de imigrantes vindos à partir da segunda metade do século XIX. Vamos lá?
"Ainda hoje há brasileiros que lamentam o roubo das sementes de seringueiras cometido em 1876 pelo botânico inglês HENRY WICKHAM. Os seringais que ele montou na ÁSIA se tornaram mais competitivos que os do BRASIL, o que fez a AMAZÔNIA parar, de repente, de exportar borracha. Não se pode, na verdade, atribuir a decadência exclusivamente a esse famoso caso de biopirataria. Muitos empreendedores, como o americano HENRY FORD, tentaram criar uma extração intensiva de borracha na AMAZÔNIA plantando seringueiras lado a lado. Sempre acabaram em fracasso. O que não se sabia na época é que as seringueiras só conseguem vencer pragas naturais se forem plantadas a uma boa distância uma da outra. Juntas, acabam devastadas por ácaros e percevejos. A solução seria levar a planta para uma região exótica, onde as pragas não existissem. Foi realmente o que fez o brilhante HENRY WICKHAM.
Pintura a óleo do artista HENRIQUE CAVALLEIRO, datado
de 1943, retratando o sargento-mor PALHETA, recém-chegado
da GUIANA, plantando as primeiras mudas de café em solo
brasileiro.
FONTE: plantarecultivaopinioes.blogspot.com.br
Não se deve, portanto, incriminar o espertinho botânico inglês. Até porque o BRASIL, naquela mesma época, ganhava muito dinheiro com o café, cujas primeiras mudas nós também piratemos. No século 18, o grão era a grande novidade entre os franceses (são dessa época os tradicionais cafés parisienses). Produto caro e lucrativo, a FRANÇA e a HOLANDA o plantavam em suas colônias na AMÉRICA, proibindo que sementes e mudas de café atravessassem fronteiras coloniais. Em 1713, FRANCISCO DE MELLO PALHETA, o sargento-mor do vice-reino do Grão-Pará, conseguiu vencer esse bloqueio. Ao viajar para a GUIANA FRANCESA para discutir questões de fronteiras, recebeu uma missão secreta: trazer o grão para o BRASIL. Conquistando a confiança da mulher do governador da GUIANA, madame d'ORVILLIERS, conseguiu que ela lhe desse mudas de café como presente. A planta foi logo cultivada no PARÁ e, trinta anos depois, no RIO DE JANEIRO. Por boa parte do século 19,mais de 60% das exportações brasileiras vinham dos cafezais. Ainda hoje, o BRASIL é o maior exportador de café do mundo.".
"Ainda hoje há brasileiros que lamentam o roubo das sementes de seringueiras cometido em 1876 pelo botânico inglês HENRY WICKHAM. Os seringais que ele montou na ÁSIA se tornaram mais competitivos que os do BRASIL, o que fez a AMAZÔNIA parar, de repente, de exportar borracha. Não se pode, na verdade, atribuir a decadência exclusivamente a esse famoso caso de biopirataria. Muitos empreendedores, como o americano HENRY FORD, tentaram criar uma extração intensiva de borracha na AMAZÔNIA plantando seringueiras lado a lado. Sempre acabaram em fracasso. O que não se sabia na época é que as seringueiras só conseguem vencer pragas naturais se forem plantadas a uma boa distância uma da outra. Juntas, acabam devastadas por ácaros e percevejos. A solução seria levar a planta para uma região exótica, onde as pragas não existissem. Foi realmente o que fez o brilhante HENRY WICKHAM.
Pintura a óleo do artista HENRIQUE CAVALLEIRO, datado
de 1943, retratando o sargento-mor PALHETA, recém-chegado
da GUIANA, plantando as primeiras mudas de café em solo
brasileiro.
FONTE: plantarecultivaopinioes.blogspot.com.br
sábado, 2 de março de 2013
PROIBIÇÃO DO TUPI : "INCORREÇÕES" DE NOSSA HISTÓRIA
Bom dia! Li recentemente o famoso livro "GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL", de LEANDRO NARLOCH. O livro é incômodo em sua ironia. Considero o "mergulhar na história", através do estudo, um embate infinito entre o que se conta e o que está realmente registrado em documentos. O que já é, por si, tarefa hercúlea. Mas, se considerarmos honestamente que nem só porque está documentado um dado fato é por si só verdadeiro... aí podemos considerar a tarefa de recompor a história realmente impossível. Não é preciso um encontro muito "íntimo" com os registros de todo tipo para saber o quanto são falhos e contaminados por uma miríade de fatores. Talvez menos do que nos relatos verbais passados de geração em geração, é lógico. Mas por isso mesmo mais graves, porque escondidos sob o selo da lei e pelos ares de sagrado que adquire a palavra escrita quanto mais o tempo transcorre entre ela e o fato/pessoa que descreve.
Isto posto, o que já instala o olhar crítico necessário a toda leitura, extraio aqui para vocês, do dito livro, duas questões bem interessantes, a meu ver.
A primeira delas diz respeito a questão da supremacia da língua portuguesa sobre o tupi. Vejamos. A história "oficial" diz que "São Paulo fala português a menos de três séculos. Antes, o idioma mais falado no Brasil era a língua geral, uma mistura de dialetos indígenas. Só com a proibição do Tupi pelo Marquês de Pombal, no século 18, é que o português virou a língua predominante". Mas o autor nos informa de que algumas "evidências históricas" levam hoje em outra direção. Aquela na qual "Apesar da grande influência indígena nos casamentos e nas alianças políticas, o idioma que venceu aquela mistura cultural foi o português. Assim como falar latim era um sinal de distinção social entre os europeus conquistados pelos romanos, os índios e os mestiços se esforçavam para falar português".
E é nesse ponto que eu queria chegar. A língua é ponto forte de identidade cultural. E a identificação, à longo prazo, entre povo dominado e povo dominador é inegável. Se é bom ou não? Moralmente condenável ou não? Debates filosóficos dos bons... Parece-me óbvio que o português se tornaria predominante a longo prazo, como se fato se tornou. E por vias "naturais". Tomando como "naturais" os inevitáveis da história humana, carregada de opostos.
Entretanto houve uma proibição formal de se falar o Tupi. E aí me lembro que também durante as enormes transformações politicas que a FRANÇA atravessou na transição século 18 para o 19 o occitan, língua falada a séculos e séculos na parte da França em que nossos bisavós viviam, foi proibida de ser falada a não ser no recesso de cada lar. Das escolas, esteve terminantemente banida. Tudo para unificar a FRANÇA também sob a "bandeira" da língua francesa tal qual conhecemos.
É certo que persistem na FRANÇA inúmeros e forte movimentos de manutenção do direito de conservar, ao menos culturalmente, essa língua ancestral do país de nossos ancestrais. A língua que falaram os trovadores e os cavaleiros de CARLOS MAGNO no tempo das CRUZADAS. E é aí que encontro a diferença básica entre o "grau de maturidade" de um povo em relação a outro. Só agora, "povo menino" que somos, estamos compreendendo pouco a pouco que nada deve ser "exterminado" de nossa história, com risco de nos tornarmos um "aleijão cultural": nem antigas línguas nem prédios históricos; nem vestígios pré-históricos; nem documentos, livros e bibliotecas que estejam sendo corroídos pelos cupins; nem livros de cartórios do interior guardados sob as asas gulosas de seus "notários hereditários"; nem a riquíssima tradição cultural indígena; nem a memória dos negros; nem a saga dos imigrantes todos...
O tempo, por si só, fará valer sua força, transmutando todos esses elementos. Não precisa de nossa ajuda através de decretos culturais proibitivos. Sejam de que gênero for.
Isto posto, o que já instala o olhar crítico necessário a toda leitura, extraio aqui para vocês, do dito livro, duas questões bem interessantes, a meu ver.
A primeira delas diz respeito a questão da supremacia da língua portuguesa sobre o tupi. Vejamos. A história "oficial" diz que "São Paulo fala português a menos de três séculos. Antes, o idioma mais falado no Brasil era a língua geral, uma mistura de dialetos indígenas. Só com a proibição do Tupi pelo Marquês de Pombal, no século 18, é que o português virou a língua predominante". Mas o autor nos informa de que algumas "evidências históricas" levam hoje em outra direção. Aquela na qual "Apesar da grande influência indígena nos casamentos e nas alianças políticas, o idioma que venceu aquela mistura cultural foi o português. Assim como falar latim era um sinal de distinção social entre os europeus conquistados pelos romanos, os índios e os mestiços se esforçavam para falar português".
E é nesse ponto que eu queria chegar. A língua é ponto forte de identidade cultural. E a identificação, à longo prazo, entre povo dominado e povo dominador é inegável. Se é bom ou não? Moralmente condenável ou não? Debates filosóficos dos bons... Parece-me óbvio que o português se tornaria predominante a longo prazo, como se fato se tornou. E por vias "naturais". Tomando como "naturais" os inevitáveis da história humana, carregada de opostos.
Entretanto houve uma proibição formal de se falar o Tupi. E aí me lembro que também durante as enormes transformações politicas que a FRANÇA atravessou na transição século 18 para o 19 o occitan, língua falada a séculos e séculos na parte da França em que nossos bisavós viviam, foi proibida de ser falada a não ser no recesso de cada lar. Das escolas, esteve terminantemente banida. Tudo para unificar a FRANÇA também sob a "bandeira" da língua francesa tal qual conhecemos.
É certo que persistem na FRANÇA inúmeros e forte movimentos de manutenção do direito de conservar, ao menos culturalmente, essa língua ancestral do país de nossos ancestrais. A língua que falaram os trovadores e os cavaleiros de CARLOS MAGNO no tempo das CRUZADAS. E é aí que encontro a diferença básica entre o "grau de maturidade" de um povo em relação a outro. Só agora, "povo menino" que somos, estamos compreendendo pouco a pouco que nada deve ser "exterminado" de nossa história, com risco de nos tornarmos um "aleijão cultural": nem antigas línguas nem prédios históricos; nem vestígios pré-históricos; nem documentos, livros e bibliotecas que estejam sendo corroídos pelos cupins; nem livros de cartórios do interior guardados sob as asas gulosas de seus "notários hereditários"; nem a riquíssima tradição cultural indígena; nem a memória dos negros; nem a saga dos imigrantes todos...
O tempo, por si só, fará valer sua força, transmutando todos esses elementos. Não precisa de nossa ajuda através de decretos culturais proibitivos. Sejam de que gênero for.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
MERITA DOUSSEAU
Hoje preciso procurar bem melhor minhas palavras. Porque encontrar a medida certa da emoção sempre foi tarefa difícil para mim. "Exagerada", como dizia Cazuza. Mas como não sê-lo agora, quando, nessa altura da vida e após tantos e tantos "viras daqui e dali" nesses muitos e muitos anos de pesquisa, somos surpreendidos assim, de súbito, com um presentão como esse!!! Estava em IPATINGA, visitando e conhecendo melhor MARIA DE FÁTIMA (DOUSSEAU) FILGUEIRAS ROCHA, prima de minha mãe, sendo filha de MARIA LUZIA DOUSSEAU FILGUEIRAS. Remexíamos em fotos e mais fotos, procurando exemplares antigos da familia DOUSSEAU. Subitamente ela, dando sinais de estar muito emocionada, me mostra, na palma de sua mão aberta, uma pequena e danificada foto 3x4. E me pergunta se eu reconhecia aquela pessoa. Sabia que era uma das 6 irmãs DOUSSEAU. E como ALICE e MARGARIDA ainda não foram vistas por mim em nenhuma foto, imaginei que pudesse ser uma delas. Ou quem sabe uma das outras quatro: MERITA, MARIA (MARIQUINHA), FRANCISCA (NINI) ou LUZIA? Tudo isso em uma fração de segundo. Claro que parecia minha vó. Mas todas elas eram afinal tão parecidas!
Então, ela virou o pequeno 3x4 e (bendita dedicatória!) ali estava a confirmação assinada: MERITA!!!!!!!!!!!!!!! Minha mais que querida vó MERITA! Em minhas inúmeras férias de infância em sua casa, cansei de folhear de frente para trás e de trás para frente seus álbums de fotos. Que até hoje não sei bem ao certo onde foram parar e se sobrevivem... E posso afirmar: nem ela própria tinha um exemplar dessa fotografia! Nem meus tios. Nem ninguém. Apenas tia NINI que, tendo criado FATINHA após a morte de sua mãe LUZIA, explica a permanência daquela foto entre tantas outras naquele escritório de IPATINGA. Tão longe de casa!!!
Curiosos, não é? Então vejam. E comprovem o quanto ela era "mignone", como dizem os franceses! Até então eu creditava a beleza de minha mãe, suas irmãs e irmão ao meu "garboso" avô EVARISTO. E aí vem um sinal viajando no tempo e no espaço e me prova: "Nã nã ni nã não! Olha aí o encanto dessa criaturinha tão francesinha!". Agora sim está explicado! rsrsr. Perdoem-nos o fato de perdermos um pouco da definição na ampliação. Mas seria impossível aqui admirarmos os detalhes no original em 3x4 um pouco danificado.
MERITA DOUSSEAU editada por AMARILDO MAYRINK
Na véspera do dia desse "achado", passando por um Shopping, tínhamos parado numa loja de acessórios onde o destaque maior eram os chapéus. E eu dizia a FATINHA sobre minha paixão por eles, principalmente pelos pequenos e mais simples. Que eu sem sombra de dúvida teria incorporado a meus hábitos se hoje não fosse considerado tão "excêntrico". Ao menos nos meios que frequentamos. Mas minha vó o fez! Ao menos uma vez. Minha mãe acredita que tenha sido foto de estúdio. Como ela própria fez várias, na adolescência, com chapéus dos mais variados tipos.
Como podemos ver, a dedicatória, embora assinada da mesma forma que pude ler até o fins dos seus dias, não é datada. Minha mãe aposta na faixa 15-20 anos, ainda solteira. Eu já pensei que pudesse ser na faixa dos 20-25, pelas bochechas já mais "cheiinhas" que na foto do casamento (que ilustra nosso livro). Mas tudo isso são meras suposições. Pelo menos até que outro "sinal" como esse viaje de novo no tempo e no espaço e venha, mais uma vez "pousar" em minhas mãos sempre abertas... Alguém ainda duvida de alguma coisa? FONTE: MARIA DE FÁTIMA (DOUSSEAU) FILGUEIRAS ROCHA
Então, ela virou o pequeno 3x4 e (bendita dedicatória!) ali estava a confirmação assinada: MERITA!!!!!!!!!!!!!!! Minha mais que querida vó MERITA! Em minhas inúmeras férias de infância em sua casa, cansei de folhear de frente para trás e de trás para frente seus álbums de fotos. Que até hoje não sei bem ao certo onde foram parar e se sobrevivem... E posso afirmar: nem ela própria tinha um exemplar dessa fotografia! Nem meus tios. Nem ninguém. Apenas tia NINI que, tendo criado FATINHA após a morte de sua mãe LUZIA, explica a permanência daquela foto entre tantas outras naquele escritório de IPATINGA. Tão longe de casa!!!
Curiosos, não é? Então vejam. E comprovem o quanto ela era "mignone", como dizem os franceses! Até então eu creditava a beleza de minha mãe, suas irmãs e irmão ao meu "garboso" avô EVARISTO. E aí vem um sinal viajando no tempo e no espaço e me prova: "Nã nã ni nã não! Olha aí o encanto dessa criaturinha tão francesinha!". Agora sim está explicado! rsrsr. Perdoem-nos o fato de perdermos um pouco da definição na ampliação. Mas seria impossível aqui admirarmos os detalhes no original em 3x4 um pouco danificado.
MERITA DOUSSEAU editada por AMARILDO MAYRINK
Na véspera do dia desse "achado", passando por um Shopping, tínhamos parado numa loja de acessórios onde o destaque maior eram os chapéus. E eu dizia a FATINHA sobre minha paixão por eles, principalmente pelos pequenos e mais simples. Que eu sem sombra de dúvida teria incorporado a meus hábitos se hoje não fosse considerado tão "excêntrico". Ao menos nos meios que frequentamos. Mas minha vó o fez! Ao menos uma vez. Minha mãe acredita que tenha sido foto de estúdio. Como ela própria fez várias, na adolescência, com chapéus dos mais variados tipos.
Como podemos ver, a dedicatória, embora assinada da mesma forma que pude ler até o fins dos seus dias, não é datada. Minha mãe aposta na faixa 15-20 anos, ainda solteira. Eu já pensei que pudesse ser na faixa dos 20-25, pelas bochechas já mais "cheiinhas" que na foto do casamento (que ilustra nosso livro). Mas tudo isso são meras suposições. Pelo menos até que outro "sinal" como esse viaje de novo no tempo e no espaço e venha, mais uma vez "pousar" em minhas mãos sempre abertas... Alguém ainda duvida de alguma coisa? FONTE: MARIA DE FÁTIMA (DOUSSEAU) FILGUEIRAS ROCHA
domingo, 10 de fevereiro de 2013
UM POUQUINHO DE BICAS
Passando esses dias de Carnaval aqui em BICAS, resolvi compartilhar essa foto recente da cidade. Para vocês verem como é e sempre foi tão bonitinha... Afinal qual de vocês, que visita esse blog, não tem algum tipo de laço de sangue, afetivo ou histórico com esse cantinho de ZONA DA MATA? Abraços! FONTE: AMARILDO MAYRINK
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
INVERNO EM PEYRIGNAC
Bom dia! Para nos refrescarmos um pouco nesse nosso verão brasileiro, que tal dar uma olhadinha no jardim de nossa prima NICOLE, bem nesse momento? Você gosta? É bonito mas... eu não sei não... O frio ainda me apavora. Acho que nossos bisavós fizeram uma boa escolha em nos permitir viver aqui, mais "perto do sol e do mar"... Eu gostaria de ver, tocar, cheirar e brincar na neve. Por alguns minutos. Só para experimentar. E depois dizer adeus rapidinho... Interessante é que essa mesma paisagem, quando é verão no PÉRIGORD, é tão semelhante à nossa!!! Calor de 35°... céu completamente azul... Delícia, enfim! E estupendamente lindo! Prefiro rever o PÉRIGORD assim. Deixemos a neve só para as fotos... Abraços! FONTE: NICOLE DOUSSEAU Le CANNE.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
ERRATA ESPECIAL
Aqui estão RAQUEL AUDEBERT e PIERRE DELAGE. Estou encantada com essa fotografia, que vi um dia desses no álbum de ISABEL. Esse encantamento me levou a "pensar sobre". O que sempre ocorre quando se trata do meu encontro com os nossos imigrantes franceses. Aqueles mesmos: os "primos orenoquenses". Conversa vai, conversa vem... uma constatação: nossa ligação com esse casal, como DOUSSEAU que somos, era tão grande naquelas primeiras décadas de Brasil, que simplesmente ignorei o fato de que RAQUEL nasceu já no BRASIL, pouquíssimo tempo depois da chegada do ORENOQUE. Ao contrário de seu esposo, PIERRE. Na página 34 de nosso livro, cheguei a imaginá-la correndo e brincando pelos convés do navio com as outras crianças todas, filhas dos imigrantes... E citei seu nome como presente dentre elas. Perdão. O casal HENRI AUDEBERT e HONORINE DUCAMUS, pais de RAQUEL, ainda não tinha filhos. Ao contrário, o casal PIERRE DELAGE e LEONIE LAFUE já tinha dois: PIERRE e FRANCK. Esse último é que deveria ter sido citado como companheiro de folguedos de PIERRE e de todos os outros. Como se pode comprovar pela lista de passageiros publicada nas páginas 24-25.
Porque tais atos falhos acontecem, só FREUD para tentar explicar...rsrsrs...
E o pior: passou despercebido por todos os leitores! Ou não quiseram me contradizer? sabe-se lá!! rsrsrsr
A publicação de um livro tem alguns revezes. Para completar minhas pesquisas, para "acertar o passo" com a história que teima em se desvendar aos poucos, é que criei esse blog. Mas esse caso da RAQUEL... não cabe em nenhuma explicação. Resta pedir desculpas. À eles,
que foram padrinhos de casamento de ANNET e SUZANNA e se casaram com apenas uma semana de antecedência. E a seus queridos descendentes, muitos dos quais estão entre meus amigos e "primos do coração". Abraços a todos!
FONTE: ISABEL (AUDEBERT) OLIVEIRA
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
8.000 visitantes!
Dessa vez, resolvi ilustrar meu agradecimento a você que nos visita aqui, com um cartão postal pelo qual me encantei quando, no meu último aniversário, resolvi me retirar em PETRÓPOLIS para uma "revisão interior", digamos assim. Lá, numa feirinha de antiguidades, bem em frente ao MUSEU IMPERIAL, encontrei... essa menininha. Antes que um dos senhores, expositores, tivesse expressado a opinião de que ela se parecia comigo, eu já havia me identificado com aquela imagem. E a "menininha" que dentro de nós nunca cresce e nunca morre... veio comigo para casa, nesse antigo cartão postal. Hoje divido com vocês, agradecendo por essas 8000 visitas, essa menininha que ainda se encanta e sabe ser reconhecida pelas alegrias que a vida ainda lhe traz. Como esse blog e sua presença. Continuem bem vindos! E obrigada!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
LIVRO DE ISABEL PINTO (AUDEBERT)
FELIZ ANO NOVO, primos!!!
Eis que retorno após tantos dias de folga, quando o calendário já virou... Mas como a vida (e a história) é a mesma, vamos continuando por aqui a compô-la e recompô-la.
Venho hoje apresentar a vocês um livro recém saído do forno: "GENEALOGIA SERTANEJA - FAMÍLIAS PINTO E OLIVEIRA - DO BREJO PARAIBANO E DA BORBOREMA POTIGUAR", publicado pela EDITORA KIRON em 2012.
Vocês hão de perguntar:"Mas porque falarmos de nossos sertões nesse blog repleto de nomes franceses????". Vou então "começar do começo" e tenho certeza de que vocês entenderão perfeitamente o quanto todos nós "primos orenoquenses", nos espalhamos por aí, mesclando, mesclando, mesclando...
Podemos começar?
Antes de tudo, uma dedicatória inspirada. Linda. Depois, as palavras igualmente inspiradas do meu grande mestre da psicologia arquetípica, Carl Gustav Jung, que vocês já devem ter lido na nossa comunidade "orkutiana" chamada FAMÍLIA DOUSSEAU, mas que vale sempre a pena repetir.:
"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia. Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relação com essas coisas. Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo".
ISABEL, a autora, é uma de nossas "primas de ORENOQUE". Ou "prima por parte do ORENOQUE", para usar uma expressão mais comum. Isso porque seu avô, PIERRE AUDEBERT, brincou com nosso bisavô ANNET no convés desse vapor/navio durante os intermináveis dias daquela viagem sem volta da FRANÇA para o BRASIL. PIERRE, saído com seus pais e irmã de HAUTEFORT ; ANNET, saído com seus pais e irmã de BEAUREGARD DE TERRASSON. ANNET viveu até o fim dos seus dias nos arredores de MARIPÁ, destino inicial de todos os imigrantes perigordinos do ORENOQUE, tendo terminado seus dias nos MACHADOS. Já PIERRE, tendo ido cedo com sua família para TRES RIOS, viveu a maior parte de sua vida no RIO DE JANEIRO, onde também veio a falecer.
ISABEL já nos contou essa história, aliás, no seu primeiro livro. Aquele que chamou "A FAMÍLIA AUDEBERT - IMIGRANTES FRANCESES E SEUS DESCENDENTES BRASILEIROS", publicado em 2002. E que fez meu coração disparar no peito quando li "de um só gole", à pouco mais de seis anos atrás. Isso porque foi ali que ávidamente bebi as primeiras informações concretas sobre nossos bisavós, sobre os quais eu havia recém-começado a pesquisar.
Essa mesma Isabel resolveu retomar a jornada de recomposição histórica. Dessa vez em relação á sua família paterna. E eis esse novo livro. Uma verdadeira aula sobe as agruras e a realidade do trabalho genealógico, no que ele exige de rigor e de pesquisa. A preocupação com o embasamento de cada dado, de cada fato relatado, é a principal característica de sua maneira de trabalhar a história. Devido a isso, imagino o quão profundamente importante é (e virá sempre mais a ser!) esse trabalho para aquela parte de nosso BRASIL (e seus habitantes), ainda mais esquecido que nosso SERTÃO DO RIO CÁGADO, logo ali nas GERAIS...
Para não correr o risco de distorcer suas informações tão claras, passo a transcrever algumas partes.
Vamos, então?
"Para se estabelecer o parentesco, é preciso determinar o grau, que é o número de gerações que medeia duas pessoas ou entre uma pessoa e o tronco familiar. Os graus de parentesco, na linha colateral, são diferentes no Direito Civil e no Direito Canônico.
Quando se fala em "primo de segundo grau", geralmente tem-se o parentesco do direito canônico, significando que são filhos dos primos. Em quatro gerações temos o bisavô, o avô, o pai e o filho, cujo parentesco em linha reta é muito próximo.
Costumeiramente considera-se, também, a proximidade familiar daqueles que descendem dos irmãos do avô, ou seja, os primos do pai e "primos de segundo grau" do filho, ou seja, todos pertencentes à mesma família.
Entretanto, para a genealogia, esta proximidade se estende um pouco mais. Até seis gerações (incluindo o trisavô e o tetravô) os descendentes são considerados da mesma família.". Páginas 11 e 12.
"É uma lástima não conservarem o sobrenome de família. mas, ainda hoje no Brasil, onde a legislação permite à nubente manter seu nome de 'solteira', isso acontece muito.
Já ouvi comentários como 'os sobrenomes não combinam' ou 'o sobrenome do marido é mais bonito', como se sobrenome fosse ligado à moda e não à identidade familiar. Concordo que a união de alguns sobrenomes pode causar constrangimento, mas isto é exceção". Página 14.
"A pesquisa genealógica, para mim, foi um meio de resgatar minha própria identidade e de conhecer mais minha família.
As pessoas, no final do século XIX, assinavam de duas ou três formas diferentes, sem qualquer problema.
Para começar qualquer trabalho de pesquisa genealógica deve-se iniciar com a leitura dos assentos de batismo, casamentos ou óbitos, seja nos livros paroquiais (das igrejas) ou nos livros dos cartórios.
No Brasil, geralmente os livros das paróquias com menos de cem anos ainda são guardados nas igrejas. Os mais antigos, nas cúrias". Página 15
"Eram frequentes as uniões consanguineas, sobretudo de tios com sobrinhas". Página 25.
O penico foi usado até a década de 70 do século XX, em áreas rurais onde não existiam banheiros ou privadas; ou estas eram localizadas no quintal da residência e não em seu interior.
Até a metade do século XIX a maioria das mulheres não usava nenhum tipo de roupa íntima. calcinhas eram usadas somente por prostitutas". Páginas 25 e 26.
"Nas capitanias generalizou-se, e mesmo exagerou-se, na distribuição de cartas de sesmarias, sem qualquer sentido de limitação, quer no tocante aos requerentes, quer no tocante á extensão das terras doadas, o que logo determinou a medida de proibir-se a liberalidade, impondo-se limite máximo a cada sesmaria e evitando-se a sua concessão em número maior a cada beneficiado.
Esse limite máximo foi estabelecido em quatro léguas de comprimento por uma de largura, tendo posteriormente sofrido restrição para três, duas, uma e até meia légua. Uma légua equivale a 6.600 metros, o que dá para ter ideia da extensão das propriedades.
No período compreendido entre 1822 e 1850, vigorou o princípio da ocupação efetiva do solo, ou seja, bastava estar na terra e fazê-la produzir para ser seu dono.
A expressão 'sítio de terras' era utilizada para indicar uma extensão maior de terras do que as que no registro falam de 'uma parte de terra'. Bom diferente do sentido atual da palavra 'sítio', que equivale a uma pequena fazenda.". Páginas 37 e 38.
"No final do século XVIII, grande parte das propriedades rurais estava grava com 'missas até o fim do mundo'. Somente em 1835 o Império do Brasil proibiu a instituição (Igreja) de obter rendimentos das propriedades para o sustento de missas em capelas, o que levou a Igreja católica a transformar muitas capelas em matrizes, pois nelas o número de dizimistas era maior e não haveria carência de recursos para manutenção do templo, face ao aumento do número de fregueses, razão pela qual, nesse ano de 1835, muitas capelas viraram matrizes resultando no imenso número de freguesias criadas. Além disso, a lei de 1834 ordenou a criação de unidades administrativas, fazendo uma clara divisão entre o Estado e a Igreja.
Por trás da criação dessas freguesias havia o interesse econômico da Igreja de Roma. Duas ou três freguesias representavam maior fonte de renda do que uma só.
É preciso conhecer um pouco da história de nosso país para entender o panorama da época e não falar besteira. Infelizmente, o desconhecimento da história e da evolução do sistema político é fato que me deixa entristecida.
Não sou historiadora, só gosto da matéria e, como leiga, verifico que nós brasileiros desconhecemos mesmo nossa história. Muito triste, mas é fato.". Páginas 56 e 57.
"É uma pena, pois quando visitei uma feira no Périgord (França), terra de meu avô materno PIERRE AUDEBERT, uma historiadora disse ter muito orgulho de uma feira que existia lá há mais de 400 anos. Eu fiquei maravilhada pensando que alguns dos meus ancestrais maternos dela se utilizaram". Página 70.
"Eu tenho orgulho de minha ancestralidade.
Mas, na verdade, algumas pessoas sequer cogitam em encontrar qualquer ancestral que não seja branco, ou melhor, europeu. Jamais pensariam também em encontrar entre seus ancestrais um ladrão, uma prostituta, um político corrupto, um escravo, ou mesmo um membro absolutamente medíocre. Tais pessoas preferem pensar que descendem tão somente de ilustres personagens da história, razão pela qual vejo sempre que FULANO DE TAL foi isto ou aquilo.
Não encontro em nenhuma árvore menção de que um trisavô foi condenado, por exemplo, por roubo, que a pentavó era prostituta. Divulgar essas "máculas" na árvore genealógica é uma heresia. No máximo tem um que foi preso por assassinato - em legítima defesa, é claro - ou, por questões políticas. Fica mais chique e elegante, embora longe da realidade". Página 73.
"A guarda Nacional, criada em 1831, era considerada uma 'milícia civil'. Para ser integrante dela era preciso ser alguém de posses, que tivesse recursos para assumir os custos com o uniforme e as armas necessárias. os postos militares foram comprados, razão pela qual, com o tempo, seus ocupantes, especialmente os 'coronéis', passaram a ser vistos como homens poderosos". Página 88.
"Entre 1821/1830, o Brasil produziu 32 milhões de sacas de café de 60 quilos, correspondente a 18% da produção mundial, mas quase toda essa produção (60%), concentrava-se no Vale do Paraíba (região que engloba os atuais estados do Rio de Janeiro e São Paulo). O Nordeste contribuía com pouco menos de 10% da produção.". Página 89.
"Pelas minhas conclusões, pelo menos 10% dos atuais habitantes da cidade de Santa Cruz (cerca de três mil pessoas), cujas famílias se fixaram naquela cidade a muito tempo, possui algum vínculo de parentesco comigo, vez que temos um ancestral em comum, embora este ancestral esteja distante na linha do tempo da geração atual, ou seja, trata-se de um heptavô ou hexavô.
Tal fato é perfeitamente explicável em se tratando de cidade pequena do interior, onde os sucessivos casamentos entre membros de uma mesma família resultam em uma consanguinidade entre os habitantes". Página 162.
Para concluirmos, a frase com que ela também concluiu esse trabalho que, sei bem, não é pequeno:
"Estou certa que fiz o possível e, se erros cometi, estes se justificam pela vontade que tinha de acertar". Página 207.
Parabéns por seu trabalho, "prima". Do coração. E de coração.
Eis que retorno após tantos dias de folga, quando o calendário já virou... Mas como a vida (e a história) é a mesma, vamos continuando por aqui a compô-la e recompô-la.
Venho hoje apresentar a vocês um livro recém saído do forno: "GENEALOGIA SERTANEJA - FAMÍLIAS PINTO E OLIVEIRA - DO BREJO PARAIBANO E DA BORBOREMA POTIGUAR", publicado pela EDITORA KIRON em 2012.
Vocês hão de perguntar:"Mas porque falarmos de nossos sertões nesse blog repleto de nomes franceses????". Vou então "começar do começo" e tenho certeza de que vocês entenderão perfeitamente o quanto todos nós "primos orenoquenses", nos espalhamos por aí, mesclando, mesclando, mesclando...
Podemos começar?
Antes de tudo, uma dedicatória inspirada. Linda. Depois, as palavras igualmente inspiradas do meu grande mestre da psicologia arquetípica, Carl Gustav Jung, que vocês já devem ter lido na nossa comunidade "orkutiana" chamada FAMÍLIA DOUSSEAU, mas que vale sempre a pena repetir.:
"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia. Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relação com essas coisas. Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo".
ISABEL, a autora, é uma de nossas "primas de ORENOQUE". Ou "prima por parte do ORENOQUE", para usar uma expressão mais comum. Isso porque seu avô, PIERRE AUDEBERT, brincou com nosso bisavô ANNET no convés desse vapor/navio durante os intermináveis dias daquela viagem sem volta da FRANÇA para o BRASIL. PIERRE, saído com seus pais e irmã de HAUTEFORT ; ANNET, saído com seus pais e irmã de BEAUREGARD DE TERRASSON. ANNET viveu até o fim dos seus dias nos arredores de MARIPÁ, destino inicial de todos os imigrantes perigordinos do ORENOQUE, tendo terminado seus dias nos MACHADOS. Já PIERRE, tendo ido cedo com sua família para TRES RIOS, viveu a maior parte de sua vida no RIO DE JANEIRO, onde também veio a falecer.
ISABEL já nos contou essa história, aliás, no seu primeiro livro. Aquele que chamou "A FAMÍLIA AUDEBERT - IMIGRANTES FRANCESES E SEUS DESCENDENTES BRASILEIROS", publicado em 2002. E que fez meu coração disparar no peito quando li "de um só gole", à pouco mais de seis anos atrás. Isso porque foi ali que ávidamente bebi as primeiras informações concretas sobre nossos bisavós, sobre os quais eu havia recém-começado a pesquisar.
Essa mesma Isabel resolveu retomar a jornada de recomposição histórica. Dessa vez em relação á sua família paterna. E eis esse novo livro. Uma verdadeira aula sobe as agruras e a realidade do trabalho genealógico, no que ele exige de rigor e de pesquisa. A preocupação com o embasamento de cada dado, de cada fato relatado, é a principal característica de sua maneira de trabalhar a história. Devido a isso, imagino o quão profundamente importante é (e virá sempre mais a ser!) esse trabalho para aquela parte de nosso BRASIL (e seus habitantes), ainda mais esquecido que nosso SERTÃO DO RIO CÁGADO, logo ali nas GERAIS...
Para não correr o risco de distorcer suas informações tão claras, passo a transcrever algumas partes.
Vamos, então?
"Para se estabelecer o parentesco, é preciso determinar o grau, que é o número de gerações que medeia duas pessoas ou entre uma pessoa e o tronco familiar. Os graus de parentesco, na linha colateral, são diferentes no Direito Civil e no Direito Canônico.
Quando se fala em "primo de segundo grau", geralmente tem-se o parentesco do direito canônico, significando que são filhos dos primos. Em quatro gerações temos o bisavô, o avô, o pai e o filho, cujo parentesco em linha reta é muito próximo.
Costumeiramente considera-se, também, a proximidade familiar daqueles que descendem dos irmãos do avô, ou seja, os primos do pai e "primos de segundo grau" do filho, ou seja, todos pertencentes à mesma família.
Entretanto, para a genealogia, esta proximidade se estende um pouco mais. Até seis gerações (incluindo o trisavô e o tetravô) os descendentes são considerados da mesma família.". Páginas 11 e 12.
"É uma lástima não conservarem o sobrenome de família. mas, ainda hoje no Brasil, onde a legislação permite à nubente manter seu nome de 'solteira', isso acontece muito.
Já ouvi comentários como 'os sobrenomes não combinam' ou 'o sobrenome do marido é mais bonito', como se sobrenome fosse ligado à moda e não à identidade familiar. Concordo que a união de alguns sobrenomes pode causar constrangimento, mas isto é exceção". Página 14.
"A pesquisa genealógica, para mim, foi um meio de resgatar minha própria identidade e de conhecer mais minha família.
As pessoas, no final do século XIX, assinavam de duas ou três formas diferentes, sem qualquer problema.
Para começar qualquer trabalho de pesquisa genealógica deve-se iniciar com a leitura dos assentos de batismo, casamentos ou óbitos, seja nos livros paroquiais (das igrejas) ou nos livros dos cartórios.
No Brasil, geralmente os livros das paróquias com menos de cem anos ainda são guardados nas igrejas. Os mais antigos, nas cúrias". Página 15
"Eram frequentes as uniões consanguineas, sobretudo de tios com sobrinhas". Página 25.
O penico foi usado até a década de 70 do século XX, em áreas rurais onde não existiam banheiros ou privadas; ou estas eram localizadas no quintal da residência e não em seu interior.
Até a metade do século XIX a maioria das mulheres não usava nenhum tipo de roupa íntima. calcinhas eram usadas somente por prostitutas". Páginas 25 e 26.
"Nas capitanias generalizou-se, e mesmo exagerou-se, na distribuição de cartas de sesmarias, sem qualquer sentido de limitação, quer no tocante aos requerentes, quer no tocante á extensão das terras doadas, o que logo determinou a medida de proibir-se a liberalidade, impondo-se limite máximo a cada sesmaria e evitando-se a sua concessão em número maior a cada beneficiado.
Esse limite máximo foi estabelecido em quatro léguas de comprimento por uma de largura, tendo posteriormente sofrido restrição para três, duas, uma e até meia légua. Uma légua equivale a 6.600 metros, o que dá para ter ideia da extensão das propriedades.
No período compreendido entre 1822 e 1850, vigorou o princípio da ocupação efetiva do solo, ou seja, bastava estar na terra e fazê-la produzir para ser seu dono.
A expressão 'sítio de terras' era utilizada para indicar uma extensão maior de terras do que as que no registro falam de 'uma parte de terra'. Bom diferente do sentido atual da palavra 'sítio', que equivale a uma pequena fazenda.". Páginas 37 e 38.
"No final do século XVIII, grande parte das propriedades rurais estava grava com 'missas até o fim do mundo'. Somente em 1835 o Império do Brasil proibiu a instituição (Igreja) de obter rendimentos das propriedades para o sustento de missas em capelas, o que levou a Igreja católica a transformar muitas capelas em matrizes, pois nelas o número de dizimistas era maior e não haveria carência de recursos para manutenção do templo, face ao aumento do número de fregueses, razão pela qual, nesse ano de 1835, muitas capelas viraram matrizes resultando no imenso número de freguesias criadas. Além disso, a lei de 1834 ordenou a criação de unidades administrativas, fazendo uma clara divisão entre o Estado e a Igreja.
Por trás da criação dessas freguesias havia o interesse econômico da Igreja de Roma. Duas ou três freguesias representavam maior fonte de renda do que uma só.
É preciso conhecer um pouco da história de nosso país para entender o panorama da época e não falar besteira. Infelizmente, o desconhecimento da história e da evolução do sistema político é fato que me deixa entristecida.
Não sou historiadora, só gosto da matéria e, como leiga, verifico que nós brasileiros desconhecemos mesmo nossa história. Muito triste, mas é fato.". Páginas 56 e 57.
"É uma pena, pois quando visitei uma feira no Périgord (França), terra de meu avô materno PIERRE AUDEBERT, uma historiadora disse ter muito orgulho de uma feira que existia lá há mais de 400 anos. Eu fiquei maravilhada pensando que alguns dos meus ancestrais maternos dela se utilizaram". Página 70.
"Eu tenho orgulho de minha ancestralidade.
Mas, na verdade, algumas pessoas sequer cogitam em encontrar qualquer ancestral que não seja branco, ou melhor, europeu. Jamais pensariam também em encontrar entre seus ancestrais um ladrão, uma prostituta, um político corrupto, um escravo, ou mesmo um membro absolutamente medíocre. Tais pessoas preferem pensar que descendem tão somente de ilustres personagens da história, razão pela qual vejo sempre que FULANO DE TAL foi isto ou aquilo.
Não encontro em nenhuma árvore menção de que um trisavô foi condenado, por exemplo, por roubo, que a pentavó era prostituta. Divulgar essas "máculas" na árvore genealógica é uma heresia. No máximo tem um que foi preso por assassinato - em legítima defesa, é claro - ou, por questões políticas. Fica mais chique e elegante, embora longe da realidade". Página 73.
"A guarda Nacional, criada em 1831, era considerada uma 'milícia civil'. Para ser integrante dela era preciso ser alguém de posses, que tivesse recursos para assumir os custos com o uniforme e as armas necessárias. os postos militares foram comprados, razão pela qual, com o tempo, seus ocupantes, especialmente os 'coronéis', passaram a ser vistos como homens poderosos". Página 88.
"Entre 1821/1830, o Brasil produziu 32 milhões de sacas de café de 60 quilos, correspondente a 18% da produção mundial, mas quase toda essa produção (60%), concentrava-se no Vale do Paraíba (região que engloba os atuais estados do Rio de Janeiro e São Paulo). O Nordeste contribuía com pouco menos de 10% da produção.". Página 89.
"Pelas minhas conclusões, pelo menos 10% dos atuais habitantes da cidade de Santa Cruz (cerca de três mil pessoas), cujas famílias se fixaram naquela cidade a muito tempo, possui algum vínculo de parentesco comigo, vez que temos um ancestral em comum, embora este ancestral esteja distante na linha do tempo da geração atual, ou seja, trata-se de um heptavô ou hexavô.
Tal fato é perfeitamente explicável em se tratando de cidade pequena do interior, onde os sucessivos casamentos entre membros de uma mesma família resultam em uma consanguinidade entre os habitantes". Página 162.
Para concluirmos, a frase com que ela também concluiu esse trabalho que, sei bem, não é pequeno:
"Estou certa que fiz o possível e, se erros cometi, estes se justificam pela vontade que tinha de acertar". Página 207.
Parabéns por seu trabalho, "prima". Do coração. E de coração.
sábado, 22 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
BONS LIVROS: "O LONGO CAMINHO DE OLGA".
De Yolanda Scheuber, publicado pela Editora Novo Século em 2010, é uma leitura muito leve e agradável. A autora (Yolanda) se dispõe a contar toda a vida de sua avó imigrante, Olga. Uma saga que começa na RÚSSIA czarista e termina nos pampas argentinos. Pelo longo caminho, cheio de idas e vindas, de sua família, passamos junto com ela pelo CANADÁ e pelo BRASIL.
Lendo biografias de imigrantes e seus descendentes, gênero que amo de paixão, acabamos sentindo a "vertigem" que atingiu o mundo inteiro no final do século XIX, por múltiplos e variados motivos. Vertigem essa que teve vários nomes, conforme a realidade de cada país do velho continente (fome, guerras, opressão política ou religiosa, phyloxera e outras pragas...etc) mas que, seja qual for o nome dado, espalhou pelo "mundo novo" (BRASIL, ARGENTINA, CANADÁ, EUA, AUSTRÁLIA, etc..) uma parte considerável do "velho mundo" (ITÁLIA, FRANÇA, ESPANHA, PORTUGAL, ALEMANHA, LÍBANO, SÍRIA, CHINA etc...etc...etc...). Até mesmo da velha RÚSSIA, como apreendemos nesse livro.
Recomendo a leitura mas, só para dar água na boca de vocês, deixo uns pequenos trechinhos...
Tudo isso não nos parece familiar, primos? Com certeza sim! Abraços!
Lendo biografias de imigrantes e seus descendentes, gênero que amo de paixão, acabamos sentindo a "vertigem" que atingiu o mundo inteiro no final do século XIX, por múltiplos e variados motivos. Vertigem essa que teve vários nomes, conforme a realidade de cada país do velho continente (fome, guerras, opressão política ou religiosa, phyloxera e outras pragas...etc) mas que, seja qual for o nome dado, espalhou pelo "mundo novo" (BRASIL, ARGENTINA, CANADÁ, EUA, AUSTRÁLIA, etc..) uma parte considerável do "velho mundo" (ITÁLIA, FRANÇA, ESPANHA, PORTUGAL, ALEMANHA, LÍBANO, SÍRIA, CHINA etc...etc...etc...). Até mesmo da velha RÚSSIA, como apreendemos nesse livro.
Recomendo a leitura mas, só para dar água na boca de vocês, deixo uns pequenos trechinhos...
"Contudo, que liberdade quis nos dar meu pai? A liberdade de um solo fecundo,
mas que deixa a alma inconsolável quando são perdidos os afetos? A liberdade de
poder viver longe de casa, preservando-nos da guerra e da morte, mas lamentando a cada
instante o que perdemos ao partir? Com o passar dos anos, compreendi que aquela
liberdade tão sonhada havia me deixado sem raízes e sem afetos. A liberdade buscada
havia me deixado sem a liberdade de poder pertencer e permanecer dentro de uma
família. Minha família. Nunca soube o que passou pela cabeça de meu pai naqueles
anos. Sempre ignorei tudo. Nunca me atrevi a perguntar e ele nunca pôde abrir seu
coração e expressar seus sentimentos. Creio que para ele era muito difícil mostrar que
sofria por isso, e que atrás dessa imagem de força talvez se ocultasse um coração
atormentado. Atormentado pela força de um destino que nenhum de nós tinha a
capacidade, ou a possibilidade, de se desviar.
A força da história pode tudo e contra isso nenhuma civilização humana pôde
lutar. O destino coletivo se precipita sem que nada possa ser evitado. Somente as
pequenas coisas, as cotidianas, podem ser influenciadas por nossas atitudes, mas a
força descomunal do destino da humanidade parecia já estar escrita.
Meu destino já estava escrito nas estrelas do céu. Eu não sabia, mas o roteiro
que eu seguiria já estava traçado nos desígnios que iam se perfilando como um código e
eu não era capaz de perceber". PÁGINA 51
"Há algo indescritível, muito mais do que possamos imaginar, em pessoas que
têm o mesmo sangue que nós. É a bendita sensação de saber que não estamos sós no
mundo, que há um exército de pessoas com nossos mesmos genes, com nossos mesmos
laços de afetividade, que também estão transitando por algum lugar do planeta e que, ao
encontrá-las, causam uma conexão luminosa". PÁGINA 52
"As pessoas não deveriam sair de sua terra ou país. Não à força. As pessoas
ficam desarraigadas, tristes, doloridas, porque o desterro não anula a memória, a língua,
as cores ou as recordações. Somos arrancados e temos de aprender a viver em terra
estranha". PÁGINA 113
"Meu pai decidiu vender a granja e todos os animais. Outra vez voltaria a guardar
nos doze baús as poucas coisas que definitivamente compunham nosso lar, porque, depois
de tantas viagens, havíamos acabado de nos desapegar de todas as recordações palpáveis
em objetos materiais que pudessem nos reter. Nada o prendia a nada, sequer seus filhos".
PÁGINA 138
"Naquela época descobri que trabalhar para si, para sua família, não é a mesma
coisa que trabalhar para outros proprietários de terras. O sentido deve ser semelhante,
mas o prazer do coração é imensamente maior, e as coisas se tornam mais leves, embora
extremamente pesadas. Os passos se tornam mais ligeiros ainda que tenhamos que
caminhar pelos campos arados, e a alegria brilha nos olhos, ainda que a poeira do vento os
torne embaçados, porque estamos construindo o nosso destino, e quanto mais felizes
estamos, mais promissor parece ser o futuro". PÁGINA 181.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
NILZA DOUSSEAU DE SOUZA FILGUEIRAS
Oi, pessoal! Sumi um pouco, não é? Ainda estou para entender porque final de ano é sempre a mesma coisa: stress e correria. Correria e stress... rsrsrs...
Venho hoje para mais um pedido de desculpas e, ao mesmo tempo, uma homenagem.
Quando nos dispomos a fazer uma pesquisa, como aquela que tive que efetuar para dar origem a nosso livro, uma das coisas mais importantes são os depoimentos das pessoas que encontramos com disposição para dividir o que sabem. Parece simples mas não é tanto assim. Mesmo sendo uma história de família, nem todos dispõem de tempo, interesse ou informações claras para dividir com aquele "ser inoportuno" que vem fazendo pergunta em cima de pergunta: EU. rsrsrs...
Aí, quando encontramos esses poucos bem dispostos e cooperativos, exploramos como se fosse uma única laranja para uma jarra de suco... A maioria das pessoas citadas em nosso livro não cheguei a conhecer pessoalmente. Devido a isso, acreditava nas informações dadas após confirmar com mais de uma pessoa. E foi assim que ocorreu uma omissão: o nome de NILZA DOUSSEAU DE SOUZA FILGUEIRAS na lista (nada pequena...) de filhos de MARIA DOUSSEAU DE SOUZA (tia MARIQUINHA).
Minha mãe, particularmente, ao reler o livro recentemente, reforçou a informação que já me havia sido dada, também recentemente, por ENY, esposa de nosso primo MANINHO. Esclarecendo inclusive que essa é uma das primas com a qual mais conviveu, tendo até recebido dela emprestado seu lindíssimo vestido de noiva... Como esquecer? Impossível!
Portanto, querida prima NILZA, seu nome, apesar de não constar no livro, consta em letras maiúsculas no coração de sua prima LIDIA... rsrsrsrs...
Recentemente, foi impressa uma nova tiragem de nosso livro, para a correção de todos os erros constantes da página desse blog nomeada ERRATA. Mas, infelizmente, ainda não é dessa vez que o nome de NILZA foi incluído. Por muito pouco! Se Deus me permitir algum dia uma segunda edição, esse erro também será corrigido.
Mas fica desde já aqui o meu reconhecimento público. E meu pedido de perdão.
Abaixo, uma foto de seu casamento, com LAERTE FILGUEIRAS.
E mais outra, dela sozinha.
Venho hoje para mais um pedido de desculpas e, ao mesmo tempo, uma homenagem.
Quando nos dispomos a fazer uma pesquisa, como aquela que tive que efetuar para dar origem a nosso livro, uma das coisas mais importantes são os depoimentos das pessoas que encontramos com disposição para dividir o que sabem. Parece simples mas não é tanto assim. Mesmo sendo uma história de família, nem todos dispõem de tempo, interesse ou informações claras para dividir com aquele "ser inoportuno" que vem fazendo pergunta em cima de pergunta: EU. rsrsrs...
Aí, quando encontramos esses poucos bem dispostos e cooperativos, exploramos como se fosse uma única laranja para uma jarra de suco... A maioria das pessoas citadas em nosso livro não cheguei a conhecer pessoalmente. Devido a isso, acreditava nas informações dadas após confirmar com mais de uma pessoa. E foi assim que ocorreu uma omissão: o nome de NILZA DOUSSEAU DE SOUZA FILGUEIRAS na lista (nada pequena...) de filhos de MARIA DOUSSEAU DE SOUZA (tia MARIQUINHA).
Minha mãe, particularmente, ao reler o livro recentemente, reforçou a informação que já me havia sido dada, também recentemente, por ENY, esposa de nosso primo MANINHO. Esclarecendo inclusive que essa é uma das primas com a qual mais conviveu, tendo até recebido dela emprestado seu lindíssimo vestido de noiva... Como esquecer? Impossível!
Portanto, querida prima NILZA, seu nome, apesar de não constar no livro, consta em letras maiúsculas no coração de sua prima LIDIA... rsrsrsrs...
Recentemente, foi impressa uma nova tiragem de nosso livro, para a correção de todos os erros constantes da página desse blog nomeada ERRATA. Mas, infelizmente, ainda não é dessa vez que o nome de NILZA foi incluído. Por muito pouco! Se Deus me permitir algum dia uma segunda edição, esse erro também será corrigido.
Mas fica desde já aqui o meu reconhecimento público. E meu pedido de perdão.
Abaixo, uma foto de seu casamento, com LAERTE FILGUEIRAS.
E mais outra, dela sozinha.
FONTE: ALMIRA E SEBASTIANA DOUSSEAU DE SOUZA
sábado, 1 de dezembro de 2012
4 GERAÇÕES DE MULHERES DOUSSEAU
Minha mãe costuma fazer umas coisas tão interessantes e carinhosas! Vejam só sua última obra: quatro gerações de mulheres DOUSSEAU. Da esquerda para a direta: minha avó MERITA DOUSSEAU DUQUE. Eu. Minha (e de todos vocês!) bisavó SUZANNA MANDRAL DOUSSEAU e ela, minha mãe, LIDIA DOUSSEAU DUQUE MAYRINK. Todas com alguma coisa entre 40 e 50 anos nas fotos. É só mais "um suspiro no tempo" e poderei então acrescentar mais uma ou duas fotos: minhas filhas MANOELA e CLARA. Numa linhagem de mulheres, o nome DOUSSEAU, propriamente dito, vai ficando perdido pelo caminho, mais cedo ou mais tarde. Mas o sangue fica ali...eternamente... Berrando seus determinantes. Nossa bisavó morreu antes mesmo do nascimento de minha mãe. Mas, em relação a minha avó e a minha mãe, posso afirmar com todas as letras: SÃO MULHERES DE CORAGEM! LINDAS EM SUA FORÇA E INTEGRIDADE. Peço a Deus que, um dia, minhas filhas possam dizer o mesmo de mim. E assim honraremos todas o caminho já percorrido. Enquanto vamos trilhando outros e outros e outros. FONTE: LIDIA DOUSSEAU DUQUE MAYRINK.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
IRINEU GUIMARÃES
Por que ele? Porque, como bem disse L.BRAGA no título de um livro de sua autoria, há "nomes e sobrenomes que viram adjetivo". E nele IRINEU GUIMARÃES mereceu um verbete. Tendo tido meu caminho atravessado por ele de relance, já nos seus últimos anos de vida, pude comprovar, por fatos intimamente relacionados à minha família, que ele mereceu a justa homenagem feita através do livro, com prefácio de AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA, do qual extraio agora, para vocês, dois poemas. De autoria do próprio PROFESSOR IRINEU. Para que vocês mesmos possam aquilatar o tamanho do homem que a pequena GUARARÁ viu nascer, apesar de ter seu nome conhecido e reconhecido para além da pequena cidade. Para além de MINAS GERAIS. Para além mesmo do BRASIL.
COVARDIA
"Pergunto-me, às vezes, á mim mesmo,
Como tenho coragem de viver feliz
neste mundo atormentado e aflito.
Nesta noite fria, por exemplo,
crianças abandonadas
perambulam pela minha rua,
famintas e desnudas...
mas meus filhos dormem agasalhados
da cabeça aos pés.
Minha mulher, quando os põe na cama,
envolve-os em lãs, como esquimós,
e aquece-lhes ainda o coração
com os seus beijos ternos
de mãe carinhosa e boa.
Eu sinto na boca, ainda, o gosto do meu jantar.
Nada faltou, na minha mesa,
que pudessem desejar os olhos
gulosos de um bom burguês.
E por aí, quanta gente vai dormir com fome...
Cristo pregou uma doutrina
político-religiosa
que resolveria, sem dúvida o
problema
dessa desigualdade social
em que vivemos.
Mas, ai de mim! Se a pregar
na praça pública,
contrariando a opinião
dos seus ministros...
Eu vou, assim,
daqui a pouco,
para a minha cama,
como toda noite
e como tanta gente,
no gozo da felicidade que me coube
nessa partilha desigual de bens
-calmo, burguês, covarde..."
"Dá-me assim, Senhor,
um novo coração,
como deste ao cantor do Salmo Cinquenta e Um.
Novo e forte,
alegre e palpitante,
perdoador e bom.
Que seja como um vaso de cristal
que cante, sonoro e alegre,
dentro do meu peito, cheio de esperança.
Um coração que se enterneça com a dor dos infelizes
e se revolte ante a injustiça dos maus.
Um coração que me palpite forte no peito,
como os rufos de um tambor guerreiro,
na cadência com que os homens bons da terra
marcharão para a justiça e a liberdade".
FONTE: Livro "IRINEU GUIMARÃES - A PRÁTICA SOCIALISTA DE UM EDUCADOR CRISTÃO", de ARSÊNIO FIRMINO DE NOVAES NETTO.
COVARDIA
"Pergunto-me, às vezes, á mim mesmo,
Como tenho coragem de viver feliz
neste mundo atormentado e aflito.
Nesta noite fria, por exemplo,
crianças abandonadas
perambulam pela minha rua,
famintas e desnudas...
mas meus filhos dormem agasalhados
da cabeça aos pés.
Minha mulher, quando os põe na cama,
envolve-os em lãs, como esquimós,
e aquece-lhes ainda o coração
com os seus beijos ternos
de mãe carinhosa e boa.
Eu sinto na boca, ainda, o gosto do meu jantar.
Nada faltou, na minha mesa,
que pudessem desejar os olhos
gulosos de um bom burguês.
E por aí, quanta gente vai dormir com fome...
Cristo pregou uma doutrina
político-religiosa
que resolveria, sem dúvida o
problema
dessa desigualdade social
em que vivemos.
Mas, ai de mim! Se a pregar
na praça pública,
contrariando a opinião
dos seus ministros...
Eu vou, assim,
daqui a pouco,
para a minha cama,
como toda noite
e como tanta gente,
no gozo da felicidade que me coube
nessa partilha desigual de bens
-calmo, burguês, covarde..."
"Dá-me assim, Senhor,
um novo coração,
como deste ao cantor do Salmo Cinquenta e Um.
Novo e forte,
alegre e palpitante,
perdoador e bom.
Que seja como um vaso de cristal
que cante, sonoro e alegre,
dentro do meu peito, cheio de esperança.
Um coração que se enterneça com a dor dos infelizes
e se revolte ante a injustiça dos maus.
Um coração que me palpite forte no peito,
como os rufos de um tambor guerreiro,
na cadência com que os homens bons da terra
marcharão para a justiça e a liberdade".
FONTE: Livro "IRINEU GUIMARÃES - A PRÁTICA SOCIALISTA DE UM EDUCADOR CRISTÃO", de ARSÊNIO FIRMINO DE NOVAES NETTO.
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