Mostrando postagens com marcador Taruaçu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Taruaçu. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de junho de 2024

OBRAS DE INTERESSE RECÉM SAÍDAS DO FORNO!!! 15-06-2024

         Amigos leitores!

        Sei que venho me tornando "persona rara" por aqui mas, às  vezes, me surgem coisas tão bonitas e bem feitas que não posso me furtar à "comparecer nesse nosso território virtual. 

        Estive em Bicas recentemente, como sempre aliás, e voltei com esses presentes na bagagem. Um deles está disponível para todos vocês. Vejam só:

https://www.youtube.com/watch?v=CaMV60DdYVQ&t=1s

        

       É um vídeo bastante extenso e minucioso, daqueles que são prato cheio para os apaixonados por história. Particularmente os que forem mineiros da Zona da Mata. E, acreditem: é apenas o primeiro de uma série de outros já programados e esperados. De minha parte, aguardo ansiosa. Todos os créditos do vídeo em questão estão devidamente divulgados no próprio, mas como me furtar de aplaudir de pé o historiador Rodrigo que, incansavelmente, vem tornando acessível e salva do esquecimento a história de seu pequeno pedaço de chão? Estivemos juntos recentemente e é impossível não vibrarmos conjuntamente pelo já feito, visualizarmos o muito por ainda a se fazer e lamentar pelo que não alcançamos salvar e já está  perdido  para sempre. Para temperar, a presença de meu irmão Amarildo, profundo conhecedor da história da ferrovia, berço perdido e alma de toda a região. 

      Assistam ao vídeo... e nenhuma palavra mais será necessária por aqui. E por enquanto...

     Para coroar a "fartura da colheita", RODRIGO  também nos presenteou  com essa delícia:


                                                                       


        

          Nessa obra, didaticamente apresentados no tempo, os principais eventos histórico-sociais de GUARARÁ. Certamente excelente subsídio para as escolas da cidade e de toda a região.

Até recentemente ainda havia exemplares disponíveis com ele, pessoalmente... e  gratuitamente.  Parabéns a todos os envolvidos nas duas produções aqui citadas. 

                                                        E que prossigamos!!!!


                  


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

PRECIOSIDADE NO CAMPO DA PESQUISA GENEALÓGICA!

               


                                                                        




         Queridos leitores, 

         Há muitos meses chegou-me às mãos aquele que considero um dos trabalhos de genealogia mais completos que eu pude encontrar, depois de tantos anos de pesquisa. Acompanhei a "gestação" do mesmo praticamente desde o momento da "fecundação" e posso garantir: foram muitos pares de mãos-irmãs incansáveis que deram à luz esse rebento.

         Com três delas tive contato e, podemos dizer sem medo de errar, criamos inclusive laços de amizade, mesmo considerando as impossibilidades ocasionadas pela distância geográfica entre nós. Embora outros irmãos mereçam ser citados nesses créditos, venho aqui mais especificamente por aquelas com as quais  tive e ainda tenho o prazer de uma amizade tão "antiga" e tão peculiar: Lalá, Fafau e Gracinha. Para vocês, só posso dizer: PARABÉNS, PARABÉNS, PARABÉNS!!!! Que preciosidade vocês pariram! Quanta paciência e dedicação! Quanto de si precisaram doar, em todos os sentidos! Mas estou certa agora, mais ainda do que sempre estive: VALEU A PENA! Todas as gerações vindouras de MOUTY, BONIMOND, PAVEL  e tantos e tantos e tantos  agradecerão o imenso trabalho que realizaram.  Sinto-me muito orgulhosa e agradecida de ter podido partilhar com vocês uma parte dessa jornada. 

        Vocês, leitores e companheiros genealógicos, poderão acessar a obra completa no link que deixarei no final dessa publicação. Por enquanto, falemos um pouco mais  dessa belezura de trabalho. 

        Chamarei as autoras de "as meninas", unicamente para minha comodidade. Até porque sei que vocês procurarão ler o livro (e dentro dele muitos livros) e conhecerão muitíssimo bem cada uma delas. 

        Sabemos todos, os "genealogistas" amadores ou não, o quanto é difícil esse tipo de "reconstrução histórica", devido à "cama de gato" que temos em relação aos nomes, desde os prenomes até os nomes de família: aportuguesados, trocados, repetidos por gerações ( às vezes com mais de um irmão com os mesmo prenome, creiam!), adulterados e escritos erradamente, mesmo em registros oficiais, tanto no Brasil quanto nos países de origem dos imigrantes. Isso tudo apenas como exemplo. Mas "as meninas" deram conta de esclarecer muito mais do que parecia possível, com um trabalho de verdadeiras detetives. 

       Por alguns momentos, essa busca nos fez caminhar juntas, literalmente, como numa breve viagem à Piraí e à maravilhosa e inesquecível Fazenda Bela Aliança e sua proprietária MARIA LUIZA LEÃO. Inesquecível e doce figura. E essa procura também trouxe as autoras à BICAS , minha cidade natal e arredores onde conviveram, por algumas passagens e tempo histórico, nossos bisavós.  Mas reconheçamos: o nosso foi apenas UM dos encontros inesquecíveis e mágicos trazidos por esse trabalho. Como para elas, é impossível para mim deixar de lembrar das muito queridas PASCALE, ISABEL, MAURICETTE e JEAN MARC, ALAN e tantos e tantos outros que foram "aplainando nossas veredas". Essa é mais uma ocasião de dizer: MUITO OBRIGADA! Tornamo-nos, todas, AMIGAS e , no que se refere à mim, só a distância física dificulta uma convivência maior. Enquanto isso, vão vivendo no meu coração.

        Na obra "das meninas", vocês podem encontrar uma riqueza de detalhes inigualável. Será um prato cheio, ou melhor, cheíssimo, para todos os pesquisadores futuros. Aqui, no corpo desse blog,  privilegiamos a imigração francesa. Nunca toquei nos meus antepassados prussianos, os Mayrink. Até porque é uma família já muito pesquisada e publicada. Não deve haver muito mais a se descobrir, embora eu prossiga lendo e guardando tudo à respeito dela. Mas "as meninas", numa só obra, atentaram, honraram e pesquisaram sobre todos os seus ramos familiares: franceses, portugueses, alemães. Tudo devidamente organizado de tal forma que você, leitor, não encontrará dificuldade alguma em encontrar o que quer ou ler apenas o que seja do seu interesse pessoal. 

       Além do mais, tudo está PERFEITAMENTE documentado e ilustrado. Descrição minuciosa dos "palcos" de cada grupo de imigrantes. Desde suas terras de origem até o "pouso final". Sim: fiquei e continuo de boca aberta. Comprovem, insisto.

       Para finalizar: sim, meninas. Conheci também a sensação de lembrança ao conhecer as "terras de França". Essas que vocês apresentaram tão minuciosamente ao longo de seus escritos. Só uma coisa não é possível documentar: os sentimentos inexprimíveis que  nos tomaram tantas e tantas vezes nesses anos de busca e encontros. E que fazem parte da  "obra Divina". 

       Despeço-me desse post com essas maravilhosas palavras  de GOETHE citadas por LALÁ:

"É FELIZ QUEM GOSTA DE LEMBRAR DE SEUS ANCESTRAIS; QUE FALA COM ALEGRIA DE SEUS FEITOS E DE SUA GRANDEZA E QUE, NO FINAL DA BONITA FILA VÊ COLOCADO, SILENCIOSAMENTE, O SEU PRÓPRIO NOME."


                                                               DESFRUTEM!

Em primeiro lugar, vocês devem visitar o blog abaixo, o mesmo da imagem que ilustra essa publicação.

          https://imigracaoegenealogia.blogspot.com  


Página aberta, vocês encontram facilmente  o link para download dos livros de sua preferência. Para nós, descendentes franceses, interessa mais especificamente os itens "OS FRANCESES NA FRANÇA" e "OS FRANCESES NO BRASIL". Querem ler todos os outros? Pois leiam, porque não terão motivos para se arrepender!


Atente para o fato de que existe mais de uma parte sobre os franceses.

Para melhor visualização, aconselho abrir em leitores de telas maiores. Fica um pouco mais difícil em celulares e leitores digitais, por exemplo. Mas nada é impossível e tudo vale a pena.


                                            



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

 

                                                                            




  Bom dia a todos!   

 

      Hoje, 23/02/2022, é um dia muito importante para mim e para todos que, de alguma forma, direta ou indiretamente, participaram da saga que é realizar uma pesquisa e conseguir publicá-la. Pesquisa amadora, sim. Não sou historiadora de formação. Mas que me exigiu anos e anos de trabalho, de viagens, de paciência, de gastos... E isso não só de minha parte, mas da parte também de tantos que estiveram comigo naquela caminhada, aos quais serei eternamente reconhecida. Hoje faz 10 anos que meu "filhote" caçula nasceu, depois de longa gestação. Para mim, é dia de festa!

      Tendo começado quase como que “por acaso” (se tal coisa existisse!), caí de amores pelos arquivos, bibliotecas, cartórios; pelo aprendizado de outra língua, o mergulho no mundo ainda novíssimo para mim da internet e das redes sociais, assim como a “cara de pau” de contatar e ser contatada por tantos quantos se interessavam pelo mesmo tema, num mundo totalmente inédito para mim. E pelos que não se interessam também. Como eu estava “possuída” por aquilo que tomei quase como que uma “missão”, acabei perdendo muito do meu excesso de escrúpulos e “partindo pra briga”: entrar onde não era chamada; perguntar a quem não conhecia; fuçar onde as portas não costumam ser propriamente franqueadas, etc .

     Jamais esquecerei o momento em que chegaram aqueles primeiros exemplares impressos, trazendo um jorro de alegria num momento particularmente turbulento de minha vida. Quanta felicidade! Depois, o inenarrável prazer de ofertá-los aos principais colaboradores, amigos e parentes, a maior parte deles partícipes da história que ele continha.

     Não “levei muita fé” que a pequena edição esgotaria tão rápido e, não muito tempo depois, vieram a segunda e a terceira, também em pequena tiragem. Isso porque, como ele trata de um tema bem específico, qual seja a imigração de meus bisavós e seus conterrâneos perigordinos para o Brasil, não achei que fosse despertar maiores interesses.

     Mas eis que, sim, outros se interessaram e a “grande família” desses imigrantes não era assim tão pequena quanto eu pensava, num primeiro momento. Além disso, distribuí muitos exemplares gratuitamente, tanto para todo um grupo de pessoas que estiveram e estão comigo até hoje nessa pesquisa que não acabará jamais, quanto para bibliotecas das cidades da região que acolheu esses imigrantes naquele final de século XIX.

     Ainda tenho exemplares e aí em cima da página desse blog você encontra todos os meios de me contatar, se quiser adquiri-lo.

     Para comemorar esses 10 anos, deixo as fotos de algumas das vezes em que “entreguei meu filhote” a alguém. Meu irmão Amarildo fez esse trabalho junto comigo.

      Muito obrigada a todos! Parabéns, “Dousseau: Enter – Franceses no Império do Café”!!


                                                                     



                                                                                   


                    

                                                                                              





                                                                              


                                         

                                                                                   



                                                                                   



                                                                                  



                                                                                   



                                                                               



                                                                                         













     E para finalizar, minhas “madrinhas”. Sem elas, nenhum caminho teria se aberto. O caminho que me permitiu desenrolar a meada à partir de um fio, resgatando a história familiar perdida  de nossos Dousseau e ajudando a desenrolar a de outras tantas famílias:  Pascale, amiga e pesquisadora da França. Isabel, amiga e pesquisadora do Brasil. Meu eterno agradecimento a ambas. Sempre.




                       

      Para os que desejarem, ainda possuo exemplares, dessa que será certamente a última tiragem. Muito obrigada por me acompanharem até aqui. Um abraço a todos!

                                                                                


sábado, 27 de junho de 2020

HOTEL FRANCÊS EM ROCHEDO DE MINAS???

     Hoje posto uma foto não antiga, mas de um imóvel antigo, na esperança de que, um dia, algum leitor amigo, conhecedor da história de ROCHEDO DE MINAS, possa nos ajudar. 
      Amigas queridas, pesquisadoras e também descendentes dos franceses do PÉRIGORD, encontraram um registro de óbito de um antepassado no cartório daquela cidade que dava, como local do falecimento do mesmo, o "HOTEL FRANCÊS". Ora, nem hoje nem durante toda minha vida ouvir falar que ROCHEDO tivesse tido, algum dia, um hotel. Não seria de se estranhar que tivesse, pois tinha estação ferroviária e uma coisa geralmente acompanhava a outra.  O espanto nos vem do fato de que mesmo BICAS, a "metrópole" daquela micro-região, sempre os manteve com dificuldade e no máximo um de cada vez. Hoje mesmo, pleno século XXI, não passam de dois os que temos na cidade. Que também não tem mais suas oficinas nem sua querida ferrovia, como teve também ROCHEDO. 
     Muito nos intrigou a todos a menção à esse hotel em ROCHEDO. Não houve quem me esclarecesse à respeito. Talvez, quem sabe, algum arquivo ou cartório de SÃO JOÃO NEPOMUCENO, sede da Comarca durante muito tempo. Mas sabemos o "trabalho de Hércules" que nos exige pesquisar nos cartórios de todo tipo. Mesmo nesses nossos tempos de informatização, digitalizações e democratização de informações, o objetivo final dos cartórios não está relacionado à cultura e pesquisas em geral, bem o sabemos. Quem sabe um dia... quando tais documentos só tiverem interesse histórico... 
     Meu irmão AMARILDO fez a gentileza de fazer uma breve visita de pesquisa à ROCHEDO e, embora ninguém soubesse informar sobre a existência de um hotel naquela cidade, em qualquer tempo, ele teve a atenção despertada para esse imóvel da foto. Tanto por sua localização em frente  à estação quanto pelo aspecto arquitetônico, similar ao também agora extinto BICAS HOTEL e outros que existiram em BICAS, não ao mesmo tempo. Hoje é residência particular.
     Publico aqui a dita foto na esperança de que alguém, um dia, venha em nosso socorro com informações que possam nos ajudar a esclarecer um pouco mais da história da família MOUTY e seu antepassado que, um dia, faleceu nesse Hotel do qual poderia também ter sido o proprietário. 








quarta-feira, 10 de junho de 2020

A COMENDA DO COMENDADOR

Bom dia a todos!

     Pensei em adicionar essas fotos na página de Fotos Antigas mas... as fotos são novas. Os objetos fotografados é que seriam antigos. Sendo assim...
     No interior de Minas e em quase todo canto desse nosso brasilzão, existe o hábito de "titular" pessoas não oficialmente. Os "coronéis" não são coronéis. Os "comandantes" não são comandantes.  Os "doutores" não são doutores... e por aí vai. Sendo assim, embora títulos e comendas fossem farta e estrategicamente distribuídos em nosso Brasil imperial, sempre me ficou faltando VER os documentos que os comprovem, no caso do "personagem principal" de nossa saga de imigrantes, ou seja, FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT.
     Se, por um lado, todo o percurso de ALIBERT, que vai muito mais longe do que abordado tantas vezes aqui, justificaria, a meu ver, tal comenda e talvez até mais que isso, por outro lado intrigava-me o fato de tais fatos de importância numa comunidade tão pequena quanto BICAS e arredores terem sido solenemente ignorados e apagados com o correr dos anos. O fato de ALIBERT ter terminado seus dias sem nenhum brilho social não justifica que o que ele representou tenha sido apagado da história social do lugar. Pessoas muito menos importantes naquela região nomeiam praças, ruas e prédios públicos. Sim, era francês; mas optou pelo Brasil e trouxe  inúmeras famílias que estão ali, ainda hoje, povoando a região. 
     Preciso deixar claro que, quando teço essas considerações, não me refiro à valores morais ou motivações íntimas de qualquer tipo. Essas foram controversas ainda naquele tempo. Falo do valor REAL para a sociedade da época. Pelo quanto modificou o destino de tantos e pelo que foi capaz de ter e realizar, materialmente falando. Se é justamente isso que determinava e ainda determina a concessão de títulos e privilégios...
     ALIBERT teve presença marcante também no VALE DO PARAÍBA e muito, principalmente no RIO DE JANEIRO, a CORTE. Era muitíssimo bem relacionado e isso, sabemos, produz frutos ainda maiores que as próprias obras. Mas... não foi assim com ele. 
     Para mim, por mais que estude, leia, confronte pontos de vista, FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT é uma incógnita. E, sendo assim, considero bem introduzida as imagens abaixo.  Elas me foram encaminhadas por LEONARDO (ALIBERT) MEIRELLES, seu bisneto e estavam sob o poder de uma prima, em JUIZ DE FORA. 
     Assim como para qualquer pesquisador que se propõe à fazer um trabalho sério e confiável, o documento principal, para nós, seria o documento comprobatório, em si. Com o nome do titulado bem visível e a inevitável assinatura de D.PEDRO II. Mas não o temos. Isso não representa dúvida sobre a realidade dos fatos. Todos os documentos oficiais da região  se referem à ALIBERT como "Comendador". Mas ter o documento seria muito interessante para nós, sem dúvida.

     Segundo a página https://super.abril.com.br/historia/ : 
    "Quando surgiu, na Idade Média, a recompensa tinha um significado bem diferente. Naquele tempo, a comenda era um benefício dado a membros do clero ou a militares que demonstravam valentia em batalhas. Geralmente, a comenda era algo valioso, como o  título de propriedade de uma terra. Com o passar dos séculos, seu valor tornou-se simbólico, representado por diplomas ou medalhas", afirma Waldemar Baroni, heraldista (especialista em títulos e emblemas da nobreza) do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito de São Paulo (CEHM).
     Se antes o Comendados tinha a obrigação de defender a terra recebida contra inimigos hoje ele não tem função definida. No máximo, a distinção confere algum prestígio em certos círculos sociais. Mesmo assim, o título sobrevive no cerimonial de governos e instituições privadas, que seguem uma hierarquia de acordo com a importância do homenageado. 'O menor grau é cavaleiro, seguido de oficial, comendador, grande oficial, grã-cruz e, quando existe, grão colar", afirma outro heraldista, Adilson Cezar, também do CEHM."

    Pelo que pude apreender da pesquisa que realizei recentemente, a Comenda poderia vir como diploma OU medalha. Isso pode ser bastante esclarecedor quanto ao fato de não termos um documento. 
    Enfim, aqui está "A COMENDA DO COMENDADOR ALIBERT". Para apreciação de quantos tinham a mesma curiosidade que eu e para deixar registrada e comprovada sua existência.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

UMA SEMENTE DE MUSEU





Boa tarde a todos!

        Nosso amigo FABRÍCIO FERREIRA MARTINS, morador de MARIPÁ DE MINAS, é um membro dessa "irmandade" meio louca por genealogia. A família FERREIRA MARTINS, importantíssima na história daquela cidade e da qual ele é membro, talvez tenha feito despertar nele essa "doença". 
       Apesar de em minha própria família por afinidade termos alguma ligação com eles, o que nos aproximou de verdade, não foi nem o nome FERREIRA MARTINS, nem o nome DOUSSEAU. O que cultivamos em comum é o fascínio pela FAZENDA MONTE CRISTO. As terras de seus antepassados, em parte até hoje pertencente à família, faziam parte daquele latifúndio original que, apesar de chamarmos também MONTE CRISTO, parece ter sido, na verdade, muito maior que a MONTE CRISTO de FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT. Proprietários circunvizinhos compartilham, por isso, desse interesse pela história da mesma. 
       Só que FABRÍCIO foi além. Tentando adequar sua paixão às reais possibilidades, resolveu montar um pequeno museu, que ele humildemente chama de  "um quartinho com um monte de bagunça", na pequena comunidade rural nascida lá por aquelas paragens. Nesse pequeno memorial, documentos e utensílios que ele coletou aqui e ali, segundo ele baseado em minha própria pesquisa sobre o tema, e consequente publicação do livro 'DOUSSEAU: ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ. 
       Eu ainda não tive oportunidade de visitar pessoalmente o local. Nossas "roças" são bastante difíceis para quem não é "local", tanto quanto ao acesso como quanto à sinalização. Precisamos literalmente "ser levados", senão... nada feito. Mas pretendo, sim, um dia, resolver essa questão. Pisar de novo aquele chão para mim quase mágico. "Primeira parada" de meus bisavós recém chegados da FRANÇA junto com muitas outras famílias.
        Por enquanto, deixo aqui para vocês as fotos que FABRÍCIO me enviou de sua pequena e tão amável iniciativa. 
        PARABÉNS, em nome de todos nós: amantes da genealogia; fascinados pela MONTE CRISTO, descendentes franceses, italianos e quaisquer outras nacionalidades que por ali tenham passado ou ficado, criando raízes.
        Dar o passado à conhecer é missão sagrada. Prossiga em seus propósitos, FABRÍCIO!


                                        



      

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

    Bom dia! Continuando com as sempre excelentes contribuições de JOSÉ MARIA MACHADO RODRIGUES ao Jornal O MUNICÍPIO, trago mais esse trecho importante para nós (e continuação do anterior), publicado em 01/08/2017. E particularmente envaidecedor para mim. 



     "Com a palavra os que escrevem sobre Bicas 01/06/2017 O Município. Ensinam os compêndios de história que a ocupação da Zona da Mata se deu a partir da segunda década dos anos de 1800. Entre os anos de 1810 e 1820 teriam ocorrido, então, as primeiras concessões de sesmarias nestes sertões do leste mineiro, a chamada Zona Proibida. Assim, pode-se afirmar que nos dias atuais a Zona da Mata já ultrapassou a marca de dois séculos pós ocupação oficial de seu território. Tempo suficiente para que a preservação do patrimônio histórico e o resgate do seu passado assumam posição relevante. Parece fora de dúvida que o motor de partida que fez girar a máquina do desenvolvimento da Mata Mineira foi mesmo o que atende pelo nome de café. Um produto que manteve o primeiro posto da pauta de exportações do país durante muitos anos e, com as oportunidades por ele geradas, atraiu para as matas um bom número de capitalistas, levas de escravos, trabalhadores em geral e, mais tarde, os imigrantes europeus. E no rastro, atraiu também a estrada de ferro, terceiro dos elementos da tríade – café, escravo e ferrovia – apontada pelo Dr. Wander José Neder, um estudioso da história da região, como mãe da maioria das cidades da Zona da Mata. Como se vê, por si só um campo enorme para pesquisas. E dentro deste universo, uma cidade – BICAS – cuja origem e crescimento parece ajustar-se perfeitamente ao figurino da tríade acima citada. Estudar esta história, então, é uma necessidade. Contar com mais pessoas que realizem pesquisas e publiquem seus trabalhos é a esperança. Aumentar o número de peças que enriqueçam e complemente o desenrolar de toda a história do lugar, desde os tempos da mata virgem, seria a realização do sonho de colocar Bicas no lugar de destaque que a cidade merece. Hoje, apartando-se as que se referem às terras biquenses de forma genérica e no contexto da Zona da Mata ou mesmo do estado, sobra um número pequeno de obras – que muito bem se prestam ao fim que se propõem – que retraram aspectos do acontecido no entorno do rancho das bicas. São elas: – “Os Sertões de Leste”, um livro que segundo registro na apresentação da segunda edição foi lançado em 1988, de autoria de Celso Falabella de Figueiredo Castro. Uma excelente fonte de consulta para os que se interessam pelo assunto. Falabella, nascido em Mar de Espanha, realizou um bom trabalhado de pesquisa, focado na região. – O livro “Sertões do Rio Cágado” de 2002, os escritos sobre a imigração italiana e vários artigos publicados no Jornal O Município e a na Revista Communità, que fazem da obra deixada pelo professor Júlio Cezar Vanni um acervo de consulta obrigatória. – A talvez mais citada de todas as obras sobre Bicas. A que parece também ser a mais antiga dentre as dedicadas às terras das Taboas que é o “Recantos da Mata Mineira”, livro publicado em 1991 por Fued Farhat, que trata especificamente de Guarará, Bicas e Maripá de Minas. Uma obra bastante conhecida pelos que se interessam pela história destas cidades. – “Maripá de Minas e Região” de 2003 e “Cacos de História e Memória de Bicas”, de 2010, contribuições deste autor que tentam resgatar um pouco do passado destas terras. – “Um Olhar para o Passado” livro publicado em 2013 pelo Dr. Carlos Augusto Machado Veiga, que merece destaque especial. Grande conhecedor e um pesquisador atento, Dr. Carlos Augusto reúne memórias, fotos e fatos para contar parte significativa da história de Bicas. – “Eles por Ele”, de Rosália Mayrink Correa e Padre Cássio Barbosa de Castro, publicado em 2004, que é uma contribuição importante para o resgate da história por trazer para o presente a parte religiosa da predominantemente cristã população biquense. – “Dousseau: Enter – Franceses no Império do Café”, de 2011, de Marly Mayrink, que oferece ao leitor um panorama dos tempos do café e dos imigrantes franceses que viveram na região de Bicas, Guarará e Maripá. – E, para finalizar, ainda na linha do valer-se da genealogia para contar a história do lugar, é importante citar os trabalhos “Família Barino”, publicado em 2010, e “Nicola Tempone”, de 2016, de Walter Ferreira da Cunha. Evidente que todas essas obras, e outras porventura ainda desconhecidas, são importantes e merecem aplausos. Mas ainda são insuficientes para contar toda a história das famílias e das fazendas da região das Taboas que, nos duzentos anos que se passaram, transformaram o que era mata virgem em infindáveis cafezais e, estes, em prósperas propriedades agroprecuarias e na Bicas dos dias atuais. E estão à espera de novas companhias. Com a palavra, então, os que gostam do assunto e podem registrar o que sabem sobre as suas famílias e as coisas da terra."

domingo, 22 de outubro de 2017

     

Bom dia, amigos leitores!

       Como vocês bem sabem, sempre fui leitora inveterada do Jornal 'O MUNICÍPIO", de Bicas. Há algum tempo, ele deixou de ser publicado no formato original, em papel. E chegou ao mundo virtual. Desde essa ocasião, confesso que não o havia visitado. Mas como sempre é tempo de corrigir nossas falhas, eis que, durante a semana que passou, cliquei sobre um link publicado por JOSÉ ARNALDO, um dos colunistas, no grupo do Facebook chamado 'MINEIROS DE BICAS". Conclusão: nunca mais o largarei. Subitamente me dei conta do quanto andava com saudade de tudo, principalmente das publicações de JOSÉ LUÍS MACHADO RODRIGUES, o LUJA, que tanto enriquece aqueles que se interessam por aprofundar-se na história genealógica de nossa região. Dentre tantas pérolas, encontrei essa. LUJA tem um veio de poeta ou de "um não sei que" que encanta na maneira como descreve fatos já até conhecidos, mas não tão "pressentidos" como nos é possível através de sua fala. Nesse texto estamos, é claro num tempo anterior a "grande vinda" de imigrantes estrangeiros não lusos, como por exemplos nossos DOUSSEAU. Estamos nos primórdios do povoamento de nosso pequeno naco de ZONA DA MATA, sendo desbravado pelos desencantados do ouro. Leiam. Saboreiem. E vejam se não tenho razão. 



 Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo… Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer" Fernando Pessoa
       Do desembarque no porto do Rio de Janeiro até suas terras no leste mineiro eram léguas de caminhada em lombo de burro ou, à pé. E a Aldeia de destino não ficava no meio do oceano, como convinha a naturais de um arquipélago. Não tinha mar de biquínis “vestindo?” mulheres bonitas. Não tinha sungas em corpos sarados, nem barracas de praia e barracos na grimpa dos morros para atrair turistas. Ela era apenas um “meio do mato”. Era parte da Zona da Mata. Mas esta Aldeia atraiu descendentes de imigrantes provenientes das Ilhas dos Açores. É bem verdade que perto dela, à moda dos poetas até “inventaram” um Mar de Espanha que, de verdade, também faz parte desta história por ter sido sede da vila que administrava as coisas da Aldeia. Mas este “galho” do assunto tem que ficar para outro artigo, por uma questão de espaço. Da Aldeia da qual se fala é correto dizer que era cercada por montes. E às sequências dos mais altos os habitantes e os que por ali passavam resolveram denominá-las: Serra das Bicas e Serra do Rochedo. Destas serras, de algum ponto imaginário e com binóculo possante, talvez fosse possível avistar, para os lados de Belo Horizonte, um distante horizonte de relevo e vegetação variada a se fechar nos altos contrafortes da Serra da Mantiqueira. Nestes contrafortes se poderia imaginar ver, então, a primeira sede da Aldeia. A vila mãe que administrava a porção maior e mais antiga do domínio territorial desta região da Mata. A antiga Vila de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, que segundo Waldemar de Almeida Barbosa no seu Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, é a atual Barbacena, “a primeira povoação das Minas, vindo do Rio de Janeiro”. Nas encostas da serra chamada Bicas, nas proximidades do que se tornou a Aldeia à qual esta história quer chegar, nascia água limpinha, que se bebia em folha de inhame ou, na concha da mão. Não era água tratada pela COPASA, mas limpa o suficiente para tratar da sede e fadiga causada pela lida constante e pelas aventureiras viagens. E cultivaram-se grandes roças. Uma delas, inclusive, adotou o nome de Roça Grande. Ali, a poder da enxada e de rústicas técnicas tirava-se da terra o milho e outros alimentos como arroz, feijão, cana, abóbora, inhame e o mais possível para abastecer os tropeiros que vinham e voltavam às Minas Gerais. E por ali viveram alguns descendentes de açorianos como os FERREIRA DA FONSECA, dos quais nesta série de artigos O Município se ocupa. Uma gente muito bem definida por Oswaldo Rezende, em Genealogia dos Resendes, São Paulo (SP), 1974, Editora Revista dos Tribunais, página 31, quando afirma “não ser segredo para ninguém que os açorianos que se estabeleceram na província das Minas Gerais eram simples e humildes, e vieram com o propósito muito natural de novas condições de vida, embalados pela tradição de que aqui enriqueceriam facilmente.” Nada muito diferente dos Ferreira da Fonseca que desbravaram terras de Maripá de Minas, Guarará e Bicas. Homens fortes que cultivaram estas terras num tempo em que, nas noites escuras, o céu da Aldeia oferecia apenas estrelas e astros para orientar as viagens. Um tempo no qual não existia o ronco e as luzes dos aviões de carreira que encurtam saudades e as longas distâncias. Nem os satélites fabricados para refletirem imagens e sons em tempo real. E nem gente deitada na relva ou na esteira tecida com a folha de Taboa, a viajar em visões dos dias atuais: – este avião que se imagina seguir na direção do Norte ou Nordeste, deve estar levando as alegrias dos que seguem em viagem à Europa. Aquele outro, em sentido inverso, talvez traga as alegrias de quem volta para casa. Ou será o oposto o verdadeiro sentido das alegrias e dos viajantes ? Nestas noites, contar as estrelas no céu da Aldeia não era tarefa difícil. Mas também não era o programa dos aldeões, porque poucos se davam conta da importância do contar, fazer as quatro contas, ler e escrever. Muitos, porque se ocupavam com tarefas que dispensavam este aprender. Outros, porque se ocupavam com tantos afazeres que não lhes sobravam tempo para contá-las. Mas é certo que os que ali chegaram para morar, o fizeram depois que o ouro de aluvião, abundante na areia dos rios do centro da Província, começou a escassear. A busca do mineral nos veios do subsolo, com as ferramentas e a mão de obra disponíveis, tornou-se quase impossível. Então, parte dos que viviam da atividade tomou o rumo da Mata. Embrenhou pela mata proibida para buscar a nova riqueza, o café. E aqui, aprendeu a tomar leite in natura, saído de teta da vaca para a caneca com açúcar batido (mascavo, para agradar ao corretor de texto). A comer feijão tropeiro, couve, taioba, angu, broa de milho e rapadura, como se verá noutra ocasião porque, por hoje, o ponto final desta história precisa ser aqui."

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

NOVA TIRAGEM DE NOSSO LIVRO!!!





Bom dia a todos!


       Hoje venho para trazer essa boa nova: já está disponível a 3ª tiragem de nosso livro "DOUSSEAU:ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ". Esse novo lote conta com algumas fotografias a mais e também algumas atualizações que se fizeram necessárias, principalmente quanto a alguns falecimentos ocorridos após 2011/2012 (primeira e terceira tiragem). 
       Mas, mais importante que tudo isso, é um pequeno parágrafo introduzido no capítulo referente à FAMÍLIA MANDRAL, que nos dá conta de um ramo familiar completamente desconhecido e inesperado até então.  Em breve, publicarei aqui, com mais detalhes, tudo sobre essa descoberta tão importante para todos nós, descendentes DELPÉRIER MANDRAL DOUSSEAU. Não perca!






      O livro continua sendo vendido pelos mesmos meios 
anteriores, quais sejam: pessoalmente comigo, através do Facebook, por e-mail ou por meus telefones, todos informados no ítem 'CONTATOS", acima dessa página. Devido a mudança de gráfica, poderei manter o valor de 25,00 por cada exemplar.
       Espero por você!
Um abraço"

quarta-feira, 6 de julho de 2016

MONTE CRISTO

Bom dia!

     Tendo essa página na minha frente, hesitei muito antes de intitulá-la. Parecia muito pouco apenas o nome da "nossa" fazenda. Porque, para mim, ela é muito mais do que apenas "uma fazenda". Para mim, ela é... arquetípica! Principalmente quando dela só tínhamos a imagem daquela escada que não alcança lugar algum. A mesmo que ilustra a capa de nosso livro. 
     Arquetípica porque, penso eu, tudo que se relaciona à ela é cercado de mistérios que, ainda que o sendo, tocam sensibilidades, memórias do sangue, histórias familiares e coletivas (inclusive  para o povo que ainda vive nos arredores dela...) carregadas de energia. 
     Cada um de nós, descendentes franceses que tivemos a oportunidade de um dia pisar aquele pedaço de terra perdido num quase nada, compartilhamos essa sensação de grande, enorme atração. 
     Em épocas diferentes seus escombros foram fotografados por alguns de nós, ainda enquanto se desmantelava pouco a pouco. Sucessivos proprietários que, com certeza, não conhecem sua importância. A importância de preservar QUALQUER que fosse o pequeno vestígio que tivesse sobrado. Como nossa escada. A escada. Não uma escada qualquer.
     Anos e anos de intensa procura e, pouco a pouco, graças à boa vontade e disponibilidade de alguns, imagens desgastadas, quando não indistintas, mas sempre preciosas, nos foram chegando, com muitíssimo esforço de pesquisa.
     Mas isso que você vê hoje, nem eu mesma pensava um dia ainda encontrar. Chegou-me através da partilha gentil de LEONARDO (ALIBERT) MEIRELLES, ele próprio ainda desconhecedor do lugar real. Feito de escombros e pó. A MONTE CRISTO que ele conhece é só "causos ouvidos". Mas quem sabe haveremos de corrigir isso? Seria uma verdadeira "viagem ao centro de nossa história". Eu, como boa exagerada que sou, acho que todos os descendentes perigordinos deveriam fazer dela local de peregrinação. Uma Meca à qual se dirigir ao menos uma vez na vida. Menos, Marly? Então tá. Ao menos todos os descendentes amantes de sua própria história. Ou não concordam?
     Além de nós, sei que todos os moradores atuais ou antigos da região, historiadores inclusive, irão se deleitar ENORMEMENTE com essa antiga fotografia, devidamente restaurada em alguns pequenos detalhes por AMARILDO MAYRINK, a quem também agradeço a boa vontade de sempre.
     Por isso, assim como ela de graça me veio, de graça compartilho. Saboreie os detalhes. Examine. Sinta. E...
     BOA VIAGEM!


                           

sexta-feira, 13 de maio de 2016

100.000 VISITAS!!!

    
                                                  




      Esse é ou não é um marco mais do que especial? Sendo assim, para comemorarmos juntos, sortearei, no dia 20/05, um exemplar do meu livro "Dousseau: Enter - Franceses no Império do Café". Sem nenhum custo para você, nem mesmo o de envio. 

                                                    


      Para concorrer basta que você envie seu nome e endereço  completo (não esquecer o CEP!) para meu e-mail : mmmayrink@hotmail. com.
      O resultado será divulgado aqui mesmo, nessa página.
      Boa sorte e mais uma vez muito obrigada por sua preciosa companhia que tanto me prestigia.
      

terça-feira, 19 de abril de 2016

PATRIMÔNIO CULTURAL - NOVO PONTO DE VISTA

Bom dia a todos.

      Recentemente, tive o prazer de conhecer o livro de MARIA DO CARMO SOBREIRA, chamado IGREJAS, CAPELAS E COMUNIDADES DO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO. 
      Além da enorme alegria de ver ali descrita a capelinha de BOM JESUS DOS MACHADOS, pude conhecer todas as outras dos arredores, levantadas com a mesma fé, trabalho, suor e empenho da população de cada lugarejo daqueles arredores. 
      Mas sobre os livros de MARIA DO CARMO já falamos em outro post. Neste, venho transcrever para vocês um resumo do ponto de vista de MARCUS TADEU DANIEL RIBEIRO sobre a espinhosa questão referente à conservação do nosso patrimônio cultural.
      Embora o tema seja recorrente para quem estuda a História em qualquer um de seus infinitos aspectos, confesso que ele, na minha opinião, "quebrou um paradigma". Me fez ver com muito mais clareza e tolerância o desgostoso cenário com o qual convivemos nesse campo. 
      Pense a respeito, após essa leitura. É um excelente exercício.
      

       "É costume da maior parte da população esperar que o Estado faça a preservação de seu patrimônio cultural. Mas quase não se tem ao certo o que vem a ser, de fato, este patrimônio cultural. Imagina-se que já se sabe o que vem a ser esse patrimônio cultural e é só uma questão de o Estado fazer a sua parte.
       Não é bem assim. O entendimento sobre o que é o patrimônio cultural brasileiro é um esforço permanente, uma redescoberta cotidiana e não é rígido, não está contido em nenhuma lei, manual estatístico ou ementário oficial. O que ontem não era para ser preservado, talvez hoje seja. Assim, enquanto se preservam algumas coisas, outras ficam entregues à própria sorte. Há várias razões para se preservar um bem cultural, como também há muitas outras para se não o preservar. Não é apenas pela incúria do poder público que se deixam de proteger edifícios históricos e artísticos.
       É que a memória não é nem pode ser um ato acrítico de salvaguarda de tudo que caia em seu domínio. A memória é seletiva: preservam-se coisas e se esquecem de outras. A memória só faz sentido se for assim. Na seleção das coisas a serem protegidas pela sociedade em parceria com o poder público, existe o juízo de valor, quer dizer, elegem-se alguns bens culturais para serem preservados e outros não.
       Mas é preciso conhecerem-se esses bens culturais. É necessário olhar-se para o nosso universo de coisas que testemunham o trajeto histórico do povo brasileiro, em seus vários matizes culturais e especificidades históricas. Porque o valor cultural do patrimônio histórico é uma construção e não um dado absoluto, permanente e inerente ao objeto apenas. Sendo valor, é sempre relativizado  ante o universo de referências históricas, morais e filosóficas que a sociedade possui.
       É um erro, por exemplo, imaginar-se que a obra monumental do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, trabalho primoroso em ouro e referência do Barroco internacional, ou que a obra expressiva de Aleijadinho tenham sido sempre reconhecidos pela historiografia artística. Gonzaga Duque, o grande crítico de arte do século XIX, em sua obra célebre "Arte Brasileira", editada no início do século XX, refere-se ao Barroco como uma "brutalidade inventada pela inquisição". Aleijadinho, por sua vez, só seria valorizado e adquiriria essa unanimidade de que goza hoje em dia, a partir de estudos realizados na década de 1940 e seguintes no Brasil e no exterior.
       O valor do objeto cultural, por mais que pareça estranho, não é inerente a ele, mas ao olhar de quem vê esse bem. Rubem Alves já apontou para essa questão em seu texto "A Complicada Arte de Ver", onde, na esteira do pensamento de William Blake, lembra-nos que " a árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Respaldando-se ainda em Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa, lembra-se que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir as janelas para ver os campos e os rios.
       Assim, hoje em dia, já não é mais necessário se explicar muito para se reconhecer o valor cultural de uma igreja barroca. Todos vêem nela este valor que a historiografia celebrizou. Este reconhecimento é quase espontâneo. Mas houve necessidade, no passado, de se questionar a visão oitocentista que, por demais atrelada à herança neoclássica incutida no Brasil desde fins do século XVIII, se difundira nos anos oitocentos quase como um dogma, exaltando apenas o clássico e condenando o Barroco. Quantas obras barrocas não se perderem por causa disso?
        No Rio de Janeiro, só para se mencionar alguns exemplos mias célebres, a construção da Avenida Presidente Vargas poria no chão três igrejas, entre as quais a importantíssima São Pedro dos Clérigos, com sua planta em oito, sua talha rococó, enquanto que a igreja da Candelária, com sua decoração de vocabulário neoclássico, impunha-se sobre os engenheiros da grande via, que contornaram obsequiosamente, enquanto destruíam a igreja rococó. Rodrigo Mello Franco de Andrade pugnou, em discurso no Clube de Engenharia, pela mesma sorte à Igreja dos Clérigos, mas em vão. "Preservar essa igreja rococó? Pra que?" questionaram. A igreja de São Joaquim teve destino idêntico, à época do remodelamento da cidade por Pereira Passos.
       A arquitetura do século XIX, bem assim aquela outra que se desenvolve durante o século XX fora das tendências modernas, vivem hoje o mesmo problema que o Barroco viveu há cem anos atrás. É preciso que se volte a estudar o século XIX e o XX, especialmente a arquitetura que se convencionar chamar de eclética, mas que guarda, na verdade, herança preciosa do romantismo, com sua tendência revivalista neo medieval. Se não conferirmos, com nossos estudos e nosso olhar crítico sobre o passado, sentido histórico e cultural á arquitetura que se desenvolveu na virada do século, nenhuma autoridade pública fará isso, sem crer que o bem é parte integrante da memória coletiva.
       Por isso, não é só pela incúria das autoridades que se perdem bens culturais. Nós também - cidadãos - somos responsáveis por essa perda, porque não nos interessamos pela matéria, não olhamos com aquele olhar de estranheza, de indagação, de estudo que Maria do Carmo usa para perscrutar a história de São João Nepomuceno. A história não é um disciplina que deve interessar apenas aos  historiadores, mas uma forma de construção de identidade de cada um e, assim, da sociedade.
       Há pouco tempo, no âmbito do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), houve acirrada discussão sobre a proteção legal de uma igrejinha neoclássica encravada numa região que já vem sendo maltratada pela especulação imobiliária há alguns anos. A igreja e de Nossa Senhora da Vitória, localizada no chamado corredor da Vitória, em Salvador (BA). Um dos aspectos alegados pela parte contrária ao tombamento do imóvel alegou exatamente a inexistência de valor do objeto, respaldado num parecer de tempos atrás, onde se assinalara que o imóvel não tinha importância artística.
       É imperativo questionar-se o prestígio exclusivo, para fins de tombamento, da arquitetura do início da colonização até fins do século XVIII, quando o Barroco vai chegando a seu termo, ainda em pleno frondosismo rococó. Sob o ponto de vista histórico, é um truísmo lembrar que a formação do povo brasileiro não se resume à etapa que se encerra com o fim da era colonial. O século XIX e o XX, quando se iniciam novas tendências artísticas, são importantíssimos e precisam ser preservados. É necessário que ele seja valorizado e o valor é o resultado de uma reflexão crítica que fazemos sobre nosso passado. Isto é uma incumbência afeta à toda a sociedade. Só assim, ou seja, só após darmos valor aos nossos bens culturais, é que poderemos protegê-los. Não se pode zelar por aquilo de que não gostamos, ou seja, que não conhecemos.
       Proteger esse patrimônio cultural pelo qual Maria do Carmo se interessa, neste ponto, é quase uma utopia, porque ainda parecem longínquos os tempos  em que será considerada necessária a preservação do patrimônio que medrou no solo brasileiro sob a égide do Neoclassicismo, do Romantismo e do Ecletismo. Precisamos fazer correndo a preservação desses imóveis porque, enquanto a sociedade não se conscientizar da importância desse material artístico para toda a memória coletiva, muita coisa se perderá, seja pela destruição, seja pela descaracterização, seja pelo esquecimento.
       O trabalho de Maria do Carmo sobre São João Nepomuceno tem um lado científico de apuração sistemática de dados históricos sobre a localidade e sobre as igrejas de lá. Mas o envolvimento com seu objeto de investigação não termina por aí. Suas preocupações com as edificações religiosas extravasa a mera preocupação histórica e artística, indo atingir o plano elevado da espiritualidade. Para ela, a preservação do patrimônio cultural é uma questão que está intimamente ligada à religiosidade também. E com razão. Uma igreja não é um museu, mas um espaço onde as pessoas ainda oram e exercem sua espiritualidade. E é exatamente isto que confere sentido histórico à prática da preservação do patrimônio cultural, qual seja, ter em mente a dimensão religiosa da manifestação artística. Não há muito, a modesta cidade de São João Nepomuceno receberia, diretamente da Catedral São Vítor, dada pela cúria arquiepiscopal de Praga, na República Tcheca, uma relíquia de São João Nepomuceno, que está por ser remetida à matriz tão logo do encerramento das obras. Essa doação representará muito para a salvaguarda do patrimônio cultural religioso são-joanense, na medida em que acentuará as práticas religiosas que têm ocorrido na cidade, aguçando a importância dos edifícios onde essas práticas transcorrem. 
       A cidade fica perto de Juiz de Fora e encontra-se emoldurada de montanhas e do céu, encantando pela escala humana que ainda possui. Ali, a brutalidade do arranha-céu ainda não se impôs. O que se vê, na linha edílica que recorta o horizonte em ângulos plurais, dentre verdes e azuis, são as torres das igrejas, algumas das quais de singela pureza estilística, com tendência às soluções arquitetônicas típicas do século XIX ou início do XX.
      A preservação do patrimônio cultural brasileiro precisa ser assumida pelas prefeituras espalhadas pelo interior do Brasil. Já vai longe a época em que apenas o poder público federal chamava a si tal incumbência. O trabalho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é sumamente necessário, mas ele não pode ser o único. É preciso que ele divida esforços com os governos estaduais e com prefeituras. Surgido no ajo de 1937, num  momento histórico em que o Estado brasileiro empenhava-se na construção de uma identidade nacional, o IPHAN privilegiou tombar aquilo que, à época, entendia-se como de valor excepcional e representativo para toda a sociedade brasileira. Mas o nosso patrimônio cultural, ou seja, aqueles bens cuja preservação poderia não ser da União, mas o era dos governos estaduais e das prefeituras, era ainda maior que aquele abarcado pelo órgão oficial federal. Assim, foram surgindo, nos estados brasileiros, outros órgãos acauteladores. De forma análoga, o mesmo se passou entre os governos estaduais e as prefeituras. Várias capitais e ainda cidades do interior começaram a criar suas próprias leis  destinadas a preservar seu patrimônio histórico e artístico.
       O desejo é que o trabalho de Maria do Carmo Sobreira venha a despertar o interesse das autoridades públicas são-joanenses e de outras localidades circunvizinhas em relação a políticas públicas mais efetivas voltadas à preservação de seu patrimônio cultural. Afinal, além da importância do patrimônio histórico como fator de afirmação da identidade coletiva, é ele peça fundamental para o turismo cultural, que é quase sempre fonte imprescindível de recursos nas cidades europeias. Proteger o patrimônio cultural e mesmo os centros históricos é um fator de afirmação da cidadania e da luta por uma melhor qualidade de vida. 

Marcus Tadeu Daniel Ribeiro é historiador da arte, mestre em História do Brasil (IFCS/UFRJ)  e doutor em História Social  (IFCS/UFRJ). Pesquisador na área de tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Professor de História da Arte do Colégio de São Bento e do curso de Introdução à História da Arte, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/IPHAN).
Leciona História da Arte Sacra no curso de pós-graduação em História da Igreja da Faculdade de São Bento. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e do Comitê Brasileiro de História da Arte, filiado ao CIHA/UNESCO.