quinta-feira, 12 de setembro de 2013

FAMÍLIA RENAULT

     Com os olhos e os ouvidos sempre atentos aos sobrenomes franceses de BICAS e arredores, desde o começo de minhas pesquisas quiz saber a origem dos RENAULT biquenses. Tanto eu quanto meu pai tivemos professoras dessa família, no LICEU. No meu caso, minha xará MARLY. No caso dele, a mãe desta, NELLY. Sabia ser muito improvável que tivessem alguma relação com os imigrantes perigordinos, até porque esse nome não consta de minhas listas de passageiros pesquisadas. Mas prosseguia intrigada. Assim como ainda me intrigam outros nomes que andam por nossa BICAS, como CORTAT, CAVÉ (ou CALVET), BOUSQUET e alguns outros poucos. 
     A internet é mesmo a maravilha das maravilhas. E foi através dela, num grupo do FACEBOOK chamado MINEIROS DE BICAS que reencontrei essa minha professora de infância. Mais especificamente, da 2ª série. Estabelecemos uma troca descompromissada de mensagens e e-mails, todos saudosistas, é claro. Mas também muito agradáveis, devido a uma simpatia nascida entre duas mulheres já bem adultas. E foi assim que acabei enfim por ter conhecimento da maravilhosa história atrás do sobrenome RENAULT. Como a de tantos outros imigrantes independentes. Com a autorização de MARLY RENAULT ADIB, trago para vocês essa história. Espero que gostem e se encantem. Como eu me encantei.
     Obrigada, MARLY. Ops... merci! Merci beaucoup! 
     

                                                            




Para ter acesso à publicação, cole no seu navegador o link abaixo:

http://virtualbooks.terra.com.br/v2/ebooks/?idioma=Frances&id=00330

O site permite que você obtenha a tradução instantânea através de um programa  que é possível  baixar na hora.

        Caso você prefira, pode entrar em contato pelo meu e-mail (mmmayrink@hotmail.com), que eu mando o arquivo já traduzido, ok?


                                                   BOA LEITURA!

                                                       
                                                           

terça-feira, 10 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MADE IN FRANCE

Ainda no espírito encantado do mês passado na França, a maior parte dele no PÉRIGORD de nossos bisavós, deixo para outra ocasião o relato minucioso dos momentos que vivemos, eu e nossa prima FATINHA, filha de minha tia-avó LUZIA DOUSSEAU FILGUEIRAS. Às vezes acho que nem terei ânimo para contar tudo, tamanha foram as enormes e profundas emoções que se seguiram umas após as outras quase que ininterruptamente. Mas me comprometo a pelo menos tentar, qualquer dia desses. Por hoje, só um pouco do que vivemos. Através de fotos, apresento a vocês alguns de nossos primos "made in France". Que me abriram as portas de seus lares e de seus corações. Tanto quanto lhes abri o meu. E deixo publicamente meu MUITO OBRIGADO, esperando um dia, quem sabe, poder receber a todos no BRASIL.

                                              
COM ISABELLE E LÉO, no AEROPORTO DE BORDEAUX.

                                     
                                              
COM NICOLE, no CHATEAU DE LOSSE

COM MATHILDE, em PLAZAC.
COM DENIS, FATINHA e NICOLE MANCINI, esposa de DENIS, no GOUFFRE DE PROMEYSSAC
COM JOSI e FATINHA no LARDIN
COM DAVID, STEPHANIE, NICOLE, GABI (noiva de NICOLAS), PAUL (marido de NICOLE) e VIRGINIE
CHLOÉ e PAUL (marido de NICOLE), em PLAZAC.


ISABELE e CHRISTOPHE, no LARDIN.
LUCIEN, no LARDIN
JEAN PAUL, no LARDIN
NICOLAS com sua noiva, GABI ,em PLAZAC.

Todos juntos, num de nossos inesquecíveis encontros à mesa, no LARDIN
                                               
    E agora não posso deixar de incluir aqui dois casais de amigos que meu coração já incluiu há muito tempo no rol dos "primos": PASCALE e PASCAL LAGAUTERIE. JEAN MARC e MAURICETTE BAYLE.  Estão profunda e completamente relacionados aos imigrantes perigordinos e seus descendentes. Com suas portas sempre abertas. À eles também, meu MUITO OBRIGADA.

                                                  
JEAN MARC, PASCAL, PIERRE (seu filho), MAURICETTE, PASCALE e eu. Em SAINT CRÉPIN d'AUBEROCHE


As fotografias tem créditos diversos, que incluem FATINHA, ISABELLE, PASCALE, NICOLE Le CANNE e NICOLE MANCINI. 


terça-feira, 23 de julho de 2013

FAZENDA MONTE CRISTO

Olá. À  muitos e muitos anos, desde os primórdios de minhas pesquisas, venho "caçando", sistemática e insistentemente, fotografias antigas da FAZENDA MONTE CRISTO. Se é que existe alguma. Umas poucas testemunhas afirmam que existem, porque já viram ou ouviram falar. Onde estão e com quem... já são "outros quinhentos". Passei anos contentando-me com as poucas fotos das ruínas do que um dia foi o "Eldorado" de nossos bisavós ou, melhor dizendo, de seus contratadores. Ao menos num primeiro momento. Até que, recentemente, alguns membros do grupo "Fazendas Antigas", do FACEBOOK, informaram que a venda dessa fazenda (mais uma vez!), estaria sendo anunciada por uma imobiliária de JUIZ DE FORA. Anúncio devidamente repleto de fotografias. Atuais, infelizmente. Mas que, na falta de outras, mantém para nós descendentes perigordinos vindos no VAPOR ORENOQUE, um encanto indizível. Alguma coisa de memórias suficientemente poderosas que foram capazes de ultrapassar mais de um século (na verdade quase um e meio...) de total obscuridade. Vamos a elas, então. Contente-se em esquadrinhar a primeira delas, que ainda guarda uma espécie de represa de pedras, canalizando as  águas do AÇUDE MONTE CRISTO, construída por escravos. Porque por aí também passaram nossos bisavós... FONTE: ANTENOR IMÓVEIS.

                                                                        







                                                                            

sexta-feira, 19 de julho de 2013

14.000 VISITAS!

         
                                                                       

quinta-feira, 18 de julho de 2013

RUÍNAS DO ANTIGO DISTRITO DO SACO/MANGARATIBA

     

         Com o declínio da cana de açúcar no século XVIII, a descoberta do ouro e o ciclo da mineração no interior do país, intenficou-se a abertura de caminhos entre o planalto e o litoral sul fluminense, por onde os metais preciosos eram exportados após vencer os contrafortes das serras, pelos portos de PARATI e ANGRA DOS REIS.
         Nesse momento foi fundado o povoado de SÃO JOÃO DO PRÍNCIPE, posteriormente denominado SÃO JOÃO MARCOS, que surgiu em 1733, na SERRA DO PILOTO, e é exemplo de um município que foi fundado em função de um caminho entre o planalto e o litoral, com rebatimento direto na estruturação do espaço urbano mangaratibano. Segundo FRIEDMAN, a abertura de estradas proporcionava sesmarias ao executor em troca de serviços prestados bem como isenção do serviço militar, provilégios fiscais e imunidades no campo judicial.
        Essa abertura de caminhos ampliou o contato entre o VALE DO PARAÍBA e o mar e se constituiu em oportunidade de negócios ligados ao café e à comercialização de escravos por parte de alguns colonizadores portugueses e de agentes privados locais.
        Em MANGARATIBA, o grande fazendeiro JOAQUIM JOSÉ DE SOUZA BREVES, intitulado rei do café e envolvido no comércio ilegal de escravos após 1831, possuía armazéns da rubiácea e trapiches estabelecidos na PRAIA DO SACO, em MANGARATIBA. ANTÔNIO PEREIRA DOS PASSOS, outro grande fazendeiro da região de SÃO JOÃO DO PRÍNCIPE, no alto da serra, agraciado pelo IMPERADOR D.PEDRO II com o título de BARÃO DE MANGARATIBA, também possuía armazéns estabelecidos na região do SACO, distrito comercial de MANGARATIBA. JOÃO JOSÉ DOS SANTOS BREVES & C JOSÉ ELOY DA SILVA PASSOS, MANOELA JOSÉ FERNANDES PINHEIRO & C, MATOS & C, são nomes de algumas das empresas que figuram  em quase todas as edições do ALMANAK LAEMMERT, estabelecidas no município de MANGARATIBA. PRADO JÚNIOR também cita LUIZ FERNANDO MONTEIRO, BARÃO DE SAHY, grande fazendeiro da região que possuía um solar no largo da matriz, o SOLAR BARÃO DE SAHY, onde hoje funciona a FUNDAÇÃO MÁRIO PEIXOTO, órgão da PREFEITURA DE MANGARATIBA, que resgata a história local. 
        O COMENDADOR JOAQUIM JOSÉ DE SOPUZA BREVES, morador de MANGARATIBA,  proprietário de fazendas em SÃO JOÃO MARCOS MARCOS e comerciante ilegal de escravos, chegou a somar um contingente de cerca de 6.000 negros africanos escravizados em suas mãos. O mesmo construiu, no final do século XIX, o CAMINHO DO CONGUINHO, ligando suas terras ao SACO DE MANGARATIBA, com o objetivo de ampliar seus negócios. No mesmo período, a ESTRADA IMPERIAL foi aberta, atravessando a SERRA DO PILOTO e ligando MANGARATIBA AO VALE DO PARAÍBA. Ainda hoje o calçamento em pé-de-moleque dessa estrada e as ruínas no ALTO SACO DE MANGARATIBA são testemunhas da riqueza produzida no período e da consolidação de uma elite de produtores de café e comerciantes de escravos.
       A elite daquela época fomentava uma agitada vida cultural, com a construção de residências, armazéns, trapiches e um teatro, onde na primeira metade do século XIX ocorriam apresentações de peças teatrais, como as encenadas pelo ator JOÃO CAETANO entre os anos de 1833 e 1834. Ressalta-se que o estado de conservação da ESTRADA IMPERIAL  e das RUÍNAS DO SACO é precário, colocando-se em risco a manutenção desse patrimônio cultural colonial.
       Com relação ao papel do COMENDADOR BREVES, LIA MACHADO destacou que ele contruiu, à época, um porto de embarque de café, e outro de desembarque de escravos na RESTINGA DA MARAMBAIA, com isso canalizando uma grande parte da produção regional. O desembarque dos africanos escravizados acontecia na PRAIA DO SAHY, onde hoje se encontram as ruínas das fazendas de engorda. O único imóvel conservado é um casarão de pedras, enclausurado dentro do condomínio RESERVA ECOLÓGICA DO SAHY. As rochas que compõem as ruínas que estão na praia são retiradas para a construção de churrasqueiras e a empresa concessionária da linha de trem de ferro construiu um muro que dificulta o acessco á área das ruínas. 
FONTE: ANDRÉ LUIS SABINO - PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA   
                                                    HUMANA DA USP.


                                                                 


















FOTOS: MARLY MAYRINK
      

terça-feira, 25 de junho de 2013

13.000 VISITAS! OBRIGADA SEMPRE!!!

       



                                                                     

domingo, 23 de junho de 2013

QUANDO A REALIDADE AINDA NÃO PERMITIU... A GENTE INVENTA. A GENTE SONHA.

           A paixão enorme pelo trem é coisa que atinge "meio mundo". Ou "todo mundo", se considerarmos BICAS e todas as cidades que, como ela, respiram a fumaça de locomotivas que não mais trafegam. Escutam os apitos de locomotivas que por ali não passam mais. Embarcam em sonhos e memórias quando o presente não dispõe de trilhos que nos levem a algum lugar. 
          Compartilho dessa paixão até meu último fio de cabelo. Como já disse aqui e ali, inúmeras vezes, sou neta, filha, sobrinha, prima e irmã de ferroviários. Não um avô: os dois. Não um tio: mas dois. Não um primo, mas tres. Não um irmão, mas os dois queridos que a vida me deu. E foi um deles, AMARILDO, que mais uma vez me fez embarcar. Numa delícia de viagem para a qual quero convidá-los. Nossos bisavós DOUSSEAU chegaram de trem a BICAS, já em 1885. Na mesma estação que, graças mil vezes a Deus, deixaram quase intacta através dos anos. Estação de mil memórias pessoais e familiares. Estação anexa às extintas oficinas e ao extinto e onipresente LICEU. Digamos que tudo isso compunha "a alma de BICAS". E mesmo hoje está ali, zelando com inteiro comprometimento pelo MUSEU FERROVIÁRIO DE BICAS, nossa prima historiadora e também ligada à ferrovia "pelo umbigo", ROSÁLIA MAYRINK CORRÊA. Então, posto isso, tendo a certeza de que vocês poderão entender a sensação que me acometeu ao ver o que se segue. A sensação de, ao menos virtualmente, termos, como cidadãos biquenses, recuperado "a alma". Porque é preciso dizer: essa minha realidade familiar é também a de quase a totalidade dos habitantes de BICAS.  E recuperarmos também um pouquinho da vida de cidades que até MONTEIRO LOBATO um dia foi obrigado a classificar como mortas. Por razões  outras mas com resultados idênticos.
         Vamos embarcar? Todas as composições fotográficas são de autoria de AMARILDO MAYRINK. E posso imaginar seu prazer, debruçado no computador, enquanto criava asas... E, no meio disso tudo, o emocionante poema que lhe foi dedicado muito recentemente em função disso. Agradeço enormemente ao autor, HUMBERTO CARINO MOREIRA, e lhe parabenizo porque o poema é, de fato, inspirado e competente. Enfim... vocês dois foram ótimos! MUITÍSSIMO OBRIGADA! Começo de viagem, então:


                       O trem, chegando de SANTA HELENA, está passando pelo BAIRRO
                            SANTANA. Está prestes a chegar à ESTAÇÃO DE BICAS.


                                                                 

                                                            
                                                                           

               
                                   Agora, ele já está parado na ESTAÇÃO DE BICAS.

                                                               
                                                     

                                                               
             Vindo agora de ROCHEDO DE MINAS, ele está passando pelo BAIRRO DA RETA.


                           
                                                                        
             
                          Já parou de volta na ESTAÇÃO DE BICAS e volta para SANTA
                                         HELENA, pelo mesmo BAIRRO SANTANA.
                                        

                                                                           
                                         


           Mas então... vendo essas maravilhas, alguma coisa ficou me faltando. Quase doendo na alma. Gritando  para ressurgir. O que? Meu "amado idolatrado salve salve" vagão de madeira!  E então... ei-lo que surge! No mesmo BAIRRO SANTANA. Saindo da ESTAÇÃO DE BICAS em direção a SANTA HELENA. Garanto a vocês: embarquei nele. Obrigada pela viagem,      AMARILDO!

                                                                
                                                                    



              Para fecharmos essa postagem com chave de ouro e bilhantes, o lindíssimo poema de 
HUMBERTO CARINO MOREIRA, "como uma pequena homenagem a todos que, de alguma forma, preservam a memória da ferrovia". Em suas palavras:


                                         Corre pelas bocas
                                         Que há um Trem rodando em Bicas,
                                         Trazendo vagões de outro tempo,
                                         Sobre firmes novos dormentes,
                                         Uma saudade nada passageira...

                                         Corre pelas bocas
                                         Que há homens suando em Bicas


                                         No trabalho de não deixar morrer
                                         A memória desse Trem...

                                         Sonho que em meio à fumaça e fuligem
                                         Vive num ciberespaço de nuvem,
                                         Em trilhos fincados num link
                                         Uma composição pop art nouveau
                                         Com partida de um coração Mayrink
                                         E chegada na mente de um Dousseau.

                                      

terça-feira, 18 de junho de 2013

PENSANDO SOBRE A IMIGRAÇÃO

     Trago hoje para vocês as reflexões de ISABEL (AUDEBERT) PINTO sobre a questão da imigração. É interessante que todos pensemos, ainda que as conclusões a que cheguemos nem sempre sejam as mesmas. Aliás, nem sei se a História, com "H" maiúsculo, tem "conclusões". É  sempre "a vista a partir de um ponto". Ou, como costumamos apelidar, "um ponto de vista". Por isso vamos coletando aqui e ali, árduamente, fotos, cartas e documentos. Para ao menos nos aproximarmos da visão do que de fato consiste o drama da imigração. A que se mantém até nossos dias e a de nossos antepassados franceses do Périgord. Obrigada por dividir conosco suas percepções, ISABEL. Boa leitura a todos!


        "A partir de 1870, com o comércio internacional do café e o acúmulo de capitais oriundos desta atividade, muitos fazendeiros brasileiros (cafeicultores) buscaram imigrantes em toda a Europa e, para tanto, conseguiam enormes quantias do governo brasileiro para subsidiar a mão-de-obra assalariada.
         É sempre bom lembrar que até 1850, quando ocorreu a vedação de contratação de imigrantes sem famílias,  para cá vieram muitos mercenários - condenados na Europa. Uma ralé - se é que podemos dizer assim - da pior espécie, que não costuma ser mencionada nos "artigos genealógicos". Mas, essa é outra história, afinal o nosso país acolheu degredados por mais de 300 anos. Só era permitida a introdução de imigrantes com suas famílias, geralmente pais, irmãos e filhos
        O certo é que no ciclo do café, tais fazendeiros foram subsidiados pelo governo imperial.  As quantias que recebiam eram altas, suficientes para que custeassem as passagens dos imigrantes e suas famílias nos navios - embora de terceira classe - além do transporte para as fazendas. 

                                              
                                      FONTE: WEB
       

     Eu consegui os relatórios das despesas do governo de 1880 em diante com os imigrantes. Uma fábula. O Império estava se desmoronando. Os "barões do café" (que adquiriram o título pagando caro) contrataram muita gente.
       Na verdade, veio muita gente de Portugal mesmo. Mas, ninguém fala disto. Um pouquinho portugueses nós também já éramos. 

                                            
                     GLI EMMIGRANTI - de ÃNGELO TOMMASI - 1895

 Quando meu bisavó português (MANOEL PEREIRA GOMES)  veio para cá, em 1870,  no mesmo navio havia cerca de 88 portugueses imigrantes. 
      O Brasil é assim. 
      Até hoje, embora em 1930 o governo tenha cortado qualquer  subsídio, a imigração não parou.
     Recentemente, vi uma matéria sobre a "mão-de-obra" dos bolivianos (cerca de 300 mil no Brasil -  50 mil só em São Paulo). Tratava do trabalho escravo nas lojas e fábrica de roupas de São Paulo. 
     Eles são explorados por quem? Pelos coreanos..... Imigrantes que começaram a chegar aqui por volta de 1960 e já são mais de 40 mil só em São Paulo.
     Nova "onda" imigratória bem recente é dos haitianos - todos refugiados - que ao chegar em nosso solo, recebem não só uma carteira de trabalho, como dinheiro, alimentação e hospedagem, ainda que precárias. 
     Recentemente, soube que um supermercado de Brasília contratou 5 haitianos. Na mesma ocasião, teria demitido pelo menos uma funcionária (brasileira), com a justificativa que deveria abrir mais vagas para os estrangeiros. Se  verdadeira a informação há sério risco de um impacto no mercado de trabalho.
    Deixo registrado, que pessoalmente não tenho nenhum preconceito.
    Não apoio nenhuma ideia de expulsão, como a que ocorreu na França em 2011, com a expulsão de mais de 32 mil imigrantes.

    Enquanto que os EUA e a Europa estão expulsando novos imigrantes, o Brasil tem sido visto como novo destino para melhores oportunidades de trabalho, tanto para estrangeiros que possuem propostas profissionais quanto para os que não possuem proposta e nem visto para entrar em nosso país.
   QUE VENHAM!!!!!!!!!!!
   Já era assim no passado.
   O que eu não gosto é que o nosso país ainda seja retratado por algumas "potências europeias", como uma grande SENZALA. Não é verdade! Existe trabalho escravo?  Claro que sim, mas essa não é uma chaga brasileira. Basta ver nos relatórios da OIT. 
  No nosso país, ainda tem muito trabalhador safrista sendo recrutado para ganhar abaixo do salário-mínimo, vivendo em galpões sem higiene e, em péssimas condições. Várias denúncias do Ministério Público são feitas todos os anos.  
  Mas, e na Europa? Ano passado a BBC informou que aproximadamente 270 mil pessoas eram vítimas de trabalho escravo na Europa. 
  Enfim, nosso país não está sozinho.
  Só para descontrair, eu também sou uma migrante. Não foi minha opção. Mas, de meus pais.   
  Pai potiguar, que morou no Rio de Janeiro por mais de 25 anos,  "apostou" na NOVA CAPITAL:  BRASÍLIA.
  Meu pai contava que, quando optou por morar definitivamente em Brasília, seus colegas do Rio diziam que ele ia virar "índio", que iria comer "muita poeira". 
  Ele veio com a família toda.  Chegamos aqui a tempo para comemorar os 15 anos da cidade.
  Quem "apostou" em Brasília - e veio para cá com a intenção de trabalhar e estudar-  se deu bem. 
  Hoje, saiu uma reportagem na REVISTA VEJA. O grau de satisfação de quem mora aqui é grande.  
  Dificuldades? Nossa foram muitas nos primeiros anos. Mas, superamos todas.   
  Meus ancestrais em linha reta- tanto paternos como maternos- foram todos migrantes. De uma região para outra dentro de um mesmo país, ou mesmo para outro país .... Sempre em busca de "novas oportunidades". E, ninguém voltou para o local de origem, embora todos, sem exceção,  tivessem mantido os laços com suas "raízes".
  Acho que é isto que, para mim, faz a diferença na minha família, onde numa mesma mesa já se reuniram (e ainda reunem) cariocas, paulistas, mineiros, goianos, potiguares, paraibanos, brasilienses, portugueses e franceses. Todos acolhidos e respeitados em suas diferenças.  
  Pelo que eu pesquisei - nenhum dos meus ancestrais em linha reta nasceu e morreu na mesma cidade - em mais de 200 anos. 
Penso que isso  possa ocorrer nas próximas gerações (meus filhos e netos). Mas, só o tempo virá a confirmar minhas suspeitas, já que  estamos ainda na primeira geração nascida em Brasília, sendo ainda muito prematuro de minha parte afirmar que meus filhos não seguirão o mesmo caminho trilhado por seus ancestrais.... Afinal, um velho ditado diz que "filho de gato nascido no forno, não é biscoito. É gatinho!".

                                          
FOTO: MARLY MAYRINK

terça-feira, 4 de junho de 2013

MERITA DOUSSEAU

      Mais uma vez tenho o prazer de postar um "milagre". Fruto de minha viagem a IPATINGA, para conhecer melhor nossa prima MARIA DE FÁTIMA (DOUSSEAU) FILGUEIRAS ROCHA, a Fatinha, filha de nossa tia LUZIA DOUSSEAU FILGUEIRAS. A irmã caçulinha de minha avó MERITA DOUSSEAU DUQUE. 
         A tempos atrás, logo após ter estado lá, no mês de Fevereiro, postei aqui mesmo nessa página uma foto inédita de minha avó, lindinha  demais com seu chapéuzinho... Dessa mesma viagem, fruto da garimpagem de FATINHA em seus álbuns antigos, deparamo-nos com essa maravilha que trago hoje. Vocês hão de perguntar: porque tanto tempo depois?? Então vamos às explicações. A dedicatória no verso da foto (veja abaixo) mais confundia que esclarecia de quem se tratavam as ditas mocinhas. Num primeiro momento, acreditei que que as iniciais M D que assinam se referiam a MARGARIDA FILGUEIRAS, esposa de SEBASTIÃO DOUSSEAU. Enviei a foto anexada para a neta dela, SIMONE DOUSSEAU, por e-mail, pedindo que a apresentasse a sua avó e que esta dissesse se era ela ou não. A resposta negativa foi taxativa. Mesmo tentando atender ao meu pedido, não pode reconhecer nenhuma das três. Ora, SEBASTIÃO era um dos filhos mais novos de ANNET e SUZANNA. MARGARIDA, sua esposa, nem chegou a conhecer uma ou duas das irmãs DOUSSEAU (ALICE e outra MARGARIDA) que faleceram antes que ela viesse a namorar com tio TIÃO. 
       Fiquei então num impasse: a quem perguntar, já que não resta mais ninguém da geração filhos, filhas, genros e noras de ANNET e SUZANNA?????
       Um dia, já no mês de Abril, acordei de súbito com a foto em minha cabeça e o nome: MERITA DOUSSEAU. MD. Simples assim. Daí em diante foi só ampliar o rosto nas duas fotos (a menina com a boneca que posto hoje e a do chapéuzinho que postei em fevereiro) e constatar que eram a mesma linda menina. Não satisfeita, revirei cartas antigas de minha avó e constatei também a identidade da letra. Considerando é claro as décadas transcorridas entre uma e outra. E considerando-se também que a menininha que escreve a dedicatória nem ao menos sabia escrever direito, ainda...
       E porque ainda então não a publiquei? Porque desejei demais identificar as outras duas mocinhas. Nesse feriadão de Corpus Christi estive em BICAS e apresentei a foto aos meus tios SERRAT e ANNET (NEZINHO). Nada. Procurei insistentemente por nosso primo ÉDSON (MANINHO) e sua sempre tão disponível esposa ENY. Não foi possível encontrá-los. 
      Sendo assim, resolvi não adiar mais a publicação. Direi, abaixo da foto, as conclusões a que cheguei. Pelo menos até prova em contrário. Sua opinião a respeito seria muito bem vinda. 




                                                                                 


                                                                                      



     Entendo agora que as pessoas na foto são MARGARIDA MARIA DOUSSEAU (provávelmente a da direita), FRANCISCA GUILHERMINA DOUSSEAU (ou NINI, provávelmente a do meio) e aquela que assina, MERITA DOUSSEAU, minha mais que querida avó, na foto com uma boneca no colo. Entendo também que quem escreveu a dedicatória foi ela, que também a assinou com suas iniciais.
     MERITA nasceu em 1916, sendo provávelmente a sexta filha de ANNET e SUZANNA.
     FRANCISCAGUILHERMINA nasceu em 1914, sendo provávelmente a quinta filha.
     A data de nascimento de MARGARIDA é desconhecida até o momento. Mas podemos afirmar que se deu entre 1910 e 1913. Eu apostaria em 1913. E ela seria então a quarta filha. 

     A madrinha a quem foi dedicada a foto?? Impossível saber. Lembro-me de já haver escutado, em minhas andanças dos tempos de pesquisa para o livro, que a mãe de SUZANNA, MARIE DELPÉRIER MANDRAL, era chamada por muitos de MADRINHA. 

     Comprometo-me a continuar averiguando todas essas possibilidades. E, caso novos indícios venham a ser descobertos, trarei ao conhecimento de vocês.

     Por enquanto deixo para vocês mais essa imagem de minha avó MERITA. Aquela que "fui chamada a buscar" em IPATINGA. Obrigada, FATINHA!