terça-feira, 5 de novembro de 2013

AINDA SOBRE A FAZENDA MONTE CRISTO

      Voltemos à MONTE CRISTO. Em primeiro lugar, necessário dizer que, conforme costumo afirmar, acontece em BICAS e arredores o mesmo que no PÉRIGORD de nossos bisavós. De onde a gente menos espera, "brota" um "primo", ainda que por afinidade... Ainda que bem distante... Aqueles que leram meu livro devem se lembrar de que uma das pessoas que mereceu meu especial agradecimento foi meu tio SEBASTIÃO DE SOUZA MARTINS. Marido de minha tia THEREZINHA MAYRINK MARTINS. A FAZENDA MONTE CRISTO, infelizmente, não é "encontrável" sem um guia que conheça bem a região. Digamos que, por lá, todos conhecem. Não é de lá? Esqueça... Sinalização zero. Até porque, como estamos "carecas" de saber, pouco restava da fazenda desde que lá estive, em 2008. Eu me lembrava vagamente que meu tio tinha ligações com MARIPÁ, mas sempre achei que ele fosse originário de SÃO JOÃO NEPOMUCENO, visto serem de lá muitos membros de sua família. Como ele é amante de um bom forró, de uma boa pescaria e de uma boa conversa, acabou acumulando, em mais de 80 anos, muito conhecimento e informação. Um dia, num bate papo informal, eu falei que precisava encontrar uma certa fazenda MONTE CRISTO e, naquele instante, fiquei sabendo que ele não só conhecia o rumo como eram por lá as terras de seu avô paterno, e onde seus avós maternos, imigrantes italianos, vieram "dar com os costados". Como nossos franceses e tantos outros. Então foi só acertar o dia e foi ele, meu querido tio SEBASTIÃO, que nos levou, a mim e à minha família, ao encontro dos últimos vestígios da casa da fazenda. No mais, pastagens e o onipresente açude do mesmo nome.
         Naquela ocasião, tiramos as fotografias que hoje ilustram meu livro (capa e interior) e que você pode encontrar aqui mesmo no blog. Vestígios. Quase nada. Mas que me calaram fundo na alma. 
         LEONARDO ROCHA, na época Secretário de Cultura de MARIPÁ, foi o primeiro a me falar que já havia visto ao menos uma foto da casa, anos atrás. Mas nunca cheguei a encontrá-las. Até aparecer FABRÍCIO.
        Pelo FACEBOOK e aqui pelo blog, ele fez alguns contactos notificando-me sobre a posse de duas antigas fotografias de muito má qualidade. Dali em diante foi só estabelecer um contacto mais frequente e esclarecedor. Que hoje divido com vocês.
        E antes que eu esqueça: sim! FABRÍCIO MARTINS é aparentado do meu tio SEBASTIÃO... E conhece MARIPÁ e MONTE CRISTO de uma forma que não admite contestações: com a alma. Com interesse desenfreado. Pelo qual só temos a agradecer.
       
       Sobre as fotos, ele nos informa que datam de 1916 e foram extraídas de uma publicação de um jornalista francês ou italiano, fato que ele não sabe precisar. O que ele tinha consigo era apenas uma cópia xerox das ilustrações da dita publicação. E o que me enviou por e-mail eram "xerox do xerox". Portanto, considero explicada a péssima qualidade das fotos. Mas desafio a alguém encontrar uma melhor!! Com certeza ficaremos igualmente agradecidos! 

       À partir de agora, adicionarei trechos dos e-mails de FABRÍCIO e, se julgar oportuno, tecerei os devidos comentários:


"Lamento ter restado tão pouco dessa residência por onde passaram nossos patriarcas e palco de muita história, que até hoje é cercada de tantas lendas: a represa, as características europeias, as grandes senzalas, pinturas... 
Moro em um sitio que antes pertencia à fazenda, e da mesma família do Sebastião Martins. Cresci ouvindo as mais diversas historias do Comendador Firmino e dessa fazenda, sempre cercada de grande misticismo. Desde então venho garimpando um pouco dessa historia nas horas vagas. Ao conhecer o seu livro fiquei encantado com tanta informação reunida e tudo que sonhava descobrir sobre o com. Firmino".

"Outro fato curioso é a existência de um mapa e de um livro encapado (com pele "humana", mas creio que seja exagero) escrito pelo comendador, que conta toda historia da fazenda e tudo de importante que acontecia, contando inclusive o fato de que todo o material teria sido trazido da França".

     Nesse trecho, fica bem clara a importância que a fazenda MONTE CRISTO teve e tem no imaginário do povo da região. O mapa existe pois FABRÍCIO já teve oportunidade de vê-lo quando criança, embora não saiba onde foi parar... Parece que o mesmo (como vamos ver mais à frente) esclarecia de forma definitiva a posição da MONTE CRISTO em relação a outras fazendas de importância fundamental, como a SANTANNA e a SANTA CLARA. Esperemos um dia poder reencontrá-lo. Hoje penso que tudo é possível. Já sobre o livro, ele deixa claro que pode haver exagero. E isso me confirma cada dia mais que essa não foi uma fazenda comum. E comum não foram seus proprietários. Um deles ao menos, o COMENDADOR FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT... sabemos que não o foi. Mas quem pode deixar de sonhar com a maravilha que seria confirmar a existência de um livro/diário com toda a história da fazenda? Afirmando inclusive que o material para a sua construção (considerando-se aí mais um pouquinho ao menos de exagero...) teria sido trazido da FRANÇA? É possível que mapa, livro e alguns poucos objetos ainda esteja na posse da família do último  proprietário da fazenda, falecido a não muito tempo. Lembro-me de ter publicado aqui mesmo no blog, recentemente, o anúncio para a venda da fazenda... Queira Deus que essas relíquias históricas não se percam nas mãos de qualquer desinteressado. Não seria justo com uma memória de tanto suor. E de tanto sangue.


       "As fazendas das quais  falei são:
Fazenda Santa Ana ou Santana (?) ,margem da BR 267 divisa de Maripa e Argirita. Pertencia ao coronel Arruda, a historia da asa delta do Fued é verdade, já tinha ouvido do pessoal de lá; dizem também que era uma pessoa muito má e que furou o olho do empregado com uma agulha. A fazenda pertenceu também a Bertholdo Machado (da minha família) e sua foto já foi publicada em um livro didático.
Fazenda Vitoria ( da Tereza, margem 267 entre sta Ana e Serra da Prata), no município de Argirita, tenho fotos mas não estão aqui.
Santa Rita ( do Afonso), localizada na estrada entre as fazendas Vitoria e Santa Clara, é uma bela fazenda...
e Santa Clara (da Dalizette), bem ao lado do Monte Cristo, na estrada entre Santa Rita e Monte Cristo. Dizem que o dono (*foto) morreu apunhalado nas escadas da fazenda quando ia chicotear um empregado ou escravo(?)  Pertece ao municipeo de Senador Cortes".

   
         Nesse trecho, FABRÍCIO desenvolve uma ideia para a qual utiliza um termo muito interessante: FAZENDAS DESCENDENTES. Com isso, ele tenta qualificar as fazendas que teriam surgido, todas, da primeira e enorme propriedade original, do COMENDADOR JOAQUIM JOSÉ GONÇALVES DE MORAES (MONTE CRISTO), por meio de venda ou herança. Exatamente como sempre imaginei! Se pudéssemos ter acesso ao registro de imóveis das cidades compreendidas por essa antiga e enorme Fazenda ( sesmaria?), poderíamos quem sabe falar com total propriedade...
       Meu parecer é de que o "miolo", a "nata", que incluía a casa grande, seus anexos, o açude, etc... foram adquiridos por FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT. E o restante das terras foi dividido, num primeiro momento, entre as filhas do COMENDADOR MORAES. ALIBERT perdeu a MONTE CRISTO para o marido de uma de suas sobrinhas (o ANTÕNIO COSTA da legenda da Foto 2). E as outras fazendas tiveram cada qual seu destino, que nunca me dispus a acompanhar. 
      Comecei a chegar a essa conclusão a muito tempo, quando descobrí a relação do CORONEL ARRUDA CÂMARA (propietário da FAZENDA SANTANNA), com o comendador MORAES. Mas nem sequer imaginava que o mesmo se dava com todas as grandes fazendas das redondezas. Todas "fazendas descendentes", como bem nomeou FABRÍCIO.
PS: Segundo o que diz o povo da região, a herdeira da fazenda SANTANA não teria sido RITOCA, esposa de ARRUDA CÃMARA, e sim ANA. Quanto a isso, minhas pesquisas são claras à favor de RITOCA. Necessário pesquisar mais uma vez a genealogia do COMENDADOR MORAES, que pode ser encontrada on-line, apenas para conferir se RITOCA (Rita) também não poderia ser ANA (ANA RITA?). Talvez eu a publique aqui nos próximos dias, para facilitar para todos vocês).
     Outra informação de grande importância de FABRÍCIO é o nome de todos os proprietários da FAZENDA MONTE CRISTO  até hoje:
1- JOAQUIM JOSÉ GONÇALVES DE MORAES
2- FIRMIN FRANÇOIS ALIBERT
3- ANTÔNIO S.COSTA
4- MANOEL FERREIRA DE SOUZA (ou NEZIM FERREIRA)
5- FRANCISCO FERREIRA
6- Após isso a fazenda teria saído das mãos de originais da região. Não tenho mais informações sobre nomes de proprietários.



        Para concluir esse post que já se alonga demais, uma delícia de supresa. Sempre se soube, em minha família, que meus avós MERITA e EVARISTO passaram sua lua de mel na FAZENDA SANTA CLARA. Durante toda minha vida ignorei o fato, tão corriqueiro naqueles tempos, de viajar para fazendas amigas. Não esqueçamos que os pais dos dois eram fazendeiros em CARLOS ALVES, antiga SANTA BÁRBARA DO RIO NOVO.  Quando iniciei minhas pesquisas, e soube que a SANTA CLARA era "pros lados de MARIPÁ", não entendi nada. Porque? Qual a ligação da família com as fazendas "daquelas bandas"? Por fotos de familia encontradas aos poucos, também testemunhei a ligação dos DOUSSEAU GUILHERMINO com a família de BERTHOLDO MACHADO, dono da FAZENDA SANTANNA. Hoje, justapondo todo meu arquivo de informações com as novas contribuições de FABRÍCIO, não tenho dúvidas (falei também sobre isso em meu livro), de que, se há um ponto em comum que liga a família DOUSSEAU com todas essas fazendas, mesmo após décadas e décadas... essa ligação se chama ALIBERT. Ainda que eu desconhecesse seu nome até 2006. Mesmo que este tenha sido eclipsado quase que totalmente em seus últimos anos de vida (o que também é surpreendente e fascinante...), aquelas que FABRÍCIO chamou de "fazendas descendentes" estiveram ligadas à vida dos DOUSSEAU até as décadas de 30/40 do século XX. O que dá cerca de 50 anos de ligação estreita. Até que o tempo fizesse seu papel de "apagador de todos os rastros". Percebemos que, quando o tempo passa mas a terra se mantém na família, a memória não morre. Mas quando, somado à ação inclemente do tempo temos os revezes econômicos e a desvalorização da vida no campo, forçando à venda e ao abandono definitivo das propriedades familiares... aí a História chora... definha... E quase desaparece.
          Cabe a nós não permitir que ela se perca total e definitivamente.
          FABRÍCIO reconhece ser possível, quando as férias chegarem, alcançar mais informações sobre tudo isso. E aguardaremos ansiosamente, não é? 
          Como "brinde", presenteado por ele, a FAZENDA SANTA CLARA, tão cara para mim. Afinal, foi nela, como já disse, que meus avós MERITA e EVARISTO passaram sua lua-de-mel. Último vínculo com a história truncada dos franceses vindos no ORENOQUE.
        



                                                                               



    



                                                                                                     

domingo, 3 de novembro de 2013

ENFIM... A MONTE CRISTO TEM UM ROSTO!!!!!!

                 Estou em "estado de graça"! E, sabendo que muitos de vocês também ficarão, fazem 9 dias que me vejo às voltas com essa maravilha que me chegou às mãos por FABRÍCIO MARTINS, de MARIPÁ DE MINAS. Nunca pensei que as tão procuradas e ansiadas fotos da FAZENDA MONTE CRISTO um dia me viessem trazidas por alguém tão jovem...  E isso decorre  do fato de que as crianças de todos os tempos, ainda que dos nossos tão "informatizados", conservam a capacidade do encanto. Com as lendas, com as histórias entreouvidas desde o berço, com os "causos" que povoam nossas roças, sussurados às vezes como grandes mistérios... Acrescente-se a isso o fato de que tudo é ainda mais fascinante quando o objeto desse encanto não é virtual. Mas está ali, ao lado, a tempos imemoriais. Como um grande enigma. Tal é a FAZENDA MONTE CRISTO e suas histórias, até assombradas, para os habitantes da roça de MARIPÁ.
                Como o que se sabe de fato sobre ela é muito pouco (ou quase nada...), quando surge um pouquinho de luz, como foi o caso de meu livro "DOUSSEAU:ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ", alcançado através do exemplar doado por mim à BIBLIOTECA MUNICIPAL da cidade,  o habitante esclarecido do lugar bebe com sede nessa fonte inesperada, buscando mais, querendo mais e, no caso de FABRÍCIO, o mais raro: disposto a partilhar o que tem! 
                Faz tempo, muito tempo, que peço, procuro e apelo, insistentemente, por todos os meios à minha disposição, por uma foto da MONTE CRISTO. E acreditava que ao menos uma existia porque um dos meus primeiros contactos em MARIPÁ, ainda em 2008, me havia confirmado que já havia visto uma, não sabia onde. Não sabia quando. Mas foi o suficiente para me deixar em estado de alerta máximo desde então. Depois... foi só o trabalho do tempo. E a insistência mais do que teimosa de "uma mineira bem uai": essa que aqui vos fala.
              Reconhecemos, tanto eu quanto FABRÍCIO, a péssima qualidade dessas duas fotos. Mas, ainda assim, são para mim as mais preciosas das que tenho podido encontrar em minha vida. E sei que assim será para cada descendente perigordino que passar por aqui. Então... essa é para vocês, PASCALE LAGAUTERIE, ISABEL AUDEBERT, FÁTIMA e LALÁ BONIMOND MOUTY, ALAN CHEMINAND, MAURICETTE PARVEAU BAYLE e tantos e tantos outros! 
             COM VOCÊS... A FAZENDA MONTE CRISTO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



                                                         







quarta-feira, 23 de outubro de 2013

18.000 VISITAS!

     Em qualquer língua, o reconhecimento é o mesmo. E não há nunca agradecimento que seja suficiente por esse território onde nunca estou sózinha. 18.000 vezes acompanhada. Esse espaço privilegiado onde divido o prazer da busca com conhecidos e desconhecidos. Espaço aberto até mesmo para o inesperado. Que os Anjos da Guarda o proteja do mau uso de todo gênero. O saber é livre. E protegido por Deus, pois é o único verdadeiro caminho. MUITO OBRIGADA!!! SEJAM SEMPRE BEM VINDOS!


                                       

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AO PÉRIGORD

                                             

                                             AO PÉRIGORD


                                                                     


Ó Périgord, ó doce campo,
Ó lindo recanto de nossa França
Eu te prefiro às belas montanhas
Caro berço de minha infância.




Eu te prefiro às imensas planícies
Onde nada detém o olhar.
Eu te prefiro às cidades vaidosas,
vales desertos, encostas, neblinas
E você também, meus velhos ares campestres.





O vivo dialeto de nossa Dordonha
Soa claro na vila calma.
Ele faz cantar a velha Gasconha
Tal como o vento na folhagem.




Bela terra que guarda a memória
Dos tempos longínquos e dos fatos gloriosos.
Eu viverei sobre teu solo pleno de história
Périgord tão generoso!
Ó meu querido e feliz Périgord!



     
          Esse poema foi uma das primeiras coisas que nossa prima NICOLE DOUSSEAU LeCANNE me enviou pelo correio, a 4 anos atrás, quando havíamos acabado de nos conhecer. Hoje me deu vontade de dividi-lo com vocês.  As imagens foram buscadas e escolhidas pelo GOOGLE IMAGENS.

                                       

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

FAMÍLIA RENAULT

     Com os olhos e os ouvidos sempre atentos aos sobrenomes franceses de BICAS e arredores, desde o começo de minhas pesquisas quiz saber a origem dos RENAULT biquenses. Tanto eu quanto meu pai tivemos professoras dessa família, no LICEU. No meu caso, minha xará MARLY. No caso dele, a mãe desta, NELLY. Sabia ser muito improvável que tivessem alguma relação com os imigrantes perigordinos, até porque esse nome não consta de minhas listas de passageiros pesquisadas. Mas prosseguia intrigada. Assim como ainda me intrigam outros nomes que andam por nossa BICAS, como CORTAT, CAVÉ (ou CALVET), BOUSQUET e alguns outros poucos. 
     A internet é mesmo a maravilha das maravilhas. E foi através dela, num grupo do FACEBOOK chamado MINEIROS DE BICAS que reencontrei essa minha professora de infância. Mais especificamente, da 2ª série. Estabelecemos uma troca descompromissada de mensagens e e-mails, todos saudosistas, é claro. Mas também muito agradáveis, devido a uma simpatia nascida entre duas mulheres já bem adultas. E foi assim que acabei enfim por ter conhecimento da maravilhosa história atrás do sobrenome RENAULT. Como a de tantos outros imigrantes independentes. Com a autorização de MARLY RENAULT ADIB, trago para vocês essa história. Espero que gostem e se encantem. Como eu me encantei.
     Obrigada, MARLY. Ops... merci! Merci beaucoup! 
     

                                                            




Para ter acesso à publicação, cole no seu navegador o link abaixo:

http://virtualbooks.terra.com.br/v2/ebooks/?idioma=Frances&id=00330

O site permite que você obtenha a tradução instantânea através de um programa  que é possível  baixar na hora.

        Caso você prefira, pode entrar em contato pelo meu e-mail (mmmayrink@hotmail.com), que eu mando o arquivo já traduzido, ok?


                                                   BOA LEITURA!

                                                       
                                                           

terça-feira, 10 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MADE IN FRANCE

Ainda no espírito encantado do mês passado na França, a maior parte dele no PÉRIGORD de nossos bisavós, deixo para outra ocasião o relato minucioso dos momentos que vivemos, eu e nossa prima FATINHA, filha de minha tia-avó LUZIA DOUSSEAU FILGUEIRAS. Às vezes acho que nem terei ânimo para contar tudo, tamanha foram as enormes e profundas emoções que se seguiram umas após as outras quase que ininterruptamente. Mas me comprometo a pelo menos tentar, qualquer dia desses. Por hoje, só um pouco do que vivemos. Através de fotos, apresento a vocês alguns de nossos primos "made in France". Que me abriram as portas de seus lares e de seus corações. Tanto quanto lhes abri o meu. E deixo publicamente meu MUITO OBRIGADO, esperando um dia, quem sabe, poder receber a todos no BRASIL.

                                              
COM ISABELLE E LÉO, no AEROPORTO DE BORDEAUX.

                                     
                                              
COM NICOLE, no CHATEAU DE LOSSE

COM MATHILDE, em PLAZAC.
COM DENIS, FATINHA e NICOLE MANCINI, esposa de DENIS, no GOUFFRE DE PROMEYSSAC
COM JOSI e FATINHA no LARDIN
COM DAVID, STEPHANIE, NICOLE, GABI (noiva de NICOLAS), PAUL (marido de NICOLE) e VIRGINIE
CHLOÉ e PAUL (marido de NICOLE), em PLAZAC.


ISABELE e CHRISTOPHE, no LARDIN.
LUCIEN, no LARDIN
JEAN PAUL, no LARDIN
NICOLAS com sua noiva, GABI ,em PLAZAC.

Todos juntos, num de nossos inesquecíveis encontros à mesa, no LARDIN
                                               
    E agora não posso deixar de incluir aqui dois casais de amigos que meu coração já incluiu há muito tempo no rol dos "primos": PASCALE e PASCAL LAGAUTERIE. JEAN MARC e MAURICETTE BAYLE.  Estão profunda e completamente relacionados aos imigrantes perigordinos e seus descendentes. Com suas portas sempre abertas. À eles também, meu MUITO OBRIGADA.

                                                  
JEAN MARC, PASCAL, PIERRE (seu filho), MAURICETTE, PASCALE e eu. Em SAINT CRÉPIN d'AUBEROCHE


As fotografias tem créditos diversos, que incluem FATINHA, ISABELLE, PASCALE, NICOLE Le CANNE e NICOLE MANCINI. 


terça-feira, 23 de julho de 2013

FAZENDA MONTE CRISTO

Olá. À  muitos e muitos anos, desde os primórdios de minhas pesquisas, venho "caçando", sistemática e insistentemente, fotografias antigas da FAZENDA MONTE CRISTO. Se é que existe alguma. Umas poucas testemunhas afirmam que existem, porque já viram ou ouviram falar. Onde estão e com quem... já são "outros quinhentos". Passei anos contentando-me com as poucas fotos das ruínas do que um dia foi o "Eldorado" de nossos bisavós ou, melhor dizendo, de seus contratadores. Ao menos num primeiro momento. Até que, recentemente, alguns membros do grupo "Fazendas Antigas", do FACEBOOK, informaram que a venda dessa fazenda (mais uma vez!), estaria sendo anunciada por uma imobiliária de JUIZ DE FORA. Anúncio devidamente repleto de fotografias. Atuais, infelizmente. Mas que, na falta de outras, mantém para nós descendentes perigordinos vindos no VAPOR ORENOQUE, um encanto indizível. Alguma coisa de memórias suficientemente poderosas que foram capazes de ultrapassar mais de um século (na verdade quase um e meio...) de total obscuridade. Vamos a elas, então. Contente-se em esquadrinhar a primeira delas, que ainda guarda uma espécie de represa de pedras, canalizando as  águas do AÇUDE MONTE CRISTO, construída por escravos. Porque por aí também passaram nossos bisavós... FONTE: ANTENOR IMÓVEIS.

                                                                        







                                                                            

sexta-feira, 19 de julho de 2013

14.000 VISITAS!

         
                                                                       

quinta-feira, 18 de julho de 2013

RUÍNAS DO ANTIGO DISTRITO DO SACO/MANGARATIBA

     

         Com o declínio da cana de açúcar no século XVIII, a descoberta do ouro e o ciclo da mineração no interior do país, intenficou-se a abertura de caminhos entre o planalto e o litoral sul fluminense, por onde os metais preciosos eram exportados após vencer os contrafortes das serras, pelos portos de PARATI e ANGRA DOS REIS.
         Nesse momento foi fundado o povoado de SÃO JOÃO DO PRÍNCIPE, posteriormente denominado SÃO JOÃO MARCOS, que surgiu em 1733, na SERRA DO PILOTO, e é exemplo de um município que foi fundado em função de um caminho entre o planalto e o litoral, com rebatimento direto na estruturação do espaço urbano mangaratibano. Segundo FRIEDMAN, a abertura de estradas proporcionava sesmarias ao executor em troca de serviços prestados bem como isenção do serviço militar, provilégios fiscais e imunidades no campo judicial.
        Essa abertura de caminhos ampliou o contato entre o VALE DO PARAÍBA e o mar e se constituiu em oportunidade de negócios ligados ao café e à comercialização de escravos por parte de alguns colonizadores portugueses e de agentes privados locais.
        Em MANGARATIBA, o grande fazendeiro JOAQUIM JOSÉ DE SOUZA BREVES, intitulado rei do café e envolvido no comércio ilegal de escravos após 1831, possuía armazéns da rubiácea e trapiches estabelecidos na PRAIA DO SACO, em MANGARATIBA. ANTÔNIO PEREIRA DOS PASSOS, outro grande fazendeiro da região de SÃO JOÃO DO PRÍNCIPE, no alto da serra, agraciado pelo IMPERADOR D.PEDRO II com o título de BARÃO DE MANGARATIBA, também possuía armazéns estabelecidos na região do SACO, distrito comercial de MANGARATIBA. JOÃO JOSÉ DOS SANTOS BREVES & C JOSÉ ELOY DA SILVA PASSOS, MANOELA JOSÉ FERNANDES PINHEIRO & C, MATOS & C, são nomes de algumas das empresas que figuram  em quase todas as edições do ALMANAK LAEMMERT, estabelecidas no município de MANGARATIBA. PRADO JÚNIOR também cita LUIZ FERNANDO MONTEIRO, BARÃO DE SAHY, grande fazendeiro da região que possuía um solar no largo da matriz, o SOLAR BARÃO DE SAHY, onde hoje funciona a FUNDAÇÃO MÁRIO PEIXOTO, órgão da PREFEITURA DE MANGARATIBA, que resgata a história local. 
        O COMENDADOR JOAQUIM JOSÉ DE SOPUZA BREVES, morador de MANGARATIBA,  proprietário de fazendas em SÃO JOÃO MARCOS MARCOS e comerciante ilegal de escravos, chegou a somar um contingente de cerca de 6.000 negros africanos escravizados em suas mãos. O mesmo construiu, no final do século XIX, o CAMINHO DO CONGUINHO, ligando suas terras ao SACO DE MANGARATIBA, com o objetivo de ampliar seus negócios. No mesmo período, a ESTRADA IMPERIAL foi aberta, atravessando a SERRA DO PILOTO e ligando MANGARATIBA AO VALE DO PARAÍBA. Ainda hoje o calçamento em pé-de-moleque dessa estrada e as ruínas no ALTO SACO DE MANGARATIBA são testemunhas da riqueza produzida no período e da consolidação de uma elite de produtores de café e comerciantes de escravos.
       A elite daquela época fomentava uma agitada vida cultural, com a construção de residências, armazéns, trapiches e um teatro, onde na primeira metade do século XIX ocorriam apresentações de peças teatrais, como as encenadas pelo ator JOÃO CAETANO entre os anos de 1833 e 1834. Ressalta-se que o estado de conservação da ESTRADA IMPERIAL  e das RUÍNAS DO SACO é precário, colocando-se em risco a manutenção desse patrimônio cultural colonial.
       Com relação ao papel do COMENDADOR BREVES, LIA MACHADO destacou que ele contruiu, à época, um porto de embarque de café, e outro de desembarque de escravos na RESTINGA DA MARAMBAIA, com isso canalizando uma grande parte da produção regional. O desembarque dos africanos escravizados acontecia na PRAIA DO SAHY, onde hoje se encontram as ruínas das fazendas de engorda. O único imóvel conservado é um casarão de pedras, enclausurado dentro do condomínio RESERVA ECOLÓGICA DO SAHY. As rochas que compõem as ruínas que estão na praia são retiradas para a construção de churrasqueiras e a empresa concessionária da linha de trem de ferro construiu um muro que dificulta o acessco á área das ruínas. 
FONTE: ANDRÉ LUIS SABINO - PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA   
                                                    HUMANA DA USP.


                                                                 


















FOTOS: MARLY MAYRINK