terça-feira, 19 de abril de 2016

PATRIMÔNIO CULTURAL - NOVO PONTO DE VISTA

Bom dia a todos.

      Recentemente, tive o prazer de conhecer o livro de MARIA DO CARMO SOBREIRA, chamado IGREJAS, CAPELAS E COMUNIDADES DO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO. 
      Além da enorme alegria de ver ali descrita a capelinha de BOM JESUS DOS MACHADOS, pude conhecer todas as outras dos arredores, levantadas com a mesma fé, trabalho, suor e empenho da população de cada lugarejo daqueles arredores. 
      Mas sobre os livros de MARIA DO CARMO já falamos em outro post. Neste, venho transcrever para vocês um resumo do ponto de vista de MARCUS TADEU DANIEL RIBEIRO sobre a espinhosa questão referente à conservação do nosso patrimônio cultural.
      Embora o tema seja recorrente para quem estuda a História em qualquer um de seus infinitos aspectos, confesso que ele, na minha opinião, "quebrou um paradigma". Me fez ver com muito mais clareza e tolerância o desgostoso cenário com o qual convivemos nesse campo. 
      Pense a respeito, após essa leitura. É um excelente exercício.
      

       "É costume da maior parte da população esperar que o Estado faça a preservação de seu patrimônio cultural. Mas quase não se tem ao certo o que vem a ser, de fato, este patrimônio cultural. Imagina-se que já se sabe o que vem a ser esse patrimônio cultural e é só uma questão de o Estado fazer a sua parte.
       Não é bem assim. O entendimento sobre o que é o patrimônio cultural brasileiro é um esforço permanente, uma redescoberta cotidiana e não é rígido, não está contido em nenhuma lei, manual estatístico ou ementário oficial. O que ontem não era para ser preservado, talvez hoje seja. Assim, enquanto se preservam algumas coisas, outras ficam entregues à própria sorte. Há várias razões para se preservar um bem cultural, como também há muitas outras para se não o preservar. Não é apenas pela incúria do poder público que se deixam de proteger edifícios históricos e artísticos.
       É que a memória não é nem pode ser um ato acrítico de salvaguarda de tudo que caia em seu domínio. A memória é seletiva: preservam-se coisas e se esquecem de outras. A memória só faz sentido se for assim. Na seleção das coisas a serem protegidas pela sociedade em parceria com o poder público, existe o juízo de valor, quer dizer, elegem-se alguns bens culturais para serem preservados e outros não.
       Mas é preciso conhecerem-se esses bens culturais. É necessário olhar-se para o nosso universo de coisas que testemunham o trajeto histórico do povo brasileiro, em seus vários matizes culturais e especificidades históricas. Porque o valor cultural do patrimônio histórico é uma construção e não um dado absoluto, permanente e inerente ao objeto apenas. Sendo valor, é sempre relativizado  ante o universo de referências históricas, morais e filosóficas que a sociedade possui.
       É um erro, por exemplo, imaginar-se que a obra monumental do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, trabalho primoroso em ouro e referência do Barroco internacional, ou que a obra expressiva de Aleijadinho tenham sido sempre reconhecidos pela historiografia artística. Gonzaga Duque, o grande crítico de arte do século XIX, em sua obra célebre "Arte Brasileira", editada no início do século XX, refere-se ao Barroco como uma "brutalidade inventada pela inquisição". Aleijadinho, por sua vez, só seria valorizado e adquiriria essa unanimidade de que goza hoje em dia, a partir de estudos realizados na década de 1940 e seguintes no Brasil e no exterior.
       O valor do objeto cultural, por mais que pareça estranho, não é inerente a ele, mas ao olhar de quem vê esse bem. Rubem Alves já apontou para essa questão em seu texto "A Complicada Arte de Ver", onde, na esteira do pensamento de William Blake, lembra-nos que " a árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Respaldando-se ainda em Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa, lembra-se que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir as janelas para ver os campos e os rios.
       Assim, hoje em dia, já não é mais necessário se explicar muito para se reconhecer o valor cultural de uma igreja barroca. Todos vêem nela este valor que a historiografia celebrizou. Este reconhecimento é quase espontâneo. Mas houve necessidade, no passado, de se questionar a visão oitocentista que, por demais atrelada à herança neoclássica incutida no Brasil desde fins do século XVIII, se difundira nos anos oitocentos quase como um dogma, exaltando apenas o clássico e condenando o Barroco. Quantas obras barrocas não se perderem por causa disso?
        No Rio de Janeiro, só para se mencionar alguns exemplos mias célebres, a construção da Avenida Presidente Vargas poria no chão três igrejas, entre as quais a importantíssima São Pedro dos Clérigos, com sua planta em oito, sua talha rococó, enquanto que a igreja da Candelária, com sua decoração de vocabulário neoclássico, impunha-se sobre os engenheiros da grande via, que contornaram obsequiosamente, enquanto destruíam a igreja rococó. Rodrigo Mello Franco de Andrade pugnou, em discurso no Clube de Engenharia, pela mesma sorte à Igreja dos Clérigos, mas em vão. "Preservar essa igreja rococó? Pra que?" questionaram. A igreja de São Joaquim teve destino idêntico, à época do remodelamento da cidade por Pereira Passos.
       A arquitetura do século XIX, bem assim aquela outra que se desenvolve durante o século XX fora das tendências modernas, vivem hoje o mesmo problema que o Barroco viveu há cem anos atrás. É preciso que se volte a estudar o século XIX e o XX, especialmente a arquitetura que se convencionar chamar de eclética, mas que guarda, na verdade, herança preciosa do romantismo, com sua tendência revivalista neo medieval. Se não conferirmos, com nossos estudos e nosso olhar crítico sobre o passado, sentido histórico e cultural á arquitetura que se desenvolveu na virada do século, nenhuma autoridade pública fará isso, sem crer que o bem é parte integrante da memória coletiva.
       Por isso, não é só pela incúria das autoridades que se perdem bens culturais. Nós também - cidadãos - somos responsáveis por essa perda, porque não nos interessamos pela matéria, não olhamos com aquele olhar de estranheza, de indagação, de estudo que Maria do Carmo usa para perscrutar a história de São João Nepomuceno. A história não é um disciplina que deve interessar apenas aos  historiadores, mas uma forma de construção de identidade de cada um e, assim, da sociedade.
       Há pouco tempo, no âmbito do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), houve acirrada discussão sobre a proteção legal de uma igrejinha neoclássica encravada numa região que já vem sendo maltratada pela especulação imobiliária há alguns anos. A igreja e de Nossa Senhora da Vitória, localizada no chamado corredor da Vitória, em Salvador (BA). Um dos aspectos alegados pela parte contrária ao tombamento do imóvel alegou exatamente a inexistência de valor do objeto, respaldado num parecer de tempos atrás, onde se assinalara que o imóvel não tinha importância artística.
       É imperativo questionar-se o prestígio exclusivo, para fins de tombamento, da arquitetura do início da colonização até fins do século XVIII, quando o Barroco vai chegando a seu termo, ainda em pleno frondosismo rococó. Sob o ponto de vista histórico, é um truísmo lembrar que a formação do povo brasileiro não se resume à etapa que se encerra com o fim da era colonial. O século XIX e o XX, quando se iniciam novas tendências artísticas, são importantíssimos e precisam ser preservados. É necessário que ele seja valorizado e o valor é o resultado de uma reflexão crítica que fazemos sobre nosso passado. Isto é uma incumbência afeta à toda a sociedade. Só assim, ou seja, só após darmos valor aos nossos bens culturais, é que poderemos protegê-los. Não se pode zelar por aquilo de que não gostamos, ou seja, que não conhecemos.
       Proteger esse patrimônio cultural pelo qual Maria do Carmo se interessa, neste ponto, é quase uma utopia, porque ainda parecem longínquos os tempos  em que será considerada necessária a preservação do patrimônio que medrou no solo brasileiro sob a égide do Neoclassicismo, do Romantismo e do Ecletismo. Precisamos fazer correndo a preservação desses imóveis porque, enquanto a sociedade não se conscientizar da importância desse material artístico para toda a memória coletiva, muita coisa se perderá, seja pela destruição, seja pela descaracterização, seja pelo esquecimento.
       O trabalho de Maria do Carmo sobre São João Nepomuceno tem um lado científico de apuração sistemática de dados históricos sobre a localidade e sobre as igrejas de lá. Mas o envolvimento com seu objeto de investigação não termina por aí. Suas preocupações com as edificações religiosas extravasa a mera preocupação histórica e artística, indo atingir o plano elevado da espiritualidade. Para ela, a preservação do patrimônio cultural é uma questão que está intimamente ligada à religiosidade também. E com razão. Uma igreja não é um museu, mas um espaço onde as pessoas ainda oram e exercem sua espiritualidade. E é exatamente isto que confere sentido histórico à prática da preservação do patrimônio cultural, qual seja, ter em mente a dimensão religiosa da manifestação artística. Não há muito, a modesta cidade de São João Nepomuceno receberia, diretamente da Catedral São Vítor, dada pela cúria arquiepiscopal de Praga, na República Tcheca, uma relíquia de São João Nepomuceno, que está por ser remetida à matriz tão logo do encerramento das obras. Essa doação representará muito para a salvaguarda do patrimônio cultural religioso são-joanense, na medida em que acentuará as práticas religiosas que têm ocorrido na cidade, aguçando a importância dos edifícios onde essas práticas transcorrem. 
       A cidade fica perto de Juiz de Fora e encontra-se emoldurada de montanhas e do céu, encantando pela escala humana que ainda possui. Ali, a brutalidade do arranha-céu ainda não se impôs. O que se vê, na linha edílica que recorta o horizonte em ângulos plurais, dentre verdes e azuis, são as torres das igrejas, algumas das quais de singela pureza estilística, com tendência às soluções arquitetônicas típicas do século XIX ou início do XX.
      A preservação do patrimônio cultural brasileiro precisa ser assumida pelas prefeituras espalhadas pelo interior do Brasil. Já vai longe a época em que apenas o poder público federal chamava a si tal incumbência. O trabalho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é sumamente necessário, mas ele não pode ser o único. É preciso que ele divida esforços com os governos estaduais e com prefeituras. Surgido no ajo de 1937, num  momento histórico em que o Estado brasileiro empenhava-se na construção de uma identidade nacional, o IPHAN privilegiou tombar aquilo que, à época, entendia-se como de valor excepcional e representativo para toda a sociedade brasileira. Mas o nosso patrimônio cultural, ou seja, aqueles bens cuja preservação poderia não ser da União, mas o era dos governos estaduais e das prefeituras, era ainda maior que aquele abarcado pelo órgão oficial federal. Assim, foram surgindo, nos estados brasileiros, outros órgãos acauteladores. De forma análoga, o mesmo se passou entre os governos estaduais e as prefeituras. Várias capitais e ainda cidades do interior começaram a criar suas próprias leis  destinadas a preservar seu patrimônio histórico e artístico.
       O desejo é que o trabalho de Maria do Carmo Sobreira venha a despertar o interesse das autoridades públicas são-joanenses e de outras localidades circunvizinhas em relação a políticas públicas mais efetivas voltadas à preservação de seu patrimônio cultural. Afinal, além da importância do patrimônio histórico como fator de afirmação da identidade coletiva, é ele peça fundamental para o turismo cultural, que é quase sempre fonte imprescindível de recursos nas cidades europeias. Proteger o patrimônio cultural e mesmo os centros históricos é um fator de afirmação da cidadania e da luta por uma melhor qualidade de vida. 

Marcus Tadeu Daniel Ribeiro é historiador da arte, mestre em História do Brasil (IFCS/UFRJ)  e doutor em História Social  (IFCS/UFRJ). Pesquisador na área de tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Professor de História da Arte do Colégio de São Bento e do curso de Introdução à História da Arte, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA/IPHAN).
Leciona História da Arte Sacra no curso de pós-graduação em História da Igreja da Faculdade de São Bento. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e do Comitê Brasileiro de História da Arte, filiado ao CIHA/UNESCO. 
       

sábado, 19 de março de 2016

DINHEIRO NA ESTRADA - UMA SAGA DE IMIGRANTES

Bom dia!

                                           




       Há tempos venho querendo fazer isso que faço agora: publicar um extrato de um dos livros de EMIL FARHAT. Aquele é um dos mais importantes de minha extensa bibliografia sobre imigrantes em geral e pérola rara quando falamos da imigração para a região de BICAS e circunvizinhanças. 
      O livro trata, é claro, da imigração libanesa, ocorrida nesse caso específico mais de 20 anos depois dos nossos franceses. Apesar desse lapso de tempo, o cenário pouco mudou, mesmo considerando a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. Quando nossos bisavós chegaram, as duas mudanças estavam ocorrendo. Quando libaneses e outros imigrantes vieram, o "olho do furacão" já tinha passado, mas não havia ainda solidez nos novos hábitos que os novos tempos exigiam. Pelo menos não "na roça". Por isso as vivências de uns e outros foram extremamente similares, e penso que podemos considerar os relatos de EMIL como muito próximos aqueles que todos os outros imigrantes, de outras nacionalidades, certamente fariam. 
       E de forma tão límpida, crua, vívida, que quase podemos sentir igual: lugares, sabores, odores, imagens, sentimentos, pontos de vista...
       Temos também, nessa obra, a oportunidade de "garimpar" passagens preciosíssimas que falam "desses franceses". Coisa que é praticamente impossível de encontrar em outras fontes. Sim, não são palavras lisonjeiras, na maioria das vezes. Mas perfeitamente cabíveis dentro da vivência do povo libanês daquele tempo diante da "grande metrópole", a França. 
       Esses "franceses" citados por ele podem ter relação com "os nossos": perigordinos do ORENOQUE e do VILLE DE BUENOS AYRES. Quiçá quem sabe algum do NÍGER... Como ele cita poucos nomes desses personagens, fica-nos essa lacuna incômoda e, ao mesmo tempo, mágica: de quem, especificamente, ele fala? A quem pertence aqueles fiapos de vida que nos chegam como que bisbilhotadas através de uma fresta? Mistério para sempre...
       EMIL e seu irmão, CHICRE são importantíssimos, ou antes, fundamentais para a construção de nossa memória coletiva como oriundos do pequeno cantinho de ZONA DA MATA circunvizinho a BICAS.
       Devo registrar que o livro foi escrito baseado numa troca de correspondência entre um imigrante libanês e sua mãe que permaneceu no Líbano. Segundo o próprio EMIL esclarece, as cartas do filho para a mãe desapareceram todas em consequência de bombardeiros em BEIRUTE. Ficaram as da mãe, com o filho brasileiro. Portanto, é ela quem fala. Respondendo aos relatos do filho. O que o filho disse? Você terá que adivinhar. O que será fácil, na maioria das vezes.
       Pode ser que o formato que adotarei aqui não esclareça muita coisa. Mas certamente criará em você, leitor, o desejo de ler o livro por inteiro. Você ainda pode encontrá-lo nos grandes sebos virtuais, como, por exemplo, a ESTANTE VIRTUAL. E afirmo: não se arrependerá!
       Para expandir o alcance de seu trabalho, vamos lá. Mãos à obra!

          
Pág.3 - 
 Se cortássemos todos os cedros do Líbano
 - e os cedros são nossa fonte de inspiração;
 e com eles erigíssemos aqui um templo
 cujas torres atravessassem as nuvens;
 se arrebatássemos de Baalbeck e de Palmira
 os vestígios de nosso passado glorioso;
 se arrancássemos de Damasco o Túmulo de Saladino,
 e de Jerusalém o Sepulcro do redentor dos homens;
 se levássemos todos esses tesouros
 a esta grande nação independente
 e a seus gloriosos filhos;
 sentiríamos que, ainda assim,
 não pagamos tudo o que devemos
 ao Brasil e aos brasileiros.


Pág.26 -
      Ele caiu na esparrela de sair vendendo o café que algum parente e 'alguns amigos' tiravam das pilhas de sacas, que iam para a fogueira feita pelo próprio governo.
     Aliás, este é outro espanto: que coisa é essa de queimarem     "milhares e milhares de sacas", só para fazer subir o preço do produto? Se este café que está sobrando fosse dado pra gente que nunca bebeu uma xicrinha, ia atrapalhar os negócios do governo e dos graúdos daí?
      Esse fogaréu de café deve também doer nos olhos dos pobres   daí, com a mesma mágoa que o olho do sol dói nos olhos de quem não pode enxergar.



Pág.30 -
     Aliás, até hoje há gente falando e fazendo perguntas sobre       sobre aquela outra notícia de uma de suas cartas, de que aí tem     franceses trabalhando na roça, e de pé no chão. Que diabo foram fazer aí? Como é que uma gente tão cheia de luxinhos e tão arrebitados de empáfia, foi parar nesse oco do mundo?



Pág.35 - 
São as sucessivas baldeações , que começa aí na preguiça do tal   carro-de-bois que vocês ainda usam, antes de alcançar a primeira estação de trem.


Pág,36 -
 ... das coisas e das gentes que atraem e enfeitiçam vocês,             retendo-os nesse fundo do mundo, no qual decidiram mergulhar   por um tempo que não passaria de "volto logo, não demoro".


Pág.40 -
Cruzes! Como é que essa gente larga o mais-ou-menos aqui do    Líbano, e se enfurna por esses buracos incerto do mundo? Será só coceira no rabo? Ou falta de miolo?



Pág.42 -
 ... daquela maldita preocupação que é a doença espiritual             número um do imigrante e até dos filhos deles: a pressa da assimilação, a danação para apagar as dessemelhanças, o medo, enfim, da rejeição.



Pág.52 -
 ... ainda tenho outro assunto que de repente encheu de espanto e
 comentários o pessoal daqui. 
     Refiro-me à sua informação de que há francese aí, perdidos no meio dos roçados, lavrando a terra como qualquer felá daqui. E, espanto dos espantos, quase tão acaipirados como os caipiras nativos, chegando descalços aos limites do lugarejo, e de sapatos na mão só calçando-os para entrarem no  povoado. As mulheres
deles também? Deus do céu, quem diria?
     Aqui, como você sabe, eles são os novos donos. Francês de pé no chão? É isso também que está trazendo mais vizinhos à nossa casa. Querem ver, os próprios olhos, que aquilo está escrito com todas letras na sua carta - falado assim, sem querer, 
espontaneamente, sem saber o tamanho da estranheza que isto poderia causar por aqui.



Pág.55 -
      Com o que então o senhor me previne de que In-Hula torce o nariz toda vez que falo mal dos francese senhor In-Hula que vá lamber sabão! Isto é. Espere aí. Que é que ele tem com os             franceses? São fregueses da loja dele?
     A maior parte das vendas que se faz no dia-a-dia por aqui, na    região, é de tostão. Um tostão de açúcar. Um tostão de sal, um tostão de toucinho, um tostão de fumo.
     Esse dinheiro compra apenas um punhadinho de cada coisa. Só aos sábados é que há negócios mais graúdos com a vinda da "folha" dos sítios e fazendas. A maior parte das pessoas não usa sapatos. Até mesmo sitiantes e fazendeiros , que são os importantes daqui. Sapato é pra domingo, ou dia santo de missa.
    Você me põe zureta com esse Brasil. Ao mesmo tempo que fala de tanta riqueza, tantas terras, tanta beleza - mostra esse retrato das miudezas humanas. Afinal, no que devo acreditar?
    Que dinheiro vocês pensam juntar nessa mendicância?                               

Pág.59 -
      Vocês aí "caçando qualquer bicho com forma de mulher".       Disputando com os rapazes de outras terras, também levados pelo mesmo enxerimento da aventura, as poucas moças brasiles de boas famílias que se disponham a casar com "turcos" e outros rapazes gringos, como você mesmo escreveu. Ou já se esqueceu?



Pág.77 -
      Mas você sempre diz que o Maripá parece todo uma família só. Que a aldeia é em volta de uma praça. E que a praça é como se fosse uma sala grande, um salão estar ao ar livre. Para todas as famílias, todos os amigos.Como é? Melhorou assim, depois da tragédia?
       -  Todo mundo de quem você já me falou tantas coisas boas. Os Temponi, os Gonçalves, os Malatesta, os da Costa, os Pinheiros, os Canturinis. E até mesmo quem sabe, os franceses daí. Que, aliás, me parecem de vinho bom, diferente do vinagre que mandam para cá.


Pág.79 -
      Foi revirando esse reservatório - a gaveta em que guardo suas cartas - que encontrei aquela em que descreve sua chegada a Bicas, e depois a Maripá.
     Para mim, ainda é a carta da esperança. Nela, suas  frases soam como passadas decididas, de quem sabe a que vai e o que quer. É o testemunho exuberante de um forasteiro talvez atordoado, quem sabe deslumbrado, mas desvencilhado, ainda não envolvido nem absorvido.
    Você começa descrevendo o choque de que foi tomado quando, após identificá-lo com a ajuda de um patrício, o emissário de seus irmãos, Chichico, o encaminhou para uma praça, à saída da estação ferroviária de Bicas. Você marchou, mas logo se deteve, indeciso, diante do que a princípio lhe pareceu
estranhamente um imenso curral. Centenas de bois imobilizados, sentados ou de pé, chacoalhavam chifres
ou espadanavam rabos ou mugiam, enlaçados às cangas
que os prendiam em duplas de carros - oitenta, cem,  quem podia contar? - aos quais estavam jungidos.
     E dezenas de homens fortes, de uma mistura de cores que não havia na Jamaica, seminus ou de roupas quase rasgadas, transitavam às carreiras, indiferentes aos perigos de esbarrões nos animais. Carregavam, à cabeça ou às costas, sacos que pareciam muito pesados. Ziguezagueavam em filas frenéticas, entre os espaços mínimos deixados pela boiada, também impaciente. E todos a um só tempo cumpriam uma estranha ordem de gritar ou cantar, num improviso de sons e imprecações
em que se misturavam ondulações de cantigas e berros
trovejantes irritadiços ou desafiadores. Era o transporte da safra de café. Café! Uma palavra que você distinguia dos gritos. Que via escorrer como ouro em grãos, de sacos mal cuidados; que fazia rir; que desatava ordens e empurrava tudo e todos. 
     Finalmente eis você na estrada para o Maripá, cavalgando num cavalo "bem manso" - como entendeu
da mímica de Chichico, o mensageiro amigo que seus irmãos, atarefados com as vendas de sábado, mandaram para buscá-lo.
     Serrilhada ao meio ou às margens pelos sulcos desordenados das enxurradas, a "estrada" era um corte estreito de metro e meio de largura, sangrando e barrancos os rasgadas nas várzeas, por onde grimpavam ou se espalhavam matas virgens fechadas e misteriosas, ou disciplinadas lavouras de café.


Pág.116- 
     Pepitas de ouro? Prata na Serra da Prata, ouro no Ouro Preto. Tudo aí na Minas? E o que é que vocês estão esperando, se cafezal sabe onde têm? Por que ficarem chumbados aí, Maripá, Guarará, Bicas. Bicas? Você me escreveu há tempos que isso significa "torneiras". Ora, bolas. Ainda se fosse logo de uma vez "enxurradas", córregos, regatos, riachos auríferos?!


Pág.143- 
     Ora, veja só - mais uma rata que essa velha professora estava ensaiando: já ia pedir que você também desse uma espiadela para ver se há mais navios no cais. É uma pena que daí de Bicas você não possa, como eu, ver o porto. Que titicas de montanhas são essas aí da
     Minas, que não dão para ver o mar?


Pág.162-
      Ainda tem tetra-tetraneto de donatário (?) chuchando até hoje em tetas que vararam da Corte para a República.


Pág.192-
      Foi preciso indagar sobre o estado de espírito em que deve viver a pobre da mulher do In-Hula para você me revelar - só agora! - que é sobrinha do Moulin. Ou você escondia isso para não me zangar? Tolice sua. Aqui, apesar das quizilas políticas com o governo deles, "cada libanês tem seu francês" - isto é, tem sempre um ou mais amigos franceses que ele destaca entre os outros, fazendo-os as "suas" exceções.
     No meio de todas essas apreensões, fiquei contente com o que escreveu de sua cunhada Germaine: ela adora o In-Hula e, se o marido deixar, carrega a espingarda para ir a essas expedições junto com ele. Foi exatamente numa situação dessas que Germain conheceu seu herói: In-Hula arrancou o pai dela das mãos de uns parentes que o surravam, por questões de herança. E ainda deu uma corrida nos agressores. Como eles não tem filhos, ela também o adora como seu "meninão".


Pág.225-
      Os donos de catações sempre confiaram no orgulho da população, por terem feito que Bicas seja a estação que mais exporta café em todos os mil quilômetros (?) de linhas da Estrada de Ferro Leopoldina. Além disso, sempre organizaram essa comemoração inocentemente (?), sem nem se lembrarem que a igreja ficava ali por perto. Padre Abílio era um liberal, surdo às zoada e fraquezas dos pecadores. Estes, aliás sempre corresponderam a essa surdez com gordas espórtulas para as obras da igreja. Mas desta vez se esqueceram de um fato novo: que padre Abílio se fora, aposentado. E o novo pároco, padre Noronha, chegou de nariz em pé farejando tudo, procurando conhecer os cheiros da vila.
      E pergunta vai, pergunta vem - no confessionário ou fora dele - o padre já marcou as áreas de maus odores.
      Positivamente, as catações não agradam ao naso pudico de padre Noronha.

Obs: pela citação do nome dos padres, podemos, pela primeira vez, precisar o relato como sendo no ano de 1923


Pág.229-
      Em lugar pequeno, não adianta tentar fazer coisas para não serem vistas. O povinho vive atrás de assunto como vira-latas atrás de qualquer naco de carne, ou urubu atrás de carniça. Numa tarde, os convidados do Rio de Janeiro tinham descido do trem, de surpresa, quinhentos metros antes do comboio entrar na vila, numa parada combinada com o velho Guimarães, da Leopoldina. E foram direto em carros separados para a catação escolhida. a de In-Hula - que era território neutro, onde Munheca Segundo e Cafezal podiam ir sem desdouro de parte a parte. As catadeiras selecionadas haviam chegado uma a uma em horários diferentes, de dez em dez minutos. Mesmo assim, logo a vila inteira sabia: aquele era o sábado da festa
excomungada.
      Transeuntes indo e vindo pela rua Barão, curiosos, as orelhas crescidas, de conchas alargadas, prontas a captar os ruídos do pecado, os gritinhos, as frases safadas que extravasavam de alguma porta entreaberta ou dos basculantes do velho casarão.
      Dentro da catação, cada visitante, sôfrego mas ainda sóbrio, movia-se muito de uma parceira à outra, sondando, procurando afinidades, conferindo preferências, tateando limites ou ilimites da licenciosidade, ansiosos que a noite apagasse logo o trotear dos enxerimentos que ainda vinha da rua. Por sua vez, do lado de fora, os conjurados do decoro esperavam também pelo anoitecer mais denso. Pouco à pouco o silêncio maior da noite fechada liberou dentro do casarão a senha para o extravasamento de todas as contenções, represadas pelo ano de espera "da festa". 
     Logo também o aceno convencional dos conspiradores do pudor, telegrafado de esquina a esquina, alcançou sua meta: as chaves da estação distribuidora de luz. E tudo na vila, inocentes e pecadores, foi colocado inesperadamente sob trevas. Seria a vitória da decência cegando a demência dos forasteiros depravados, e seus anfitriões inescrupulosos.


Pág.291-
     Engraçado, você diz que Marechalo chegou aí, ou mais precisamente, chegou no Maripá como "volume de
redespacho". Um primo diplomata o despachara correndo, para um vago "conhecido" no interior - o velho "major" Francisco Bianco, em Bicas - e este, depois de uns dias de quarentena e análise, assepticamente refugou Marechalo ainda mais para o interior, isto é, para o Maripá - "onde não havia nem estrada de ferro nem luz elétrica".
    E por sua vez, "major" Bianco quase caiu de emoção ao ver saltar na estação de Bicas aquele "bersagliere", que se apresentava a ele um tanto gasto e mal-cheiroso, mas uniformizado com a mais famosa farda da Itália.
    Coisa curiosa foi o modo como "major" Bianco apareceu como "destinatário da encomenda": o velho tornara-se lendário entre a "colônia" no Rio porque todos ouviam falar da inusitada e incansável fidalguia daquele italiano que, havia anos, por falta de serviço de bar, servia ele próprio na estação de Bicas, diariamente e gratuitamente, aos cansados passageiros dos trens que iam ou vinham do Rio, um reconfortante e substancioso "cafezinho" - feito ali perto, na cozinha de sua mansão.


Pág.304-
    Quanto a você, acho que acertou na sinceridade de, deixando de lado o meio-insulto do amigo português, reconhecer que essa boa corrida dos "patricinhos" daí para escolas mais adiantadas é a parte do deslumbramento de nossa gente pela pompa e destaque nas posições sociais.
     Aliás, esse deslumbramento será apenas dos turcos?Os outros, portugueses, italianos, franceses e um qualquer outro europeu que tenha por aí, também não mandam filhos para "as escolas de doutor"?


Pág.323- 
      Por falar em parentes dos índios, finalmente você esclareceu uma coisa que estranhei muito logo que registrou a presença dessa pequena colônia de franceses, aí nas vizinhanças: Cafezal explica que vieram dar com os costados na região à procura  sombra, ou das sobras de propriedades do tal capitão Marlière, o de Napoleão.
     Aliás, Aristides conta que o jovem Moulin chegou aí meio às tontas, como todo moço, atrás da aventura. Ficou zanzando muito tempo de lugar em lugar, sem orientação nem papelório, atrapalhado pela língua e pela confusão dos nomes, que não entendiam dele e el não entendia dos outros. Só depois de muitos anos, já plantado no Maripá, descobriu com um velho escrivão
de Mar de Espanha que o nome do lugar que  procurava, "Nossa Senhora da Encarnação dos "Bagres", já não existia mais. Só na nova capital poderiam informar sobre a troca. E essa capital, diziam, estava uma desordem de armários e de arquivos velhos, carregados para lá na bagunça de sempre, do
pouco-se-lhes-dá das coisas de governo.
     Então, o velho Moulin foi deixando a verificação para depois. E se acomodou. Ele procurava esse lugar porque era uma das aldeias da época, fundada por seu parente.


Pág.339 - 
     Quinze dias depois estava funcionando numa casa velha da praça a igreja a "Nova Loja do Tauil", nome dado por Cafezal. Vazia de tecidos e armarinhos, que teriam de vir do Rio ou de São Paulo. Mas abarrotada de cereais - arroz, feijão, milho, batatas - açúcar preto e engradados de queijo, barricas de rapadura, bandas e barrigadas de capado, garrafões e quartolas de  cachaça, cachos de banana e sacos de laranja, tudo vindo das fazendas de Iskândar, Cafezal e Muzaréf. A francesinha do In-Hula, doceira de mão cheia, mandou terrinas e potes de doces caseiros. E cada semana chegam do sítio do velho Moulin de cinco a seis dúzias de ovos e dois sacos de fubá, o melhor de toda a região: moído em moinho de pedra e feito só de milho catete, bonito e vermelho como a própria saúde.


     E então é isso, queridos leitores. Querem saber e saborear mais, muito mais? Corram atrás desse livro valioso!
     Concluo com as mais sábias palavras que pude ler e que, pelo tanto que me encantaram, usei em meu próprio livro:

     "O romancista não tem obrigações cartoriais
com a História, nem com a trivialidade do
cotidiano - apesar de valer-se, necessariamente, de ambos. 
      O ilimite da imaginação dá-lhe o direito de
rearrumar o mundo e as gentes, à seu modo."
                                                  Emil Farhat
     

                           










                      
                     


quinta-feira, 17 de março de 2016

95.000 VISITAS!




                                                               

sábado, 27 de fevereiro de 2016

CINE THEATRO SÃO JOSÉ


                                              




Bom dia a todos!

     Como em breve nosso jornal "O Município" estará fazendo aniversário (e muito especial dessa vez!!! ) temos sido brindados com artigos muito interessantes para qualquer um que um dia tenha tido a oportunidade de viver em Bicas ou até mesmo de visitá-la. Principalmente para aqueles que, tendo migrado para outras cidades, estados ou países, guardam dela apenas saudosas lembranças.
     Sendo assim, resolvi dividir com vocês essa matéria publicada no último número do jornal, aquele de número 2.588, publicado em Janeiro de 2016.  
     Cresci ouvindo as histórias que minha mãe tinha para contar que tinham como pano de fundo esse cenário tão bem descrito abaixo. E ainda teria o que acrescentar! Como não compartilhar com vocês?
      Biquense ausente, sinta-se de novo em casa! Desfrute de suas memórias aqui, juntinho comigo. E boa viagem no tempo!

                          
ARQUIVOS PESSOAIS ANTIGOS, SEM DISCRIMINAÇÃO DE FONTE. ESSA FOTO É A MAIS ANTIGA QUE TENHO DO CINEMA BIQUENSE.




                   CINE THEATRO SÃO JOSÉ

    Para falar do nosso saudoso "CINE THEATRO SÃO JOSÉ", basta apenas dar uma volta ao tempo e deixar-se ir pela imaginação para poder resgatar essa nostalgia, bem lá no fundo do túnel, pra que possamos viver um pouquinho dessa fantástica fábrica de "faz de conta" que é, e que sempre foi o nosso querido e inesquecível cinema de Bicas. Quantas lembranças nos trazem os lindos momentos que o cinema de Bicas nos proporcionou. A televisão na época, dos anos 60, era privilégio apenas dos em sucedidos financeiramente. Essa regalia ainda demorou um bom tempo chegar às casas dos menos favorecidos. E assim, eu como tantos outros da minha idade, fomos sem dúvida os protagonistas dessa magia que era curtir um cineminha, desde as inesquecíveis matinés aos domingos, às 10hs, como também as sessões das 18hs e 20hs, quase sempre lotadas. Simplesmente porque não havia outra diversão. O entusiasmo e as novas descobertas sempre falavam mais alto. Quando chegava um enorme cartaz anunciando um filme novo, despertava nossa atenção e ao passarmos em frente ao cinema, acompanhávamos o Chicão a fixar os cartazes, pregando com taxinhas nos quadros fixados nas paredes as fotos, onde se via estampadas algumas cenas dos filmes. Só isso já era gratificante, estar ali debruçado em uma das cancelas, vendo e acompanhando passo a passo o trabalho do Chicão, que também pintava faixas e cavaletes com propaganda dos filmes e os levava para serem afixados em frente às oficinas da Leopoldina, no jardim da Igreja São José e em outros locais de movimento de pessoas. O Chicão também trabalhava nas oficinas da Estrada de Ferro Leopoldina e nas horas de folga consertava os nossos fuscas. Uma das coisas que nos chamava a atenção era quando se lia no cartaz do filme: CINEMASCOPE TOU TECNICOLOR". Porque já era de nosso conhecimento e já sabíamos que os filmes seriam coloridos e seriam também tela inteira, conhecida tela panorâmica. A mesma atingia uns 6 metros, ou talvez até mais do que isso. Era realmente fantástico ver as longas e pesadas cortinas se abrirem dando lugar à imagem projetada na tela branca, . A projeção era um trabalho do funcionário Gote (Iguatemi Índio do Brasil), que durante o dia trabalhava na Fábrica de Calçados Almirante. Antes do início, enquanto se esperava abrir as cortinas, ouvíamos sempre músicas suaves, quase sempre uns boleros cantados por Gregório Barrios, Pedro Vargas e outros. Como era gostos chegar atrasado, ao som do jornal esportivo do Canal 100, onde tínhamos a oportunidade de ver um trecho da partida de futebol entre Botafogo e Flamengo, realizada na semana anterior, e ter que procurar no escurinho do cinema um lugarzinho vago entre uma cadeira e outra, permanecendo sempre abaixado para não atrapalhar os que ali já estavam com os olhos grudados na tela. Pois nem sempre o lanterninha se fazia presente para nos acompanhar até o suposto assento vago. Os eternos apaixonadas namoravam sem se preocuparem com o que estava sendo exibido. Bastava um estalo de bolas de chiclete para que se formasse um coro de pedidos de silêncio. Quanta lembranças nos trazem os casais de namorados, onde reinava o cavalheirismo, comprando os ingressos com o Dalton Retto, com o Décio ou com o Duílio. Na portaria, recebendo os ingressos, estava o senhor Chico Retto ou o senhor Gentil de Almeida, sócios do Cinema, muito gentis e cavalheiros, sempre acompanhados por um fiscal de menor que, quando tinha algum caso complicado, recorria ao Delegado, Bacharel José Maria Veiga, que em poucos minutos resolvia o problema e mandava colocar uma pedra por cima. Bons tempos dos filmes de faroeste com John Wayne, Kirk Douglas, Marlon Brando, Robert Mitchun, Gregory Peck, Roy Rogers, Jesse James, Tom Mix e o baixinho e rápido no gatilho, o ator Audie Murphy. Esses eram uns de nossos preferidos, onde os índios sempre levavam a pior nos ataques a diligência. Os filmes de romance ficavam por conta de Rock Hudson, Marlon Brando, Debora Kerr, Tyrone Power, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Elizabeth Taylor, Gina Lolobrigida, a linda loirinha Brigitte Bardot, Claudia Cardinalli, Rachel Welch, a sedutora Marylin Monroe e outras atrizes como Sophia Loren e Rossana Podestá, atuando quase sempre em filmes épicos. Elizabeth Taylor também tinha seus papéis em muitos filmes ao lado de Richard Burton, seu marido na vida real, e outras mais que passaram pelo nosso cinema, que seria impossível lembrar-se com exatidão de todas. Geralmente os filmes eram com legendas, dando-nos oportunidade de aprendermos um pouquinho do nosso português, as quais vinham escritas no rodapé das cenas, forçando-nos a uma leitura rápida, para poder então entender o desenrolar da trama. Mas tudo era original! Até mesmo o nosso entusiasmo ao ver, desde Gordon Scott e Steve Reeves, exibindo seus músculos avantajados, como Jerry Lewis todo atrapalhado contracenando sempre ao lado de Dean Martin, levando ao público boas gargalhadas, e a macaca Chita em suas aparições na maioria dos filmes de Tarzan; também eram exibidos os filmes de Mazzaropi, Oscarito, Grande Otelo e do Gordo e o Magro. Não era como nos dias de hoje, que temos opção no DVD, legendados ou em português. De um lado do cinema fixava o famoso bar da dona Tereza Lagrota e do outro lado a tão cobiçada bombonière da Donana, esposa do Capitão Azziz Gabriel, onde se comprava os famosos drops e os chicletes Ping-Pong, tutti-fruti e hortelã, além das famosas balas Pipper; em frente ficava a carrocinha do pipoqueiro. Uma hora antes do início das sessões formava-se uma enorme fila para compra de ingressos, que se estendia mais ou menos até o casarão do Coronel Joaquim José de Souza, onde hoje localiza-se a agência do Banco do Brasil. Também se formava uma fila paralela para a entrada no cinema. 



ESSA É A FOTO QUE ILUSTRA O ARTIGO AQUI REPRODUZIDO. TAMBÉM NÃO PRECISA A DATA, MAS JÁ PODEMOS NOTAR A DECADÊNCIA DO EDIFÍCIO, ANTES DO OCASO FINAL. INFELIZMENTE.




Todos que viveram nessa época foram testemunhas também  do movimento de pessoas que ficavam transitando em frente ao cinema, num vai e vem entre o jardim da Igreja e a travessia da linha do trem, no início da Rua dos Operários. O famosos "footing" onde, quase sempre, começavam os namoros. Essas eram as emoções de um tempo que ficaram para sempre perdidas no seu próprio tempo, talvez na esperança de que, um dia, alguém possa reerguer um pouquinho desse nosso passado para a nossa querida cidade de Bicas. E por que não, sonho de alguns, poderem presenciar, mais uma vez, as antigas portas do nosso CINE THEATRO SÃO JOSÉ se abrir novamente, nem que seja em outro local, pois o antigo imóvel onde funcionava o cinema foi demolido. Porque, reverenciar o passado é uma forma de agradecer a Deus pelo presente e nos reconciliarmos com nós mesmo, o nosso futuro.

                                                Antônio S.C. Calvário
                                           (Tonico da dona Minervina)

      

domingo, 21 de fevereiro de 2016

21 DE FEVEREIRO - DIA MUNDIAL DO IMIGRANTE ITALIANO

Bom dia a todos!

     Certamente vocês haverão de perguntar o porquê dessa homenagem num blog de franceses... Mas, se você conhecesse minha BICAS natal e toda sua redondeza (MARIPÁ, GUARARÁ, ROCHEDO, TARUAÇÚ, CARLOS ALVES, PEQUERI, ARGIRITA, SENADOR CORTES, etc...etc...), saberia que há mais de um século fomos "invadidos" por sobrenomes italianos. Invadidos tanto no sentido da terra que os recebeu, quanto na total miscigenação com "os da terra" e com imigrantes de outras origens. Daí sua importância para todos nós.
     Hoje, se nos dispuséssemos a destrinchar esse emaranhado, verificaríamos que, ainda que nossos franceses, por serem poucos, tenham sido quase que totalmente absorvidos pela comunidade local, se considerarmos a história genética, ou genealogia de cada "oriundi", cruzaríamos com boa parte deles, como, por exemplo: GUGLIELMINI, GATTI, BERTELLI, MCHELI, GIRALDELLI, VENTURELLI...
      Além dos laços familiares, estabelecemos também, entre nós, todo tipo de trato comercial e dividimos as mesmas dores, as mesmas experiências e tivemos que dispor da mesma força para conseguirmos nos estabelecer nessa terra que hoje também é nossa.
      Por tudo isso venho hoje aqui homenageá-los, reproduzindo o excelente texto do grande entendedor dessa saga, tal qual o foi nosso saudoso JÚLIO VANNI: JOSÉ LUIZ MACHADO RODRIGUES. O texto abaixo foi publicado no exemplar de número 2.588 de nosso Jornal "O MUNICÍPIO", responsável em grande parte pela possibilidade de resgate de tantas histórias.
     
     Para vocês, transcrevo:


                                          
FONTE: A.C.NARDINI - FACEBOOK.



     AOS IMIGRANTES ITALIANOS E SEUS     
                 DESCENDENTES
Por conta do 21 de Fevereiro - Dia Nacional do Imigrante         
                                        Italiano

     Tenho 100 anos mas guardo e vejo o passado com a nitidez do presente. Minhas folhas são testemunhas de que eu vi trabalhando nas fazendas e sítios ou, andando pelas ruas empoeiradas da cidade, muitos estrangeiros. Principalmente uns de pele clara, olhos azuis e que se destacavam pelo seu costumeiro falar gestual. Pessoas que se apresentavam, na zona rural ou nos balcões das casas de comércio, como imigrantes italianos. Alguns deles chegados um pouco antes de meu lançamento, para substituir o braço escravo na lavoura. Outros, atraídos pelas possibilidades do florescente "comércio" que se desenvolvia no entorno da estação ferroviária.
     Minhas páginas antigas registram um pouco da história dessa gente. Mas lhes recordo agora por ser da índole desse Jornal preservar a história da cidade. E esta, em particular, é uma história bonita que merece ser repetida para permanecer viva na memória dos descendentes.
     A necessidade de buscar o braço imigrante surgiu a partir do fortalecimento da ideia de libertação dos escravos. Chegou um tempo que fazendeiros do Brasil sentiram que a libertação de todos os escravos viria pelo mesmo caminho que deu na liberdade dos maiores de 60 anos e decretou a Lei do Ventre Livre. Para eles, sinais evidentes de que a escravidão se exauria.
     Como a lavoura dependia de muita mão de obra, tornou-se prioritário encontrar uma alternativa para sua substituição. E a opção surgida, incentivada e até financiada pelo governo brasileiro, foi a imigração. Abrir as portas para os imigrantes.
     E a propaganda, feita de forma intensa na Itália, dizia da existência aqui no Brasil de terras férteis e baratas, o que fez crescer o fluxo de italianos para cá. "Fare l'america" (fazer a América) como se dizia aqui no Brasil, virou o sonho d emuitos italianos.
     A Itália, por sua vez, atravessava um período de grandes dificuldades e, segundo consta, as intempéries e a chegada do capitalismo no meio rural, responsável pela concentração de terras nas mãos de grandes proprietários, castigavam algumas regiões.
     Diante dessa realidade o incentivo italiano à emigração de parte de sua população se tornava interessante. E a conjugação destes fatos foi, segundo Thomas Sowell, citado por Rosalina Pinto Moreira, historiadora da cidade de Astolfo Dutra (MG), em seu livro "Imigrantes - Reverência", 1ª edição, página 24, a grande responsável pelos " doze milhões de italianos que emigraram, principalmente para as Américas, no maior êxodo de um povo na história moderna.". 
     Eu vi, com os olhos da jornal, estes imigrantes e seus filhos crescerem por aqui. O crescimento natural da idade e o que faz de um indivíduo um cidadão destacado. Eram os Agrelli, Arezzo, Barino(a), Bellei, Bertelli, Bolotari, Calzavara, Colaci, Conti, Cortat, Crecembeni, Croce, Cúgola, Cúrzio, Drominetta, Favero, Ferrari, Ferri, Gianini, Granado, Guarnieri, Lanini, Longo, Marôco, Minateli, Padula, Ranna, Retto, Rossi, Schettino(i), Sroppa, Tagliatti, Temponi, Tresse, Trezza, Varanda, Verlangieri e muitos outros que certamente o leitor lembrará. Cidadãos que ajudaram e ajudam Bicas a crescer.
     Vi muitos deles se tornarem bons industriais, comerciantes, empresários de uma maneira geral, artesãos, profissionais autônomos ou, trabalhadores diferenciados de seus pares pela disposição para o trabalho e pela conduta retilínea.
     E eu acompanhei um desses descendentes de imigrantes, o inesquevível doutor Vicente Bianco, nascido na vizinha Maripá de Minas e que viveu boa parte de sua vida em Bicas. Um legítimo "oriundi" que  bacharelou-se  em Ciências e Letras em 1908 e, em seguida concluiu o curso de medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Na então capital federal, foi professor e vice-diretor do Ginásio Pio Americano por algum tempo. Retornando a Bicas, assumiu as funções de professor, inspetor escolar, gerente de banco, funcionário da Estrada de Ferro Leopoldina e durante muitos anos, médico respeitado e querido por todos. Foi o primeiro agente executivo (prefeito) e presidente da câmara, prefeito e duas vezes vereador. E, além de ter sido um homem público respeitado e um grande líder político, foi um dos responsáveis pela emancipação do município de Bicas. "Gigante da Emancipação", registra Fued Farhat em seu livro "Recantos da Mata Mineira". Oriundi da gema. Filho do comerciante de "secos e molhados" Francisco Bianco, que nos faz lembrar os tempos da roça:
     - Menino, corre no valo e prende o cavalo. Arruma a charrete, antes das sete. Se ajeita no banco. Vai no Chico Bianco e compra fiado, um bico de arado, macarrão espaguete, sal, isqueiro e canivete. Na padaria do Varanda, de boa quitanda, veja se acha: cubu, cavaca e bolacha. 
                                              
                                            José Luiz (Luja) Machado Rodrigues - 02.01-16

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

SÃO JOÃO NEPOMUCENO

Bom dia!


          Desde muito anos tinha eu a curiosidade de saber de onde viria o nome desse santo que é também o nome de nossa vizinha SÃO JOÃO NEPOMUCENO. Como acredito que muitos compartilham de minha ignorância quanto ao tema, a providência resolveu o nosso caso.
       Tenho feito viagens constantes à BICAS nos últimos dois anos, devido a mudança de meus pais de volta para nossa cidade natal. Não dispondo de transporte próprio e fazendo essas viagens de ônibus, ocorre que tenho companhia variada a meu lado.
       Eis que, numa dessas ocasiões, fui brindada pela Providência com MARIA DO CARMO SOBREIRA. Não a conhecia nem de rosto nem de nome. Foi realmente providencial porque era um evento excepcional para ela a viagem de ônibus. Não sou muito dada a conversas das quais não posso escapar, o que é o caso do transporte público, mas, nesse caso, foi um encontro mais que frutífero: foi prazeiroso. Foi até mesmo emocionante e curioso. 
        MARIA DO CARMO vem a ser a autora de dois livros que nos dizem respeito. Esse que vocês vêem logo aqui abaixo esclareceu tudo que eu precisava ver esclarecido em relação ao santo que deu nome à nossa vizinha SÃO JOÃO. Nesse caso, o NEPOMUCENO.

                                                    



       O seguinte, que também é muito interessante para todos nós, estudiosos da história da região, vocês podem ver também logo aqui abaixo:




Ao escrever sobre o tema, o fez ampla e minuciosamente, visto que incluiu aí inclusive nossa querida capelinha DE BOM JESUS DOS MACHADOS. Transcrevo para você leitor, a íntegra do pequeno capítulo:

CAPELA BOM JESUS DOS MACHADOS
(1953)

Localiza-se no distrito de Carlos Alves, que pertence ao município de São João Nepomuceno, ficando a mais ou menos trinta e cinco quilômetros de distância.
Machados é conhecido popularmente por Curral pelo fato de serem organizados rodeios num grande curral lá existente e que atrai muita gente em época de festas. Devido à maior proximidade com a cidade de Bicas, situada a dez quilômetros, Machados é assistida pelos sacerdotes daquela localidade.
Os católicos da Fazenda dos Machados iam frequentemente a Congonhas visitar on santo padroeiro Bom Jesus de Congonhas. O lavrador ARLINDO FLORENTINO, um dos moradores do povoado que sempre acompanhava as romarias, por receber uma graça, resolveu doar um terreno para a construção de uma Capela a qual teria como padroeiro Bom Jesus e receberia o nome de Capela do Bom Jesus dos Machados, alusão ao Bom Jesus de Congonhas.
Entre o lançamento da pedra fundamental e a inauguração da capela, transcorreram-se oito anos. Durante todo esse tempo, Arlindo dedicou-se à construção, arrecadando doações e pedindo a ajuda de toda a comunidade.
Finalmente, no dia 14 de setembro de 1953, dia do padroeiro da igrejinha, ela foi inaugurada, e a primeira missa celebrada pelo Padre Henrique Neves Júnior.
O povoado teve um grande desenvolvimento após a construção da igreja, onde foram celebrados vinte e tres casamentos simultâneamente, numa certa ocasião.
Ao lado da capela foi construído um salão de festas espaçoso e modernamente equipado. Foi construída a Escola Pública, implantado o posto de saúde ARLINDO FLORENTINO DE SOUZA e criado o CENTRO COMUNITÁRIO MARIA DOUSSEAU DE SOUZA.
Com o passar do tempo, o povoado foi sofrendo uma evasão progressiva dos moradores, e a igrejinha encontra-se hoje práticamente solitária no meio da vegetação, embora ainda seja visitada na época das festas do seu padroeiro.
Toda a documentação referente à Capela Bom Jesus dos Machados encontra-se na Paróquia de Bicas, aos cuidados do pároco atual.

DEPOIMENTO: ALMIRA DE SOUZA / Profissão: professora aposentada.
Local e data de nascimento: Argirita (MG) - 24 de setembro de 1934.

OBS: Todos os grifos em vermelho foram feitos por mim, autora do blog.



Maria do Carmo: meus agradecimentos, em nome de toda nossa família, pelo seu trabalho que muito nos honra.

Aproveito a ocasião para divulgar para todos vocês, queridos leitores e, principalmente, aqueles dentre vocês que moram nas imediações de São João Nepomuceno, outro belíssimo trabalho de MARIA DO CARMO. Ela criou o "EMPÓRIO DE LIVROS SANTA BÁRBARA". Trata-se simplesmente (porque todas as iniciativas importantes são verdadeiramente simples...) de levar o acesso aos livros de fato ao alcance da população, em nossas cidades que não dispõem de livrarias e nem mesmo, na maioria das vezes, de uma mera banca de revistas e jornais. São livros usados, de todos os gêneros, vendidos a preços verdadeiramente simbólicos. É um Empório itinerante. Depende apenas de pequenos espaços e alguns voluntários para levá-lo aonde for aceito e desejado. SÃO JOÃO, BICAS, ROCHEDO, ROÇA GRANDE, TARUAÇÚ, CARLOS ALVES, MARIPÁ, GUARARÁ, ARGIRITA, etc... etc... etc... Alguém se habilita? Em caso positivo, deixe no espaço abaixo, reservado aos comentários, um meio de contato. Comprometo-me pessoalmente a repassar para ela. 


Ora... Sabemos nós todos que o livro é "remédio para a alma". E  sempre muito me espantou que, em nossas cidades cheias de farmácias, nos faltem livrarias... Concordam? Sim, temos nossa muito boa biblioteca pública. E temos também a brilhante iniciativa do Supermercado Santo Antônio. Isso no caso de BICAS. Mas alguém duvida de que livro... nunca é demais? Existe alguma acessibilidade de qualquer tipo nas pequenas cidades vizinhas? Não? Então agora podem ter...



Esclareço: é uma iniciativa ABSOLUTAMENTE sem fins lucrativos, oriunda somente da paixão pelos livros de MARIA DO CARMO, assim como de particularidades de sua história pessoal. A hora é essa! 



Até breve!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

NOTA DE FALECIMENTO

       Comunicamos a toda a família o falecimento ontem, no RIO DE JANEIRO, de FRANCISCO (DOUSSEAU) DA COSTA, irmão de nosso querido e saudoso ÉDSON (DOUSSEAU) DA COSTA, carinhosamente chamado de MANINHO. Ambos filhos de FRANCISCA GUILHERMINA (DOUSSEAU) DA COSTA (tia NINI) que, por sua vez, era uma das filhas de ANNET e SUZANNA.
        Minha amada vó MERITA  o chamava de COLITA ninguém sabe o porque. Não cheguei a conhecê-lo, mas foi a ele que o sr. MANDRAL recorreu, por telefone, na única vez em que estivemos juntos, à fim de tentar me ajudar com alguns esclarecimentos genealógicos.
        Seu sepultamento ocorrerá hoje, em BICAS.
        Fica aqui meu abraço a todos aqueles que conviviam com ele e que certamente sentirão sua falta.

                                                  
FONTE: ARQUIVO DE FAMÍLIA.

     

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CAMINHO PARA A BELA ALIANÇA

       Bom dia a todos! Há muito tempo desejava fazer esse post nada "sério". Ou melhor, o post até que é. Quem não é, nem um pouquinho, é meu irmão RENATO. 
     Você, que leu meu livro e acompanha meu blog, sabe bem de minha paixão e encantamento pela fazenda BELA ALIANÇA. NICOTA e HARITOFF habitam meu imaginário, assim como os nossos franceses que por lá passaram, contemporâneos deles. Mas essa história vocês já conhecem. 
     Devo dizer que encontrar a BELA ALIANÇA não é tarefa fácil. Aliás, devo dizer que isso ocorre com a maioria das propriedades rurais. Como faz falta um endereço com bairro, rua e número! 
     Sendo assim, mesmo que logo nos meus primeiros passos na pesquisa tenha se imposto a necessidade de conhecer "minha BELA", não fazia a mínima ideia de onde exatamente ela se localizava e muito menos de como lá chegar. 
     Naqueles anos, meu irmão caçula, RENATO, ainda trabalhava para o Fedex, o que o obrigava a constantes pequenas viagens por nosso estado do RIO DE JANEIRO. 
     Um dia, por ter conhecimento da importância da BELA ALIANÇA para mim e tendo um tempo de sobra... resolveu procurar. Saiu de seu caminho habitual e pergunta daqui, pergunta dali, pergunta dacolá... achou! 
      Para que eu pudesse então também localizá-la, de forma mais fácil do que foi para ele, desenhou o mapa abaixo, que compartilho com vocês. Na verdade, o dito cujo é a razão desse post. Porque eu nunca vi um mapa mais criativo, bem humorado e detalhado em minha vida. Para isso é mister, é claro, observar bem de perto e com boa disposição...
      Usei-o uma primeira vez, e chegamos direitinho. Sem precisar pedir nenhum informação. Você acredita nisso? O Google Maps que não nos ouça, com toda sua tecnologia via satélite... 
      Algum tempo depois, tive oportunidade de, através dele, guiar as irmãs BONIMOND MOUTY (Lalá, Fafau e Gracinha) no rumo daquela maravilha. E quem nos salvou? O mapa! Mas preciso confessar que em meio a muitas e muitas crises de riso! 
      Então aqui está ele. E aproveito para dar uma dica para aqueles que se dispuserem a segui-lo: no final do arco-íris, o "pote de ouro" contém, além da magnífica BELA ALIANÇA, sua atual e gentilíssima proprietária, MARIA LUIZA LEÃO, e seus caseiros igualmente gentis, HÍLIO e ROSA. 
      Se chegarem até lá, não deixem de lhes transmitir meu eterno muito obrigada, assim como minha admiração pelo tanto que tentam conservar, material e históricamente, tamanha preciosidade afundada no nosso igualmente precioso VALE DO PARAÍBA.
      BOA VIAGEM!





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

90.000 VISITAS!!!!