sábado, 15 de setembro de 2012

LÁPIDE DE FRANCISCA GUILHERMINA DOUSSEAU COSTA

No cemitério municipal de BICAS. Fonte: ARQUIVOS PESSOAIS.

                                                                

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA DOUSSEAU DE SOUZA.

Duvido que exista algum DOUSSEAU, da minha geração ao menos, que não conheça essa árvore genealógica (das verdadeiras!!!!), que enfeita até hoje a sala da fazenda dos MACHADOS. Desde  bem pequena, atraía minha atenção. Me fascinava, na verdade. Quando comecei minhas pesquisas, talvez tenha sido essa a "informação" que mais ouvi: "Na fazenda da tia MARIQUINHA tem uma árvore genealógica!". Sinal de que não foi só a mim que a danadinha encantou através dos anos...Por isso resolvi trazer para vocês. Fico devendo uma informação: quem a pintou??? Até me espantei porque só agora, exatamente agora, aqui, escrevendo, essa curiosidade surgiu... Talvez porque, como a vejo desde meus primeiros anos, tenha introjetado a ideia de que ela já tenha nascido ali. Prontinha. Coisas de criança e de quem, já não tão criança, guarda ainda intacta a mesma capacidade de "se encantar"... Compartilho com vocês, então.



                                                                              

                                                                                

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

NOTÍCIA NO JORNAL "A SEMANA", DE GUARARÁ, DO DIA 02-03-1899.

Em minhas últimas pesquisas por  jornais de GUARARÁ na BIBLIOTECA NACIONAL, encontrei exemplares microfilmados do JORNAL "A SEMANA". Transcrevo abaixo, para vocês,  um anúncio curioso e muito interessante, do ponto de vista da análise do dia-a-dia da sociedade da época. Leiam também!

                                      THEATRO GUARARENSE
                              Domingo, 5 do corrente.

          Estrea do Grupo de Amadores, com o importante drama em 3 actos e 3 quadros, do Dr.Pires de Almeida, intitulado

                 JOÃO BRANDÃO - O MATA CRIANÇAS

                                          DISTRIBUIÇÃO
Jorge de Almeida, Tenente do Exército                        - JOSÉ VIEIRA CAMÕES
Branca de Almeida, sua esposa                                     - D.JÚLIA COELHO
Valente, Recruta, Ordenança de Jorge                         - J.F.VIEIRA PRISCO
João Brandão, chefe dos salteadores                            - FRANCISCO DA SILVA DINIZ
Daniel Vargas, Agente de Polícia                                  - OSTIANO CUNHA
Pedra Portugal, Missionária                                          - LUIZ DE FREITAS
Corta-Pescoços, Salteador                                             - ANTÔNIO RETTO
Sete Fôlegos, Sub-chefe de Quadrilha                           - JOÃO CABRAL
Esfolador, Salteador                                                       - MENEZES DA SILVA NEVES
Fere Fogo, Salteador                                                      - OLAVO DE OLIVEIRA
Mata-Gente, Salteador                                                  - JOSÉ DOMINGUES
Coração de Bronze, Salteador                                       - FRANCISCO DE ANDRADE
Salteadores, Agentes de Polícia, etc...

             A ação passa-se em Portugal, nos últimos dias da Revolução de Setembro.

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             Os trabalhos de scenografia, são devidos ao exímio artista ANTÔNIO GRANADO.

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                        O ESPETÁCULO FINALIZARÁ COM

                          UMA  LINDA COMÉDIA

PREÇOS:

CADEIRAS: 2$000                            PARAISO: 1$000

                       ÀS 8 1/2 HORAS DA NOITE

AVISO: O Sr.PASCHOAL LAMOGLIA, emprezário dos bonds, attendendo ao pedido que lhe fez o grupo, fará carros extraordinários para BICAS, depois do espetáculo.

Nota: Nessa data, os bondes tinham sido recentemente inaugurados como concessão, num estranho reaproveitamento dos trilhos da ESTRADA DE FERRO GUARARENSE, de existência meteórica.
                                                      


                                                                   

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

LÁPIDE DE MARIA ODETE DOUSSEAU GUILHERMINO

No Cemitério Municipal de MARIPÁ DE MINAS. FONTE: ARQUIVOS PESSOAIS.


                                                                      

domingo, 9 de setembro de 2012

CARNEVALE EM PEQUERI

          Um dia ainda participo dessa festa! Ela acontece a poucos anos, é verdade, mas pode-se perceber pelas fotos e comentários que não para de crescer. Festa de alegria e confraternização. Pelo que pude perceber, somente a família SALLES sinalizando a imigração francesa. E devemos agradecer muito, afinal, sem a presença dela, não teríamos representação! Entretanto, somos muitos, em BICAS e toda a circunvizinhança! DOUSSEAU, MANDRAL, MALARD, LAMBERT, DELAGE, MOUTY... Isso assim, por alto. E não considerando os franceses que, por força do casamento com outras famílias de imigrantes, como os italianos, perderam o nome mas não a origem: GUILHERMINO, LAMARCA, BERTELLI, DOLAVALLE... E aquelas que já estavam aqui antes da "grande imigração"? Encontro em BICAS e arredores muitos patronímicos franceses que podem remontar ao tempo de MARLIÈRE. Ou serem tão somente imigrantes independentes.  Como seria bom reuni-los todos! Quem sabe sob uma bandeira franco-ítalo-brasileira! De qualquer forma, tenho muita esperança no futuro dessa festa, da qual até o nome é bonito: CARNEVALE! 
          E quero deixar aqui meu profundo reconhecimento a pessoa de JÚLIO VANNI. Somente com o correr dos anos e o esclarecimento cada vez maior de nosso passado de imigrantes, o valor dessa iniciativa será percebido em toda sua extensão. Como costuma acontecer com as idéias inovadoras. E que seja sempre uma festa do povo! Do descendente de imigrantes que hoje ocupa cargos eletivos, profissionais liberais ou industriais de sucesso, mas também do hoje operário. Do hoje ainda  lavrador. Do hoje artista. Do hoje educador. 
         Para vocês, duas belas fotos de RICARDO ROSSI, com meus agradecimentos. 

                                     REPRESENTAÇÃO DA IMIGRAÇÃO FRANCESA
                                                            JÚLIO CESAR VANNI                      

sábado, 8 de setembro de 2012

ENFIM, A TRANSCRIÇÃO PROMETIDA


Aí está amigos. Essa transcrição foi feita pelo Sr.FRANCISCO OLIVEIRA em seu blog, "O GUARARENSE". Sinceros agradecimentos.
O COMENDADOR ALIBERT



À MEMORIA DO SAUDOSO COMENDADOR
FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT
NO TRIGÉSIMO DIA DO SEU PASSAMENTO
A redação

        A homenagem que nosso pequeno hebdomadário presta, hoje, a Firmino Alibert é justa,é merecida,  porque ele foi, durante sua longa vida, a brandura, a lealdade, a tolerância, a misericórdia e o amor
        Todas as jaças que sua alma pudesse ter, desapareceriam diante deste esplendor: a humildade e a bondade, estema que lhe circundava a fronte como a de um apostolo. Quantos inimigos? Não os conhecemos! Quantos amigos? Que Deus o responda, somando as preces ardorosas que ascendem, extremes e incessantes, a seu Trono de Luz! Foi um esposo modelar: conhecemo-lo na intimidade de sua casa, pobre, mas alegre, humilde, mas honesta.
        Foi um pai afetivo e carinhoso: afirma-o, melhor que nós, o amor e respeito que lhe tributavam seus filhos. Foi um cidadão digno de suas duas pátrias gloriosas: a França e o Brasil. Se o homem perpetuasse a bondade nos bronzes, Alibert mereceria esse prêmio.
        Firmino François Alibert nasceu no dia 25 de julho de 1834, em Terrascon,  departamento de Dordogne, na França. Era filho de Antonio Al...... e de D. Maria Alibert.
        Veio para o Brasil com a idade de 27 anos, casando-se aos 65 com D. Germana Dezon. Durante os 55 anos que viveu no Brasil visitou 14 vezes a Europa, percorrendo-a quase, se não toda, e trazendo de lá várias famílias que trabalharam em sua fazenda e aqui depois se estabeleceram.
        Faleceu com 81 anos de idade, feitos aos 25 de julho do corrente ano. No antigo regime, foi amigo intimo dos principais homens políticos brasileiros, gozando também de grande influencia própria: na gestão dos negócios públicos do país.
        Eis, por deficiência de outros dados no momento, os traços principais do saudoso Velhinho para quem exortamos a Deus todas as graças.

SAUDADE
XX—XI—MCMXV
Affonso Leite

        Ao meu pranteado amigo, Comendador Firmino François Alibert, que, na sua passagem por este planeta, soube cumprir o seu dever, perante Deus e a humanidade; que foi um chefe de família exemplar, cujo caráter foi ilibado entre os mais puros; que foi um cidadão, um patriota, na expressão rigorosa desses vocábulos, cujo espírito clarividente agia sempre sob o influxo da mais lídima justiça; que foi um resignado, um confortado, em cujo intimo nunca a vaidade e a soberba tiveram guarida; que foi um generoso na opulência e um caridoso na adversidade, cuja valia estava á disposição dos desprotegidos da sorte; que foi um amigo leal e sincero, cujo coração magnânimo jamais mediu distância ou sacrifícios para beneficiar; a este amigo consagro nestas linhas o meu profundo pleito de veneração, respeito e saudade.


AO BOM VELHINHO
J. Paixão.

        "Je ne cherche pas la mort, mais, quand ele viendra. j'aurai beaucoap de plaisir"
        Eis uma frase predileta de Alibert, o velhinho adorável sobre cuja memória hoje desfolham as nossas imorredouras saudades.       
          E, como ele a enunciava, quão poucos serão capazes de o fazer!
        É que nesta sentença está feita a análise do crente fervoroso e do hora em triunfante das injustiças e das agruras do mundo.
        Alibert possuía os veros predicamentos que constituem o filósofo: a paciência, a coragem e o amor à justiça. Ele substituiria perfeitamente Lateranus diante de Nero.
        Deixou a seus filhos um tesouro: o exemplo edificante de uma vida proveitosa. Possuiu largos haveres pelo trabalho, mas foi generoso; soube dar ao dinheiro o único valor que ele tem: o de ser útil. Foi sempre a mesma alma de eleito, quer moço, e na opulência, quer decrépito, e na pobreza. Foi um cavalheiro, porque ele compensou, não só as doze virtudes exigidas por S. Pelaio, mas ainda: a tolerância e a consideração para com os sentimentos e opiniões dos outros, conforme celebre pensador inglês.
        Embora não cultivado. Alibert amava e lia os bons autores, principalmente franceses, e os interpretava e assimilava. Provocando-o, às vezes, em nossos colóquios íntimos, recitava-me ele belas estrofes de Hugo, de Moliere, de Racine, de Boileau, com emotividade e vigor. Teve mais esta virtude: soube conservar em seu coração uma alegria sã, comunicativa e confortante: era um causer adorável na roda dos íntimos, daqueles que ele sabia selecionar pelo coração.
       Quantas vezes, de sérias e torturantes cogitações pelas injustiças do mundo, ele, com a sua experiência, com a sua amizade, afastou meu espirito! E sempre concluía:
        "Mon cher ami, le monde est la pour vie: quoique bele et parfait qu'ele nous semble, ele n'a qu'un petit coin sans tache".


* - * - *
        Deus da Misericórdia, Deus do Amor, Deus da Justiça, recebe no seio de tua graça o peregrino que se foi para o Além, nas asas vigorosas da Fé, molhado de nossas lágrimas, confortado de nossas preces!


Mr. FIRMINO ALIBERT
Merces Carneiro.

        De uma invejável resignação evangélica, já em idade bastante avançada que lhe exigia, por certo, o repouso, o descanso, satisfeito sobre os louros de tantos trabalhos e os feitos das suas tantas liberalidades; depois de viver vida abastada de proprietário e de capitalista, e vida honrada e superior que desfrutou no seio da mais seleta sociedade de estadistas e homens de letras do Brasil, sujeitou-se o Comendador Alibert a uma colocação humílima, a um posto inferior de porteiro do Grupo Escolar de Bicas, cargo que desempenhou,entretanto, com grande atividade, rodeado da máxima consideração pública, é verdade, mas também com a inteirês de caráter que lhe valeu a respeitosa amizade e por assim dizer o mais especial acatamento de Diretores e professores que foram e os que são daquele próspero estabelecimento de ensino;         valeu-lhe mais que tudo o castigo angélico de um culto de adoração que lhe tributava toda aquela meninada traquinas de quem o bom velhinho se dizia avô.
        Seus últimos dias foram, pois, de tão grata e saudosa lição de civismo, como no-la poderia deixar nos anais de um instituto de educação somente um educador convicto como ele o fora sem livro nem preleções, da sua especial vocação e da sua sublime missão.
      Eis-nos agora de posse dos mais brilhantes testemunhos do seu espírito e do seu coração, que o infortúnio tentou e não conseguiu aniquilar, coração grande e grande espirito que o pranteado consagrou cada vez, com mais fervor aos seus amigos, à sociedade, à família e à meninada que ele tanto amou.
        Que homem! Que cidadão! Que caráter!
        Viveu inatacável. Serviu a Deus. Morreu feliz.


ALIBERT
C. de O. P.

        Conheci-o pela vez primeira, quando a verdade vinha surgindo pouco a pouco, deslumbradora e forte, dardejando seus raios, como acicates de fogo, sobre, a figura hedionda da calúnia maquiavélica, que caiu calcinada e pulverizada.
        Falei-lhe pela ultima vez naquele instante de minha vida em que a maldade humana me oferecia ensejo propicio para que eu fizesse apurado estudo de psicologia introspectiva da sociedade hodierna.
        Nessa oportunidade em que apurei o estado sanitário de muitos caracteres, Firmino Alibert destacou-me a insolubilidade do seu caráter de aço, tornando-se grande, tornando-se notável aos meus olhos e á minha observação, na análise psíquica dos homens.
       É que eu via nele a consciência serena de um justo, uma alma de anjo vibrando numa velhice santificada no crisol das mutações da vida.
        Admirei-o em toda a plenitude de sua nobreza de caráter.
        E não sei quando foi maior em sua vida cheia de flores e espinhos, de risos e de lágrimas!...
        Só sei dizer que, si o imortal filósofo da antiga Helade, voltasse á procura de um homem, dir-lhe-ia eu  Ei-lo!
      Grande na dor, grande na alegria, grande no caráter, grande no coração, grande, sobretudo, no amor.
      Amava loucamente seus filhinhos, que eram o encanto salutar da sua velhice acrisolada!
      Amava extremamente sua virtuosa esposa, que lhe suavizava a estrada desalentadora dos que caminham para o ocaso da vida.
        Amava estoicamente a humanidade, de cujas faltas e misérias se compadecia. Tinha para a fraqueza humana um olhar de piedade; em vez de puni-la com a sátira do anátema!
     Nele, porém, culminou o amor da pátria, dessa pátria gloriosa de Victor Hugo, que ele revia, esplendorosa e heroica, através do seu momento histórico. E inflamado desse patriotismo fogoso e sadio, ele pronunciou-me as ultimas palavras que ouvi com admiração : "A França será sempre a França, dando lições ao mundo inteiro".


A MORTE DO VOVÔ
Bicas, 25-X-1915
Irene de Oliveira

(À memória do Comendador Firmino F. Alibert).
    
         Como é triste nosso Grupo!
         E a gente nesta incerteza!
        Olhar p'ra todos os lados
        E não ver o bom Vovô!...
                    Que tristeza!
     
        Colegas, quantas saudades!
        Quanta aflição!...
        Olhar para seu retrato,
        Sentir a dor cruciante
                    No coração!...
      
         Parece que foi um sonho
        Seu trespasse tão sentido!
        Meu coração, ai! dorido,
        Não tem, não tem alegria,
                   Compungido!
      
        De homenagem vero preito
        E ardente veneração
        Prestemos ao bom Velhinho
       Que vagueia, todo instante,
                  Junto de nossa aflição.

       Que Deus lhe dê bom lugar,
       Paz e harmonia,
       Enquanto sempre, da terra,
       Lhe diremos: Bom Vovó,
                 Até um dia!


FIRMINO F. ALIBERT
20 de novembro de 1915.
L. de Freitas.

        Homenageemos à memória dos que, na peregrinação pela vida,conquistaram os louros da imortalidade, receberam a sagração dos justos, lutaram em prol da conectividade, em prol da regeneração social. Mas não nos esqueçamos de render, também, o maior pleito de justiça, gloriosa em seu sonho soberano, tributando as nossas saudades e veneração aos que desapareceram do cenário da vida, sob as lagrimas sentidas dos bons, sob soluços de pesar, deixando, em todos os corações, a penumbra da tristeza, da consternação e da dor.
        Ha trinta dias que sumiu para sempre na escuridão do túmulo o bom velhinho. cuja recordação nos anuvia a alma, cobrindo-a com o crepúsculo da saudade.
        A notícia do falecimento de Alibert correu célere, estendendo, em todos os espíritos, um escuro de emoções. É que Alibert foi o cidadão que soube lutar até o momento supremo, até seu ultimo dia, conformando-se sempre com os reveses da vida. Não perdeu um único instante de fazer o bem, porque, além de alma extreme, possuía um coração generoso, caritativo e sincero.
        Ao comendador Firmino François Alibert, o lutador pela cruzada da Virtude, da Justiça e da Honra, ao Velhinho de impoluta memória, a minha homenagem imorredoura.


Jornal "O Guarará", Ano III, N. 151
Guarará, MG - 20/11/1915

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AINDA SOBRE FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT

           Se existe uma figura controversa na questão da imigração PÉRIGORD-BRASIL, essa figura é FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT, como todos vocês bem puderam ler no nosso livro, em detalhes. Mas, como ele não era importante apenas entre nós, mas também para toda a comunidade na qual estava inserido, vez por outra encontramos registros muito interessantes que nos ajudam a desvendar os nuances desse personagem tão enigmático, se levamos em consideração tudo que sabemos de sua vida antes do BRASIL, da vida já no BRASIL, nos   últimos tempos do BRASIL IMPÉRIO e, principalmente, do súbito ocaso social e político que chegou para ele junto com o século XX. Hoje trago para vocês duas páginas do Jornal "o Guarará", edição de 20(?) de Novembro de 1915(?). Nos próximos dias postarei a transcrição das mesmas. Aguarde! FONTE: FRANCISCO OLIVEIRA.




                                                                              

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

GUARARÁ - ATA DA CÂMARA 1891-1895

      No "mundo" dos blogueiros, tenho visto que acabamos por criar um tipo de vínculo muito produtivo com outros que tratam de temas afins. Nos sites e blogs que recomendo (e você pode consultar aí ao lado direito), estão alguns deles. A troca generosa de informações é parte do prazer e da alegria dessa busca. Somos como colecionadores de figurinhas raras. Que, apesar do ciúme do que tem e encontrou, reconhece que, sem asas, as idéias e informações morrem. Assim como fica desmerecido o impulso que nos move. Não sou adepta do "manter cartas na manga". O que encontro em minhas pesquisas e acho que interessa, publico. E então não pertence mais só a mim. Mas, se encontro em outro blog ou reproduzo informações já encontradas por outros, é de direito (e dever!), informar ao meu leitor. Como forma de reconhecimento a quem fez "o serviço pesado". 
      Recentemente, em pesquisas na BIBLIOTECA NACIONAL, fiquei estarrecida e mais do que surpresa ao constatar que existiu, ainda que por um curto e breve período, uma estrada de ferro ligando BICAS à GUARARÁ. Imediatamente comuniquei-me com dois companheiros de "bloguice": meu irmão AMARILDO, já que um de seus blogs versa sobre a ferrovia em toda ZONA DA MATA MINEIRA, e o senhor FRANCISCO OLIVEIRA, que honra com seu blog a importância que um dia teve a cidade de GUARARÁ na história dessa mesma região. E minha informação gerou frutos deliciosos, que recomendo MUITO a vocês.
      Da mesma forma o caminho inverso. O mesmo senhor FRANCISCO OLIVEIRA me brindou a dias com a transcrição da Ata da Câmara de GUARARÁ (Portarias e Ofícios) no período de 1891-1895, em tudo que se refere ao vereador distrital por MARIPÁ, nosso sempre presente FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT.
      E venho dividir com vocês alguns que julguei de algum interesse geral, isto é, não apenas de ordem burocrática e, como tal, tornado desinteressante após tantos e tantos anos. Na verdade, bem mais de um século...

Nº 22 : 30-05-1891 - O Conselho municipal desta Intendência abaixo assinado, em virtude de grande descontentamento, que causou a população dos distritos de MARIPÁ e BICAS, o incompetente proceder do 1º Juiz de Paz de GUARARÁ, exigindo entrega ao escrivão de Paz desse Distrito, dos livros não findos de registro civil de óbitos e nascimentos, ficando suspenso àqueles distritos o registro civil e considerando que este disposto traz realmente grandes dificuldades à população, pois que pessoas estabelecidas a três e quatro léguas da sede, eles tem de  vir para fazer o registro, quando tinham a facilidade de fazê-lo em MARIPÁ e BICAS, que ficam-lhe próximos aos seus estabelecimentos, vem pedir-vos, que vos digneis manter os registros naqueles distritos, tal como tem sido feito até a presente data. Confiado no vosso esclarecido parecer e grande patriotismo o Conselho aguarda vossas ordens.
Saúde e fraternidade ao DD Dr.Governador do E. de Minas Gerais.
BARÃO DE CATAS ALTAS
SILVESTRE HENRIQUE FURTADO
ANTÔNIO FRANCISCO DE SOUZA
FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT

Nº 32 : 15-10-1891 - O Conselho dessa intendência leva ao conhecimento de Vossa Excelência que apesar de todos os esforços aplicados para a extinção da varíola neste município, tem ela tomado proporções assustadoras nos distritos de GUARARÁ e MARIPÁ, onde acaba de falecer a esposa de um dos membros do Conselho, sendo felizmente limitado o número de óbitos, em razão das providências tomadas. Tendo a epidemia se declarado a quase dois meses e parecendo continuar em virtude de novos casos, o Conselho resolve em sua sessão ordinária de hoje suplicar-vos um auxílio de 2:000$000 para aplicação com despesas com a epidemia.
Saúde e fraternidade a S.Exª DD Dr.Governador do E. de Minas Gerais.
BARÃO DE CATAS ALTAS
JOSÉ RIBEIRO DE OLIVEIRA E SILVA
FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT

Nº 33: 15-10-1891 - O Conselho Municipal desta Intendência, tendo ciência de que a Intendência de MAR DE ESPANHA, desviou do saneamento do Município do que este era parte componente a quantia de 20:000$000 por Exmo. como D.Ministro do Interior concedido para saneamento, em resgate de sua dívida de canalização de água, que só aproveita àquela cidade em prejuízo deste município de GUARARÁ vem solicitar a V.Exª providências em respeito, determinando a cota que deve caber a esta Municipalidade, máxima porque tem este Conselho de acudir às urgentes necessidades de saneamento do Distrito de S.J.DE BICAS.
Saúde e fraternidade ao DD Dr.Governador do E. de Minas Gerais.
O PRESIDENTE BARÃO DE CATAS ALTAS
FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT
JOSÉ RIBEIRO DE OLIVEIRA E SILVA

Nº 99 : 06-05-1891 - Sr. Presidente da Câmara Municipal de MAR DE ESPANHA.
Tendo os cidadãos JOAQUIM CUSTÓDIO GUIMARÃES, JOSÉ VICENTE GONÇALVEZ, DOMINGOS ANTÔNIO DA SILVA TRECE, JORGE RIBEIRO DE PARADELLA, LINO ANTÕNIO DA SILVA ROCHA, pedido a esta Câmara a sua passagem para este Município, alegando já haverem pertencido a ele quando distrito do ESPÍRITO SANTO, hoje VILA DE GUARARÁ, e aí ainda manterem suas relações de comércio por lhes ser este mais fácil e cômodo, venho pedir-vos a revisão das divisas no ponto habitado por estes cidadãos, apresentando-vos como árbitro por parte dessa Câmara o cidadão COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT; peço-vos pois, nomeando árbitro por parte da Câmara que dignamente presides indicar o dia em que devam eles se encontrar no ponto da revisão a fim de sobre ela acordarem conforme art.28 da Constituição de Minas.
Saúde e fraternidade ao Sr.Presidente da C.M. de MAR DE ESPANHA
O agente executivo M. BARÃO DE CATAS ALTAS
O oficial de secretaria LUIS PINTO

Nº 231 : 07-10-1892 - De ordem do Senhor Presidente desta Câmara vos comunico que em sessão extraordinária da mesma em 6 do corrente, foi deliberado o seguinte:
Comunico-vos que por ato do Sr.Dr.Presidente do Estado acha-se designado o dia 15 de Novembro p.futuro para a eleição em preenchimento de uma vaga na representação nacional aberta com o passamento do deputado Sr.FRANCISCO CORREIA FERREIRA REBELLO. Para esta eleição a câmara elegeu os seguintes cidadãos para membros nas secções de vosso Distrito. Para a primeira secção que deverá funcionar na casa das audiências MAJOR ANTÔNIO FRANCISCO DE SOUZA, PADRE JOSÉ ÁLVARES DE OLIVEIRA, COMENDADOR DOMICIANO MONTEIRO DE REZENDE, LUCAS ABÍLIO DE SOUZA FERREIRA, MANOEL JOÃO GRISTAL, CARLOS JOSÉ DE OLIVEIRA e FRANCISCO B. DE OLIVEIRA. Para a 2ª secção, que deverá funcionar na casa da instrução pública: MARTINHO CAMPOS GUIMARÃES, COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT, VIRGÍLIO ELÍZIO MARTINS, MANOEL RODRIGUES DOS SANTOS, FRANCISCO JOSÉ DE MELLO,     Cap.m. ANTÔNIO FERREIRA MARTINS e AMÉRICO LEITE DE OLIVEIRA GUIMARÃES

Nº 255  a 275 - 09-11-1892 - Comunico-vos que por esta Câmara fostes eleito membros da 2ª secção que tem que funcionar em vosso Distrito.
Saúde e fraternidade .
O secretário LUIS PINTO. Aos cidadãos:
MAJOR FRANCISCO BAPTISTA DE ALVARENGA, FRANCISCO DA SILVA DINIZ JÚNIOR, JOSÉ NUNES COELHO, JOSÉ DA ROCHA PINTO, UMBELINO GONÇALVES DA SILVA, LUIZ MEGA, THEÓPHILO PIRES DE GOUVÊA, JOÃO PIRES DE MENDONÇA, NARCIZO MICHELI, JOCUNDO MARCHI, PORFÍRIO DA SILVA ESPÍNDOLA, JOSÉ FERREIRA DE MENDONÇA, JOÃO BREYER, ANTÔNIO SOARES DE ALMEIDA, MARTINHO CAMPOS GUIMARÃES, COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT, VIRGÍLIO ELÍZIO MARTINS, MANOEL RODRIGUES DOS SANTOS, FRANCISCO JOSÉ DE MELLO, Cap.m. ANTÔNIO FERREIRA MARTINS, AMÉRICO LEITE DE OLIVEIRA GUIMARÃES.

Nº 861 : Do Dr.Agente Executivo ao COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT, convidando-o a vir receber durante a segunda quinzena de fevereiro de 1894 os juros da "??" com que contribuiu para o empréstimo municipal de que trata a resolução se número 3 de 04-04-1893.
LUIZ PINTO.

Nº 1124 : Ofício do Dr.Presidente ao fiscal de Imigração do segundo distrito de imigrantes, feito pelo sr.COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT.
LUIZ PINTO.

Nº B-23 : Ofício de 1º de Fevereiro. Do oficial de Secretaria comunicando ao vereador COMENDADOR FIRMINO FRANÇOIS ALIBERT ter a câmara rejeitado o seu pedido de renúncia.
VIEIRA PISCO.

Nº B-37 : Ofício de mesma data (05-02), do oficial ao 1º Juiz de Paz de |MARIPÁ comunicando-lhe estar designado o dia 08-04 para preceder-se a eleição naquele Distrito pra preenchimento da vaga aberta com a renúncia do COMENDADOR FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT.
VIEIRA PISCO.

           TRANSCRIÇÕES FEITAS À PARTIR DO ORIGINAL POR JÂNIO J.FERREIRA

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ACABAMOS DE COMPLETAR 3.000 VISITAS!

             E venho aqui mais uma vez agradecer... Desde o envio de meu livro para a Editora, em Junho de 2011, durante a publicação e divulgação do mesmo, em Fevereiro desse ano (o que fiz coincidir com a criação do blog) e na verdade até hoje, muita coisa, demais até, aconteceu  e vem acontecendo em minha vida pessoal. E preciso dizer a vocês, que veem me visitar aqui, ainda que de passagem, que sua presença, seu interesse e retorno, na grande maioria das vezes construtivo, tem me impulsionado para a frente. Quando podemos "curar a alma" produzindo, só podemos acreditar que as bençãos de Deus, mesmo às vezes vindo muito "disfarçadas", não falham. Não abandonam. E cada um de vocês é parte disso. Produzir cultura é trabalho árduo e desvalorizado. Sem retorno financeiro ou midiático. Porque vivemos num mundo onde produção=dinheiro. E, se o que você produz dá outro retorno que não esse... é "divertimento". É "lazer". É... "falta do que fazer". Por isso, hoje, aqui, agora, preciso dizer: OBRIGADA A VOCÊ QUE COMPARTILHA O INTERESSE PELA RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA. PELA GENEALOGIA. PELA FAMÍLIA: A MINHA, A SUA, A NOSSA. 
             Acredito firmemente que todos nós sentimos, como historiadores (amadores ou não), muita...SAUDADE. Do que já não é. Dos que já não são. Dos que viraram fotos, certidões, lápides. E nosso trabalho é encher essa "vírgula quilométrica". Tem coisa mais útil? Tem coisa mais bonita? Eu nunca encontrei...
            Por essas 3000 visitas, agradeço. Prometendo prosseguir até onde me for permitido, nesse trabalho que me justifica. Amém.



                                                                             

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

FAMÍLIA DOUSSEAU DUQUE

Sempre que desejo postar algumas fotos, uma dúvida me acomete: devo postar como "Fotos Antigas" ou não? Essa de hoje, certamente o seria, para minhas filhas, por exemplo. Mas eu, logicamente, tendo a achar "antigo" só aquilo que é anterior ao meu nascimento. Acho que vou pensar assim mesmo que viva até os 100 anos...rsrsrsrs... Perdoem-me se eu tiver tomado a decisão errada, à partir de uma premissa enganosa...rsrsrsr... Mas, ora, ela já é colorida! Não posso considerá-la antiga! E tenho dito.


                                                                        
           
                        Aí estão meus avós, MERITA e EVARISTO, num daqueles NATAIS inesquecíveis em família. Que sempre dava direito  a  "fotos para álbum". No tempo dessa foto (24-12-1977), já podíamos dispensar a visita de um fotógrafo profissional, como naquela foto de um outro Natal que ilustra nosso livro. Nossas pequeninas câmeras Sonoras descartáveis (lembram-se?), "faziam o serviço". Deixando tudo "cor-de-rosa", é verdade...mas faziam o serviço. De forma que, à partir delas, nós, "os comuns dos mortais", passamos a ter mais fotos , que hoje nos são tão preciosas. Alta "novidade tecnológica" já na geração dos netos de MERITA e EVARISTO. Como eu... Ao lado de meu avô, minha mãe LIDIA e meu tio ANNET (Nezinho). Ao lado de minha avó minha tia SUZANNA (Zanita) e PENHA (in memoriam), nossa mais que querida "tia emprestada". Por algum motivo que não me recordo, nossa outra tia, SERRAT, não estava presente... Mas se vocês repararem, há na parede uma foto, daquelas antigas e que toda parede da sala tinha, onde estão os quatro rodeando meus avós. Na parede oposta dessa sala, havia a foto de ANNET e SUZANNA ( pais de MERITA) e de LIDIA e JOSÉ ( pais de EVARISTO).


sábado, 1 de setembro de 2012

MERITA E EVARISTO

Conhecem meus queridos avós, na casa dos quais vivi os mais doces, importantes e inesquecíveis momentos de minha infância? Em público peço como sempre sua benção, vô "Varisto" (GONÇALVES "FILGUEIRAS" DUQUE) e vó Merita (DOUSSEAU DUQUE)! Com o mesmo e atemporal amor.


                                                                           

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

LÁPIDE DE MERITA DOUSSEAU DUQUE

Estou aqui, vó... Para que os brotos não esqueçam as sementes. Nunca. 
CEMITÉRIO MUNICIPAL DE BICAS - MINAS GERAIS.
FONTE: ARQUIVOS PESSOAIS.


                                                                           

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MARIA DOUSSEAU DE SOUZA EM SUA FAZENDA NOS MACHADOS




Tia MARIQUINHA... Quantas saudades daquelas férias nos MACHADOS... Essa cozinha, ponto de encontro de adultos e crianças, fossem da família ou agregados e empregados, habita todas as minhas fantasias de "paraíso perdido". Aquela que todo adulto trás de um certo momento da infância, de um certo local, de uma certa pessoa. E, milagre: até hoje, quando lá vou e vejo aqueles mesmos velhos armários de portas azuis, aquela mesa enorme e acolhedora, aquelas portas sempre abertas e prontas a receber, as guloseimas simples e deliciosas como não se pode encontrar em outro lugar que não seja na roça... "reencontro o paraíso". Guardo um desejo/sonho em segredo: poder passar alguns dias lá, como quando criança, participando da "vida real" e dura vida, de quem tira do chão quase todo seu sustento. Conforto mínimo, eu bem sei. Não é fazenda de novela, de grandes latifundiários ou pecuaristas. É fazenda de família. De um amor de gerações. Admiro horrores nosso primo SILVINHO, que está lá, amparando as tias ALMIRA e TIANA e, junto com sua esposa, carregando o peso daquele trabalho árduo e infindável... Naquele pedaço de chão esquecido pelo poder público. Fica aqui meu reconhecimento. E meu mais puro amor. Que ANNET e SUZANNA os abençõe a todos. FONTE: ARQUIVOS PESSOAIS.


                                                                             
 Na foto superior, com JOSÉ CARLOS MAYRINK e LIDIA DOUSSEAU DUQUE MAYRINK                                                                            

                                                                          

                                                                         

                                                                               

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SEBASTIANA AZEVEDO MOUTINHO

Um dia, no começo de minhas pesquisas, bem no comecinho mesmo, fui "dar com os costados"em MARIPÁ.  Pouco conheço a cidade, mesmo tendo nascido e vivido alguns anos de minha infância em BICAS. Mesmo voltando com muita frequência. O fato é que MARIPÁ não estava "no meu mapa", naqueles tempos. Simplesmente ouvia falar, vagamente, que lá tínhamos parentes. Aí, um dia,  já desperta e tomada pela necessidade imperiosa de conhecer minha história ancestral, fomos. Como já tive oportunidade de descrever no nosso livro. Numa série de iluminados acasos que começou na vendinha da praça, por onde justo naquele momento passava ZILDA RISSOLI, acabamos por conhecer SEBASTIANA AZEVEDO MOUTINHO. Pouco, muito pouco pode ela nos acrescentar em termos de nossa história. Mas sua meiguice; suas lágrimas que acabavam sempre por transbordar ao falar do passado que acabava por ser "o nosso", de alguma forma, apesar dos seus cerca de 90 anos; e,mais que tudo, suas profundas, sentidas e expressivas reticências, me deram a certeza de estar de frente a uma pessoa de GRANDE valor. Fui visitá-la outras vezes, e deixava sua casa sempre com essa primeira impressão intacta, em todos os seus matizes. Que Deus a abençõe. E a proteja como ela soube proteger a memória dos que lhe foram caros. Amém. Fica aqui minha homenagem. FONTE: ARQUIVOS PESSOAIS


                                                                  LIDIA DOUSSEAU DUQUE MAYRINK E SEBASTIANA AZEVEDO MOUTINHO.                                                             

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

REGISTRO DE NASCIMENTO DE FRANÇOIS GUILLAUME DOUSSEAU




Dousseau,Guillaume - Nascimento - 30/09/1849.

"Donc, cela veut dire qu'il n'avait pas été enregistré à sa naissance.
Et il se passe la même chose pour Guillaume, ton ancêtre, que l'on ne retrouve pas à LOUIGNAC,
j'ai remarqué sur son acte de mariage un paragraphe semblable "l'acte de naissance du futur, etabli par jugement du Tribunal Civil de 1ère instance de BRIVES (CORRÈZE) le huit juillet mil huit cent soixante dix, constatant que le dit GUILLAUME DOUSSEAU est né le trente septembre mil huit cent quarante neuf."
Donc, pour lui aussi, ce fut un oubli.".


           Vejamos, primos.
           Nem em minha viagem à FRANÇA, consultando cartórios do PÉRIGORD, nem através de consulta via internet dos registros de CORRÈZE, nunca consegui encontrar nenhum registro sobre o nascimento do pai de ANNET, FRANÇOIS GUILLAUME. 
           Mas nossa prima NICOLE , mesmo não sabendo nada sobre o paradeiro desse tio-avô, tinha registros da existência dele. Mas também não encontra nenhum registro oficial de seu nascimento. Entretanto, quando ela analisou o registro de casamento dele (não me lembro se encontrado por mim ou por ela...), desvendou o "mistério". Ela começa falando de um dos irmãos de GUILLAUME e depois sobre esse último. Como segue abaixo traduzido livremente:


"Então, isso quer dizer que ele não tinha sido registrado ao nascer.
E aconteceu o mesmo com GUILLAUME, seu antepassado, cujo registro não se consegue encontrar em LOUIGNAC. Eu reparei em seu registro de casamento um parágrafo semelhante (ao caso do irmão): "o registro de nascimento do noivo, estabelecido por julgamento do tribunal Civil de primeira instância de BRIVES (CORRÈZE) em 08-07-1870, constatando que o dito GUILLAUME DOUSSEAU nasceu em 30-09-1849".


           E assim considero resolvido mais esse "enigma" sobre a vida de nossos tataravós...










segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CIDADES MORTAS DE MONTEIRO LOBATO


As "cidades mortas" de Monteiro Lobato... Relato emocionante que me leva a me sentir em São João Marcos, Bananal, Bicas, Maripá, Rochedo, Guarará... e etc...etc...etc...





"A quem em nossa terra percorre tais e tais zonas, vivas outrora, hoje mortas, ou em via disso, tolhidas de insanavel caquexia, uma verdade, que é um desconsolo, ressurge de tantas ruinas: nosso progresso é nomade e sujeito a paralisias subitas. Radica-se mal. Conjugado a um grupo de fatores sempre os mesmos, reflui com eles duma região para outra. Não emite peão. Progresso de cigano, vive acampado. Emigra, deixando atrás de si um rastilho de taperas.
            A uberdade nativa do solo é o fator que o condiciona. Mal a uberdade se esvai, pela reiterada sucção de uma seiva não recomposta, como no velho mundo, pelo adubo, o desenvolvimento da zona esmorece, foge dela o capital – e com ele os homens fortes, aptos para o trabalho. E lentamente cai a tapera nas almas e nas coisas.
            Em S. Paulo temos perfeito exemplo disso na depressão profunda que entorpece boa parte do chamado Norte.
            Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.
       Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes.
            Pelas ruas ermas, onde o transeunte é raro, não matracoleja sequer uma carroça; de ha muito, em matéria de rodas se voltou aos rodizios desse rechinante simbolo do viver colonial – o carro de boi. Erguem-se por ali soberbos casarões apalaçados, de dois e três andares, sólidos como fortalezas, tudo pedra, cal e cabiuna; casarões que lembram ossaturas de megatérios donde as carnes, o sangue, a vida, para sempre refugiram.
            Vivem dentro, mesquinhamente, vergonteas mortiças de familias fidalgas, de boa prosapia entroncada na nobiliarquia lusitana. Pelos salões vazios, cujos frisos dourados se recobrem de pátina dos anos e cujo estuque, lagarteado de fendas, esboroa à força de goteiras, paira o bafio da morte. Há sobre os aparadores Luis XV bronzeos candelabros de dezoito velas, esverdecidos de azinhavre. Mas nem se acendem as velas, nem se guardam os nomes dos enquadrados – e por tudo se agruma o bolor rancido da velhice.
            São os palácios mortos da cidade morta.
            Avultam em número, nas ruas centrais, casas sem janelas, só portas, tres e quatro: antigos armazens hoje fechados, porque o comércio desertou também. Em certa praça vazia, vestígios vagos de “monumento” de vulto: o antigo teatro – um teatro onde já ressoou a voz da Rosina Stolze, da Candiani...
            Não há na cidade exangue nem pedreiros, nem carapinas; fizeram-se estes remendões; aqueles, meros demolidores – tanto vai da ultima construção. A tarefa se lhes resume em esperar muros que deitam ventres, escorar paredes rachadas e remenda-las mal e mal. Um dia metem abaixo as telhas: sempre vale trinta mil réis o milheiro – e fica à inclemencia do tempo o encargo de aluir o resto.
            Os ricos são dois ou tres forretas, coroneis da Briosa, com cem apólices a render no Rio; e os sinecuristas acarrapatados ao orçamento: juiz, coletor, delegado. O resto é a “mob”: velhos mestiços de miseravel descendencia, roidos de opilação e alcool; familias decaidas, a viverem misteriosamente umas, outras à custa do parco auxilio enviado de fora por um filho mais audacioso que emigrou. “Boa gente”, que vive de aparas.
            Da geração nova, os rapazes debandam cedo, quase meninos ainda; só ficam as moças – sempre fincadas de cotovelos à janela, negaceando um marido que é um mito em terra assim, donde os casadouros fogem. Pescam, às vezes, as mais jeitosas, o seu promotorzinho, o seu delegadozinho de carreira – e o caso vira prodigioso acontecimento histórico, criador de lendas.
            Toda a ligação com o mundo se resume no cordão umbilical do correio – magro estafeta bifurcado em ponteagudas eguas pisadas, em eterno ir e vir com duas malas postais à garupa, murchas como figos secos.
            Até o ar é próprio; não vibram nele fonfons de auto, nem cornetas de bicicletas, nem campainhas de carroça, nem pregões de italianos, nem ten-tens de sorveteiros, nem plás-plás de mascates sirios. Só os velhos sons coloniais – o sino, o chilreio das andorinhas na torre da igreja, o rechino dos carros de boi, o cincerro de tropas raras, o taralhas das baitacas que em bando rumorosos cruzam e recruzam o céu.
            Isso, nas cidades. No campo não é menor a desolação. Léguas a fio se sucedem de morraria aspera, onde reinam soberanos a sauva e seus aliados, o sapé e a samambaia. Por ela passou o Café, como um Átila. Toda a seiva foi bebida e, sob forma de grão, ensacada e mandada para fora. Mas do ouro que veio em troca nem uma onça permaneceu ali, empregada em restaurar o torrão. Transfigurou-se para o Oeste, na avidez de novos assaltos à virgindade da terra nova; ou se transfez nos palacetes em ruina; ou reentrou na circulação européia por mão de herdeiros dissipados.
            À mãe fecunda que o produziu nada coube; por isso, ressentida, vinga-se agora, enclausurando-se numa esterelidade feroz. E o deserto lentamente retoma as posições perdidas.
            Raro é o casebre de palha que fumega e entremostra em redor o quartelzinho de cana, a rocinha de mandioca. Na mór parte os escassissimos existentes, descolmados pelas ventanias, esburaquentos, afestoam-se do melão de São Caetano – a hera rustica das nossas ruinas.
            As fazendas são Escoriais de soberbo aspecto vistas de longe, entristecidas quando se lhes chega ao pé. Ladeando a Casa Grande, senzalas vazias e terreiros de pedra com viçosas guanxumas nos intersticios. O dono está ausente. Mora no Rio, em São Paulo, na Europa. Cafezais extintos. Agregados dispersos. Subsistem unicamente, como lagartixas na pedra, um pugilo de caboclos opilados, de esclerotica biliosa, inermes, incapazes de fecundar a terra, incapazes de abandonar a querencia, verdadeiros vegetais de carne que não florescem nem frutificam – a fauna cadaverica de ultima fase a roer os derradeiros capões de café escondidos nos gortões.
            - Aqui foi o Breves. Colhia oitena mil arrobas!...
            A gente olha assombrada na direção que o dedo cicerone aponta. Nada mais!... A mesma morraria nua, a mesma sauva, o mesmo sapé de sempre. De banda a banda, o deserto – o tremendo deserto que o Atila Café criou.
            Outras vezes o viajante lobriga ao longe, rente ao caminha, uma ave branca pousada no topo dum espeque. Aproxima-se devagar ao chouto ritmico do cavalo; a ave esquisita não dá sinais de vida; permanece imovel. Chega-se inda mais, franze a testa, apura a vista. Não é ave, é um objeto de louça... O progresso cigano, quando um dia levantou acampamento dali, rumo Oeste, esqueceu de levar consigo aquele isolador de fios telegráficos... E lá ficará ele, atestando mudamente uma grandeza morta, até que decorram os muitos decenios necessarios para que a ruina consuma o rijo posto de “candeia” ao qual o amarraram um dia – no tempo feliz em que Ribeirão Preto era ali...".

sábado, 11 de agosto de 2012

ANTIGO CALENDÁRIO FRANCÊS

Trazendo hoje para vocês uma curiosidade muito interessante. É bizarro, quando, lendo publicações francesas antigas, ou até mesmo os registros de cartório daqueles tempos (temos um na coleção de nossa família DOUSSEAU!), encontramos essa nomenclatura. Uma miscelânea bem complicada mas que ficou para sempre no imaginário popular, certamente.


O Calendário Revolucionário Francês foi instituído em 1792, e era composto de 12 meses de 30 dias, distribuídos em três semanas de dez dias [decâmeros]. 

O dia foi dividido em 10 horas de 100 minutos, cada minuto com 100 segundos. 

Cada dia tinha uma designação única, que só se repetiria no ano seguinte, com nomes de plantas, flores, frutas, animais e pedras. 

Aos 360 dias acrescentava-se, anualmente, 5 dias complementares, e um sexto a cada quadriénio. 

Os nomes dos meses eram inspirados nos aspectos das estações na França:

Vendémiaire: setembro-outubroBrumaire: outubro-novembroFrimaire: novembro-dezembroNivôse: dezembro-janeiroPluviôse: janeiro-fevereiroVentôse: fevereiro-marçoGerminal: março-abrilFloréal: abril-maioPrairial: maio-junhoMessidor: junho-julhoThermidor: julho-agostoFructidor: agosto-setembro


Este calendário só vigorou de 22/9/1792 a 31/12/1805, quando Napoleão I ordenou o restabelecimento do Calendário Gregoriano.



                                                                      

domingo, 5 de agosto de 2012

FAZENDA BELA ALIANÇA

Hoje vim trazer algumas fotos da fazenda "BELÍSSIMA" ALIANÇA. Embora a mais bonita, a meu ver, já tenha sido publicada antes, no livro e aqui mesmo. De qualquer forma, é um jeito de todos vocês conhecerem mais um pouquinho essa maravilha cheiinha de sinais da passagem de MAURICE HARITOFF. Seja bem vindo!
FOTOS: IRMÃS BONIMOND MOUTY







                                                                                   

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

PARA NÓS, DA FRANÇA...


Hoje trago para vocês a dedicatória de um livro que me foi presenteado por nossa prima Nicole. Excelente, aliás. E de onde extraí algumas fotos para ilustrar nosso livro. E ainda vou trazer muitas para vocês, aqui, no blog. Mas o assunto de hoje é a dedicatória em si que, para mim, foi ocasião de muita emoção. E ainda é, quando a releio. Creio que vocês, Dousseau(x), compartilharão desse sentimento.

                                                                                   
Tradução:  À Marly, minha prima distante, com toda afeição. Em homenagem a nossa família emigrada em 1885 para o Brasil, descoberta graças a você, Marly, porque nós estávamos na ignorância total. Que surpresa! Que emoção! Guillaume era o tio de meu bisavô Auguste... Isso não está tão longe... Deve ter sido um sofrimento terrível deixar seu querido Périgord e seus próximos e jamais voltar. Nós faremos de tudo para honrá-los enquanto filhos. NICOLE DOUSSEAU.