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sexta-feira, 13 de maio de 2016

100.000 VISITAS!!!

    
                                                  




      Esse é ou não é um marco mais do que especial? Sendo assim, para comemorarmos juntos, sortearei, no dia 20/05, um exemplar do meu livro "Dousseau: Enter - Franceses no Império do Café". Sem nenhum custo para você, nem mesmo o de envio. 

                                                    


      Para concorrer basta que você envie seu nome e endereço  completo (não esquecer o CEP!) para meu e-mail : mmmayrink@hotmail. com.
      O resultado será divulgado aqui mesmo, nessa página.
      Boa sorte e mais uma vez muito obrigada por sua preciosa companhia que tanto me prestigia.
      

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

CARTA DE NÉLIE AUDEBERT PARA SEUS FILHOS E NETOS

        Essa é uma postagem MUITO especial para mim. O material que lhe dá origem foi-me repassado por ISABEL (AUDEBERT) PINTO para ser publicado nesse blog. Isso já faz alguns meses e eu, mesmo depois de feito o trabalho de tradução, que para mim ainda é um pouco difícil, guardei essa carta com todo o máximo respeito que lhe é devido. Esperando o momento em que meu coração dissesse: publique. Porque tantos cuidados? Porque, mesmo depois de todos esses anos de pesquisa; mesmo depois de tantos maravilhosos documentos e fotos raras encontradas; mesmo depois dos relatos verbais mais emocionantes... ainda existem coisas capazes de me tocar profunda e completamente. Mesmo não sendo uma carta de minha familia (imaginem se o fosse!!). Porque, com essa carta, tive o primeiro contacto com uma troca familiar de ideias, notícias, memórias, sentimentos dos contemporâneos de meus bisavós. Companheiros de ORENOQUE. Nós, pesquisadores, sonhamos à obssessão com um dia quem sabe encontrarmos diários perdidos, cartas perdidas, etc...etc... E desanimamos muitas vezes quando nos deparamos com o fato crucial de que os imigrantes eram, em sua maioria, analfabetos. Mas aí vêm o inusitado e recebemos uma carta que foi ditada a terceiros. Mas escrita "ipsis litteris". Por isso, podemos sentir a ambientação de cada palavra, como se assistíssemos a um filme. APAIXONANTE!
            Não vou me prolongar em comentários. Porque a carta em si é tudo que pode haver de mais lindo e significativo, para o universo de nossas memórias de descendentes perigordinos. 
            Viajem comigo!!!


                                                                            





Les Charreaux, 29 de Agosto de 1916.

                           Meus queridos filhos

             Eu escrevo a fim de dar nossas notícias que são muito boas no momento e nós desejamos de todo coração que com vocês seja da mesma forma.
            Nossa viagem transcorreu muito bem. NINI foi muito sábia e não teve medo ou cansaço. Ela aproveita a olhos vistos. Ela come bem e se distrai muito. Ela é carinhosa com todo mundo, como se os conhecesse desde sempre. Ela fala o francês quase correntemente e compreende tudo. É uma encantadora francesinha. Ela também não esqueceu suas irmãzinhas, seus irmãozinhos e seu querido papai. Nem sua querida mamãe. Ela fala deles frequentemente e como vocês podem imaginar, meus filhos, à todo instante nós falamos com ela sobre vocês  todos e não será ingrata como você pensa, meu caro PIERRE. Mas como ela está feliz em pensar que não terá mais micose sob as unhas. Ela ficou muito contente quando recebeu essas bonitas cartinhas. E nós, meus queridos netos, como nós agradecemos a atenção de vocês. Minha querida MARIA LOUISE (ou MARIA, LOUISE) e você, minha querida NÉLIE, vocês que já são grandes ajudem muito sua mãe, à fim de que ela não se canse demais e que ela se cure rápido da perna, porque me espanta que ela ainda não estivesse curada 

                                                                                      





quando você nos escreveu. Veja minha RACHEL, tudo isso é da fraqueza. Seria necessário desmamar seu filho. Você tem suficiente leite para lhe dar e eu te asseguro que a criança não teria do que se queixar e você, minha pequena, se restabeleceria bem depressa. E naturalmente seria necessário não fazer um outro imediatamente. Seria necessário esperar pelo menos que a guerra tenha acabado.
            Tudo isso é brincadeira. Exceto, meus filhos, o fato que o que queremos é que vocês estejam bem. Com isso nós ficaremos todos felizes. Porque vocês sabem que o sacrifício que nós fizemos deixando vocês é para o bem de vocês. Nós trabalhamos continuamente para vocês, da mesma forma como se estivéssemos juntos de vocês. O que mais eu poderia dizer? Que o senhor e a senhora RAVAILHE estão muito felizes de nos ter junto deles e eles nos demonstram bastante afeição. Eu já estava esquecendo de repreender nosso pequeno HENRI por não ter escrito para nós. Será por acaso que ele se teria tornado preguiçoso ou será que ele nos esqueceu? Isso eu acho que não e espero que logo ele nos escreverá uma cartinha e nós também vamos enviar-lhe belos cartões que interessam tanto a vocês.
            Olhem meus filhos. Eu já conversei tanto com vocês sem ter dito que nós estávamos sozinhos em nossa casa e é na casa da tia que nós fazemos tudo. (Esse trecho está muito confuso. Mas é assim que está escrito. O finalzinho de cada palavra à direita está apagado e às vezes, como nesse caso, tive quase que adivinhar. E nesse caso acima achei a frase bem esquisita...). Nós temos um belo jardim atrás da casa, mas ele ainda não está muito bem trabalhado. Essa não é ainda bem a estação e além do mais fez um forte calor durante todo o verão. Malgrado isso não nos falta nada. Nada que é uma coisa: ter vocês junto de nós. E eu espero que isso acontecerá e toda uma família reunida é o que faz as pessoas felizes.
            Meus queridos filhos, vocês receberam a carta 


                                                                                          


a respeito do pedido que nós fizemos para vocês poderem voltar à França. O senhor CHAVOIX deve vir à Hautefort. E nós o esperamos todos os dias. O que é certo, meu querido PIERRE, é que é necessário que você faça 3 anos e 6 meses de exercícios (serviço militar, segundo ISABEL AUDEBERT) e em seguida nos “depósitos” (espécie de  "preço a pagar", em dinheiro, para ser liberado do serviço militar) de um lado ou do outro. Mas você não irá jamais ao front com o número de filhos que tem. Mas você é livre. Cabe a você refletir antes de dizer sim. Mas nós te escreveremos em alguns dias, o que nos tiver dito o senhor CHAVOIX e os conselhos que ele nos dará. É um homem que é capaz de nos dar uma ajuda. Agora você está livre. A decisão é sua. Se você aproveitar, é provável que a guerra não dure muito tempo. Eu acabo de ver no jornal que a Romênia acaba de declarar guerra à Áustria e isso abreviará de alguma forma o tempo da guerra. Mas você tem tempo. Faça sua reflexão porque depois eu não quero ser censurada.

            Meu querido PIERRE, eu recebi uma carta de ... ( nome feminino começando com AGE ?) a alguns dias. Ela me convidou para almoçar em Hautefort       e nós falamos longamente de você e, sobretudo de sua mãe com a qual ela não está contente.
            Muitos cumprimentos de sua tia e de seu tio e de nossa parte nós abraçamos vocês muito afetuosamente em nossos netos,
                                                           Seu pai e mãe Nélie.

Minha RACHEL tem pelo filho de MARGUERITE sobre o qual nós conversamos tão frequentemente. Ele é de um (...) e o marido a informou muito bem. De resto, era uma pena evitar para (...). Mas a criança é muito (...).


                                                                             





            Minhas queridas meninas. Sua mamãe me disse que vocês têm lindos frangos e também lindos porquinhos. São vocês que cuidarão deles para evitar tanto trabalho à mãezinha de vocês. Cuidem também de sua irmãzinha e ensinem-lhe depressa a andar. NINI te manda beijos. Recebam meus netos, de sua avó e de seu avô e da pequena NINI os mais ternos beijos e as melhores recordações.

                                                                       NÉLIE AUDEBERT

            Minha querida RACHEL e também querida amiga. Sou eu, ALINE, da família POUQUET que te escreve. Queira me desculpar se eu cometo alguma falta na carta. “Se era sua mãe... ... ...ela deve de antemão” (outro trecho completamente obscuro para mim). Ela muito me honra me encarregando de te escrever. Eu te desejo querida amiga, assim como a todos os seus, uma boa saúde. Mas você deveria desmamar seu filho já que você tem leite suficiente para lhe dar. Você verá que logo você estará restabelecida.
            Veja você. Eu fui obrigada a fazer assim para o meu mais velho. Eu estava sempre doente. Uma vez meu filho desmamado, eu não senti mais nada. Espero que você faça o mesmo. Nós desejamos a todos vocês saúde e não sofram por seus pais. Eles estão muito bem. Não faltam amigos, e esses amigos não se esquecem de desejar bom dia para você.
                                                           Uma amiga,
                                                                                  ALINE




NOTAS BASEADAS EM INFORMAÇÕES DE ISABEL (AUDEBERT) PINTO:

1- NINI é LEONÍDIA (LÉONIE), nascida em 1911, filha de PIERRE DELAGE e RACHEL AUDEBERT. Morou algum tempo na FRANÇA com os avós HENRI AUDEBERT e JEANNE HONORINE DUCAMUS.
2-MARIA LUÍSA é a filha mais velha, nascida em 1904.
3-NELIE (NÈLIA) é outra filha do casal PIERRE e RACHEL, nascida em 1906.
4- A criança a ser desmamada deve tratar-se de LUIZ, que nasceu em 1916 e era o sétimo filho de um total de 11.
5- HENRI é HENRIQUE, nascido em 1907.


Para fechar com chave de ouro sua visita às memórias da família AUDEBERT DELAGE, vá ao nosso álbum de fotos antigas e veja as fotos de número: 58 - 102 - 114- 120 - 121- 122.


OBRIGADA, ISABEL, POR TODA SUA CONFIANÇA!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AO PÉRIGORD

                                             

                                             AO PÉRIGORD


                                                                     


Ó Périgord, ó doce campo,
Ó lindo recanto de nossa França
Eu te prefiro às belas montanhas
Caro berço de minha infância.




Eu te prefiro às imensas planícies
Onde nada detém o olhar.
Eu te prefiro às cidades vaidosas,
vales desertos, encostas, neblinas
E você também, meus velhos ares campestres.





O vivo dialeto de nossa Dordonha
Soa claro na vila calma.
Ele faz cantar a velha Gasconha
Tal como o vento na folhagem.




Bela terra que guarda a memória
Dos tempos longínquos e dos fatos gloriosos.
Eu viverei sobre teu solo pleno de história
Périgord tão generoso!
Ó meu querido e feliz Périgord!



     
          Esse poema foi uma das primeiras coisas que nossa prima NICOLE DOUSSEAU LeCANNE me enviou pelo correio, a 4 anos atrás, quando havíamos acabado de nos conhecer. Hoje me deu vontade de dividi-lo com vocês.  As imagens foram buscadas e escolhidas pelo GOOGLE IMAGENS.

                                       

sábado, 2 de março de 2013

PROIBIÇÃO DO TUPI : "INCORREÇÕES" DE NOSSA HISTÓRIA

    Bom dia! Li recentemente o famoso livro "GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL", de LEANDRO NARLOCH. O livro é incômodo em sua ironia. Considero o "mergulhar na história", através do estudo, um embate infinito entre o que se conta e o que está realmente registrado em documentos. O que já é, por si, tarefa hercúlea. Mas, se considerarmos honestamente que nem só porque está documentado um dado fato é por si só  verdadeiro... aí podemos considerar a tarefa de recompor a história realmente impossível. Não é preciso um encontro muito "íntimo" com os registros de todo tipo para saber o quanto são falhos e contaminados por uma miríade de fatores. Talvez menos do que nos relatos verbais passados de geração em geração, é lógico. Mas por isso mesmo mais graves, porque escondidos sob o selo da lei e pelos ares de sagrado que adquire a palavra escrita quanto mais o tempo transcorre entre ela e o fato/pessoa que descreve.


                                                                       
     Isto posto, o que já instala o olhar crítico necessário a toda leitura, extraio aqui para vocês, do dito livro, duas questões bem interessantes, a meu ver.
     A primeira delas diz respeito a questão da supremacia da língua portuguesa sobre o tupi. Vejamos. A história "oficial" diz que  "São Paulo fala português a menos de três séculos. Antes, o idioma mais falado no Brasil era a língua geral, uma mistura de dialetos indígenas. Só com a proibição do Tupi pelo Marquês de Pombal, no século 18, é que o português virou a língua predominante".  Mas o autor nos informa de que algumas "evidências históricas" levam hoje em outra direção. Aquela na qual "Apesar da grande influência indígena nos casamentos e nas alianças políticas, o idioma que venceu aquela mistura cultural foi o português. Assim como falar latim era um sinal de distinção social entre os europeus conquistados pelos romanos, os índios e os mestiços se esforçavam para falar português".
      E é nesse ponto que eu queria chegar. A língua é ponto forte de identidade cultural. E a identificação, à longo prazo, entre povo dominado e povo dominador é inegável. Se é bom ou não? Moralmente condenável ou não? Debates filosóficos dos bons... Parece-me óbvio que o português se tornaria predominante a longo prazo, como se fato se tornou. E por vias "naturais". Tomando como "naturais" os inevitáveis da história humana, carregada de opostos. 
     Entretanto houve uma proibição formal de se falar o Tupi. E aí me lembro que também durante as enormes transformações politicas que a FRANÇA atravessou  na transição século 18 para o 19 o occitan, língua falada a séculos e séculos na parte da França em que nossos bisavós viviam, foi proibida de ser falada a não ser no recesso de cada lar. Das escolas, esteve terminantemente banida. Tudo para unificar a FRANÇA também sob a "bandeira" da língua francesa tal qual conhecemos. 
     É certo que persistem na FRANÇA inúmeros e forte movimentos de manutenção do direito de conservar, ao menos culturalmente, essa língua ancestral do país de nossos ancestrais. A língua que falaram os trovadores e os cavaleiros de CARLOS MAGNO no tempo das CRUZADAS. E é aí que encontro a diferença básica entre o "grau de maturidade" de um povo em relação a outro. Só agora, "povo menino" que somos, estamos compreendendo pouco a pouco que nada deve ser "exterminado" de nossa história, com risco de nos tornarmos um "aleijão cultural": nem antigas línguas  nem prédios históricos; nem vestígios pré-históricos; nem documentos, livros e bibliotecas que estejam sendo corroídos pelos cupins; nem livros de cartórios do interior guardados sob as asas gulosas de seus "notários hereditários"; nem a riquíssima tradição cultural indígena; nem a memória dos negros; nem a saga dos imigrantes todos... 
    O tempo, por si só, fará valer sua força, transmutando todos esses elementos. Não precisa de nossa ajuda através de decretos culturais proibitivos. Sejam de que gênero for. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

MAPA DO PÉRIGORD EM OCCITANE

Uma curiosidade bem interessante para hoje. Veja como alguns nomes ficam tão diferentes do francês! Acho o máximo! FONTE: WEB

                                                                                

segunda-feira, 12 de março de 2012

Alfabeto em Occitane


Aqui, para os mais curiosos, o alfabeto em occitane. Mas não pensem que é  fácil! A pronúncia é completamente diferente da escrita...FONTE: WEB



L'alphabet


L'alphabet comprend 23 lettres.
abecedeeèfa
geachagièlaèmaèna
opecuèrraèssate
uveX icsaizèda



sexta-feira, 2 de março de 2012

Enfim, ele "nasceu"! E quero muito compartilhá-lo com todos vocês.

           Chama-se "DOUSSEU: ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ".




                                                                              







           Vá escutando essa música, cantada na "languedoc", ou "occitane", que era falada por nossos bisavós. E, enquanto escuta, vamos falar só um pouquinho de nosso livro, publicado  recentemente pela Editora Usina de Letras:

          "Uma saga que engloba não apenas uma família específica de imigrantes, os DOUSSEAU, mas também um momento particularíssimo da história franco-brasileira, ainda que restrita à grandeza infinita da vida de um grande número de famílias vindas da mesma região (Périgord ou Dordogne) e estabelecidos na Zona da Mata Mineira, com passagem intrigante pelo Vale do Paraíba.
            Essa história tocará particularmente a região que inclui as cidades de Bicas, Maripá de Minas, Rochedo de Minas, Guarará, Argirita. Mas também localidades como Taruaçú, Carlos Alves e o povoado dos Machados.
            E a tocará pelo coração. Coração que acompanha o ritmo do homem buscando terra, pouso e sustento. Coração que pulsa mais forte sob os apitos da maria-fumaça e o extenso verde dos cafezais que um dia fizeram da região um "Recanto dos Barões". Trazendo, quem sabe, de volta à vida, pelo resgate histórico, as "cidades mortas" de Monteiro Lobato".

           SEJAM TODOS BEM VINDOS!