Hoje fomos todos brindados com uma maravilha. Dessas inesperadas que o baú das memórias de cada primo vai deixando surgir, de vez em quando. Essa nos chegou, através de meu irmão AMARILDO, de nosso primo ÉDSON (MANINHO). A série de fotos que você pode ver acima comprovam a notícia de que nosso bisavô ANNET era um excelente artesão de ferramentas. Como aquela que ilustra nosso livro. Mas nesse utensílio, um chicote em prata talhada em madeira de embejaúba, nobre, rara e extremamente resistente, ele definitivamente supera as expectativas. É um dos objetos mais lindos que já tive oportunidade de "ver". Não vejo a hora de estar de novo em Bicas e tocá-lo com minhas próprias mãos. Sim, porque, com a alma... já fui tocada! E acho que vocês também serão! FOTOS; AMARILDO MAYRINK
Sejam todos muito bem vindos! Pretendo que seja aqui o nosso novo espaço de pesquisa, troca de idéias e informações.E não deixe de ler meu livro "DOUSSEAU: ENTER - FRANCESES NO IMPÉRIO DO CAFÉ".Você vai gostar! Abraços!
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quinta-feira, 31 de maio de 2012
EMOCIONANTE NOVIDADE!!!!!!!!
Hoje fomos todos brindados com uma maravilha. Dessas inesperadas que o baú das memórias de cada primo vai deixando surgir, de vez em quando. Essa nos chegou, através de meu irmão AMARILDO, de nosso primo ÉDSON (MANINHO). A série de fotos que você pode ver acima comprovam a notícia de que nosso bisavô ANNET era um excelente artesão de ferramentas. Como aquela que ilustra nosso livro. Mas nesse utensílio, um chicote em prata talhada em madeira de embejaúba, nobre, rara e extremamente resistente, ele definitivamente supera as expectativas. É um dos objetos mais lindos que já tive oportunidade de "ver". Não vejo a hora de estar de novo em Bicas e tocá-lo com minhas próprias mãos. Sim, porque, com a alma... já fui tocada! E acho que vocês também serão! FOTOS; AMARILDO MAYRINK
quarta-feira, 30 de maio de 2012
PRIMEIRO REGISTRO CONHECIDO DAS TERRAS DE ANNET E SUZANNA
A foto acima refere-se a venda de uma parte das terras pertencentes a família MANDRAL DOUSSEAU para MAXIMIANO JOSÉ DA SILVA, em 06-02-1909. Propriedade essa anteriormente adquirida de JÚLIO MOUTY. Torna-se então óbvio que essas terras foram adquiridas numa data bem próxima ao casamento de ANNET e SUZANNA. Como o registro através de escrituras em cartório civil parece que só começou a ser exigido em 1917, não imagino como poderemos descobrir a data verdadeira dessa compra e seus termos. Paróquia de Carlos Alves, talvez? Ou a Cúria Metropolitana de Mariana? FONTE: CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO.
domingo, 27 de maio de 2012
INVENTÁRIO DE SUZANNA MANDRAL DOUSSEAU
O documento abaixo é o inventário de SUZANNA MANDRAL DOUSSEAU, que nos deu as informações mais precisas, até o momento, sobre o 'SÍTIO DAS ARARAS", nome da fazenda pertencente ao casal MANDRAL DOUSSEAU nos MACHADOS. FONTE: CARTÓRIO DO REGISTRO GERAL DE IMÓVEIS DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO.
ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL "O MUNICÍPIO".
O artigo abaixo foi publicado no jornal "O Município", de Bicas, no ano de 2009. Quando estive na França, Pascale me pediu que eu trouxesse, como presente de agradecimento,um livro sobre o Périgord para ser entregue a Biblioteca Municipal de Bicas, onde tanto eu quanto ela fizemos pesquisas e fomos muito bem recebidas. FONTE: JORNAL 'O MUNICÍPIO'.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
DELAGE
Vejam aqui uma coisa que dá um certo orgulho... Uma das famílias vindas no VAPOR ORENOQUE, os DELAGE (também AUDEBERT), tem lugar de honra na cidade de JUIZ DE FORA. FONTE: ORKUT.
terça-feira, 22 de maio de 2012
IGREJA DE CARLOS ALVES
Hoje eu trouxe para vocês uma foto lindinha da Igreja de Santa Bárbara, em Carlos Alves. Nela, com certeza, foram batizados os filhos de Annet e Suzanna e também foram realizados ali o casamento de quase todos eles. Embora eu tenha ido várias vezes a Carlos Alves, para entrevistas e também para pesquisas no cartório, a verdade é que nunca tive oportunidade de fazer isso em dois lugares imprescindíveis: essa Igreja e a biblioteca da escola municipal, que dizem ser excelente por possuir inúmeros documentos centenários, inclusive fichas de ex-alunos. Mas Carlos Alves é um lugar de difícil acesso, mesmo para quem tem alguma intimidade com a região. Estradinhas de terra e nenhum transporte público. Pode até ser que tenha (eu nunca vi!), mas, se for o caso, os horários devem ser reduzidíssimos. Como também não possui hospedagem, é bem difícil para quem quer efetuar pesquisas mais prolongadas. Mas ainda tenho MUITA vontade de fazer isso. Também nunca consegui ver os livros do cartório em minhas próprias mãos. Quem pesquisa sabe que às vezes isso é essencial. Devido ao fato de normalmente nem sequer sabermos direito o que ou quando devemos procurar, mas também pelos nomes dos imigrantes terem sofrido distorções absurdas. Encontrar um registro é às vezes um trabalho para detetives... E eu adoro! FONTE: ARQUIVOS PESSOAIS.
Estamos em 25-01-2016. E vim acrescentar a esse post uma tomada do altar da Igreja de Santa Bárbara, em Carlos Alves (acima). FONTE: FACEBOOK de RITA DE CÁSSIA (DOUSSEAU) DUTRA.
domingo, 20 de maio de 2012
MAPA DE BICAS E ARREDORES
Para quem não conhece a região circunvizinha a Bicas, aí está um excelente mapa, desenhado por Amarildo Mayrink, dando uma ideia bem clara do chão que nossos ancestrais pisaram. FONTE: AMARILDO MAYRINK
sexta-feira, 18 de maio de 2012
PÉRIGORD NOIR, LE CHÈR PAYS DE MON ENFANCE...
Eis aí um pouco do muito que o Périgord tem para nos mostrar. Mesmo na França ele é uma "meca" de turismo histórico, ecológico e gastronômico. Então, enquanto você não pode ir até pessoalmente (e garanto que valerá a pena!!!!!), delicie-se com as paisagens ouvindo Charles Trenet e imaginando os passos de nossos bisavós por cada uma daquelas ruelas e por cada um daqueles campos... Isso também é um exercício de amor e respeito para com nossos ancestrais: dividir o amor pelo chão que era o deles, até virem para nosso Brasil... Boa viagem! FONTE: YOUTUBE
quarta-feira, 16 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
MAIS FOTOS DA DISTRIBUIÇÃO DO LIVRO!
Abaixo: em Bicas, com Annet Dousseau Duque (tio/padrinho) e Aniene Letícia (prima/afilhada), a terceira de suas filhas. FOTO: LIDIA DOUSSEAU MAYRINK
Abaixo: Amarildo com Josiléa Oliveira Diolindo, na Biblioteca da Escola de Carlos Alves, distrito de São João Nepomuceno - MG. FONTE: AMARILDO MAYRINK
Abaixo: Amarildo com José Maria e Carlos Augusto Veiga, nos 96 anos do Jornal "O Município" - Bicas - MG. FONTE: AMARILDO MAYRINK
quarta-feira, 9 de maio de 2012
JEAN MARC E MAURICETTE BAYLE
Hoje vim aqui só para corrigir uma ENORME injustiça. No nosso livro, procurei citar, em algum momento ao menos, cada uma das pessoas que, de uma forma ou de outra, dividiram comigo aqueles 5 anos de gestação. Mas existem 2 pessoas que, por força de termos estreitado nossa amizade quando passaram alguns dias comigo, quando ainda morava em Saquarema e o livro já estava concluído, acabaram ficando de fora. E isso é inadmissível e imperdoável. São eles meus queridos Jean Marc e Mauricette Bayle. Ela, descendente dos PARVEAU que vieram no Orenoque e acabaram retornando para a França. Entretanto ela e seu esposo mantém laços estreitos com o Brasil e são especialmente interessados na história de seus ancestrais. Dividem com Pascale, a anos, a tarefa de distribuir cuidados mais que especiais para com os descendentes de outras famílias que chegam ao Périgord sem saber direito o que irão encontrar. Assim como eu, Isabel (Audebert), Alan (Cheminand) , Lálá, Fafau e Gracinha (Bonimond/Mouty). E dividem essa tarefa com tamanho carinho, com tamanha atenção, que eu não teria palavras suficientes para descrever. Recebem-nos com maestria em sua casa de campo (Saint Crépin d'Auberoche), levam-nos a passeios intermináveis, principalmente quando Pascale não pode se incumbir dessa tarefa. Em meu caso particular, apresentaram-me ao departamento vizinho à Dordogne, que se chama Corrèze, em busca de sinais dos ancestrais mais remotos de Annet Dousseau. Nessa busca, acabei por conhecer o que Jean Marc me confessou ser conhecido por lá como "la France profonde". Em bom português: o "c-" do mundo, para ser curta e grossa! Momentos maravilhosos, ao lado de pessoas inesquecíveis, lá como aqui, torna imperioso declarar publicamente: recebê-los em minha casa, e em minha vida, foi mais que um prazer: foi uma honra! FOTO: MARLY DOUSSEAU MAYRINK
terça-feira, 8 de maio de 2012
OH! MINAS GERAIS! OH! MINAS GERAIS!
Não me canso de escutar! E sei que, se vocês estão aqui, é porque também "curtem". E "compartilham"...rsrsrsr... FONTE: YOUTUBE
sábado, 5 de maio de 2012
Olhem só!!
..... essa panela! Parece que teria pertencido a nossos bisavós (segundo tradição oral familiar...). Agora se veio da França são "outros quinhentos"... FONTE: ÉDSON DOUSSEAU (MANINHO)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
ARTIGO PUBLICADO NA FRANÇA SOBRE O LIVRO DE PASCALE LAGAUTERIE QUE FALA SOBRE A VINDA DE NOSSOS BISAVÓS E OUTROS IMIGRANTES.
A emigração de Perigordinos para a
América do Sul
no século XIX
Por Pascale Laguionie-Lagauterie
doutoranda en história moderna
na Universidade Michel-de-Montaigne-Bordeaux
III
Terá lugar
quarta-feira, 25 de setembro, às 15hs, na sala Pierre-Denoix, no Colombier em
Sarlat.
Para populações que vivem em condições
precárias, a emigração para países considerados como mais ricos parece ser o
único meio de escapar à miséria. Mas sabe-se que esse sonho é frequentemente
desmentido pela dura realidade. O que é atualmente verdadeiro para os
africanos, por exemplo, que esperam encontrar na Europa uma vida melhor,
aconteceu no século XIX a um certo número de perigordinos, vítimas em
particular da crise da phyloxera que, atraídos por promessas
falaciosas, emigraram para a América do Sul.
Apaixonada pela história local, Pascale
Laguionie-Lagauterie estudou, durante vinte anos, sua dolorosa aventura.
Graças a pesquisas aprofundadas nos
arquivos do departamento e nos do Ministério das Relações Exteriores, ela pode
reconstituir os diferentes episódios dessa penosa história que foi, entre
outras, a dos paisanos do terrritório Terrassonense.
Esse mergulho no
Pèrigord de outros tempos será sem nenhuma dúvida tão interessante quanto rico
de ensinamentos.
FONTE: www.essorsarladais.com
FONTE: www.essorsarladais.com
domingo, 29 de abril de 2012
FOTO EXCELENTE PARA NOS LOCALIZARMOS MELHOR EM NOSSA HISTÓRIA!
Trabalhada por meu irmão Amarildo, essa foto permite que todos nós, Dousseau ou não, nos localizemos melhor em relação ao(s) palco(s) de nossa história, relatada em nosso livro. Aproveite! FONTE: AMARILDO MAYRINK
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Não deixe de ver!
Tenho colocado todos os dias, e pretendo continuar fazendo isso, fotos antigas de lugares, pessoas e documentos. Diretamente do meu pen-drive! Já foi ver? É só clicar ali em cima,ó!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Moleque da Roça - extraído do livro "Maripá de Minas e Região", de José Luiz Machado Rodrigues.
Apenas porque hoje queria falar de coisas bonitas... E bem mineiras...
"Estrada, porteira, pinguela: sentinelas de uma grande emoção".
Velhos tempos da cumbuca de abóbora d'água madura, da cuia de cuité com feijão tropeiro, do canecão de óleo com alça e arrebite e da água fresca, na mina, tomada na folha do inhame. Da caneca esmaltada, da panela de ferro lavada com areia e cinza e do coador de flanela para o café da manhã. Café torrado e moído no terreiro e cozinha, aquecido na trempe no chão ou no fogão à lenha. Da galinha anunciando o ovo quentinho no ninho e o menino com fome, qual gambá, roubando-lhe o produto para, com um furo na casca, o ovo consumir.
Tempos da bacia de banho, do urinol e da "casinha" do lado de fora da casa de verdade. Da mulher a lavar a roupa na bica, a alvejar no anil,a quarar no capim e depois passar tudo com o ferro de engomar "rabo-quente", ferro de brasas a soltar fagulhas e carvão na roupa branquinha. Do sabão de coalho, sabão de soda, sabão de barrigada de porco, feito no tacho de cobre, espirrado para todos os lados. Da goiabada fina, goiabada cascão, goiabada a saltar do tacho para o chão.
Bons tempos do moinho de pedra movido a água e do angú com couve que nem se sabia chamar-se "couve à mineira". Do mingau de fubá que se comia pelas beiradas do prato, onde esfriava primeiro. Do polvilho de araruta de fabricação caseira, feito para o neném que veio com a cegonha ou parteira e hoje chora sua mamadeira.
Tempos de farinha de mandioca para o tutu e o feijão tropeiro e do esperto tatu a chegar ao mandiocal primeiro. Da cana caiana, da garapa clarinha e do engenho rodando no frio mes de Julho, fazendo rapadura, açúcar e cachaça. Cachaça da boa, jogada na goela e o resto "pro santo", para evitar mal olhado. Engenho puxado por boi, tocado pelo menino molhado de tanger o gado na madrugada, de capim gordura florido e carregado de orvalho.
Saudosos tempos do carro-de-boi com junta-de-coice e de guia. A canga a jungir aos pares os animais, brocha ajustada ao pescoço de cada um, canzis de roxinho ou peroba, tamoeiro ajustado ao cabeçalho. Canga feita do cerne da tajubeira que é a madeira mais apropriada. Chumaço de pau mais macio, cocões de madeira de lei e eixos de alegre e rangedoura garapa. Range a garapa e alegra-se o carreiro. É o milho chegando da roça no sabugo e espiga. A palha no cigarro dos adultos e dos velhos. Cigarro de palha e de fumo de rolo desfiado, enrolado com a técnica e o carinho do próprio fumante.
Tempos do leite quentinho tirado da teta da vaca e misturado com o açúcar-preto do fundo da caneca. Do leite sacudido na lata ou garrafa, para fazer a manteiga gostosa. Batido na desnatadeira de um sítio mais rico dividia-se em creme, leite desnatado e soro para os porcos. Porco na ceva ou chiqueiro, atolado na lama e comendo a lavagem. Chouriço de porco defumado e tratado no calor da cozinha e a carne conservada na gordura de porco, pois geladeira não há e a gordura de coco nem tinha saído ainda da Bahia.
Tempos de ver amassar o barro na pipa e bater a forma no chão para fazer o tijolo. Vida de oleiro, de queimar caieira, de construir telha e tijolo para a casa e o patrão.
Gostosos tempos de descansar, de pescar no córrego com peneira e balaio, lambari, traíra, cará e cascudo. de ouvir casos, mentiras e calangos nas tardes mais frescas. de apreciar sanfona e cavaquinho no terreiro da venda ou debaixo da tolda. Da tulha e paiol repletos de arroz, milho e feijão e da despensa, onde se guardava o açúcar-preto, a carne, o queijo e a linguiça.
Mas tinha também os terríveis tempos do medo. De um medo maior pelas histórias ouvidas de escuridão, lobisomem, saci, bicho papão, mula sem cabeça, cobra que engole um bezerro, onça pintada, cachorro doido e demais pavores da roça.
E na madrugada fria a buscar os bezerros no pasto, o sol não nascido, um barulho acompanha o menino. A coragem de olhar para trás não lhe fazia companhia. Com medo, acelera então o passo e o barulho se torna mais rápido. Não há dúvida, é a tal cobra escolhendo o momento para o bote. Correr é a solução e de morro abaixo nenhuma cobra alcançará o moleque. Corre e corre muito. De um salto ultrapassa o córrego e o barulho some. Com um salto o cipó se desprende da perna do menino.
Correm os tempos e um dia a escola o chama. Para o mais novo, a garupa. No arreio ia o irmão com os pés no estribo e o ar de adulto. O galope é certo pois "eu sei o que faço". Mas a égua se espanta com a folha que mexe à beira da estrada. estaca, corrupia e volta. Os meninos são lançados ao chão e na poeira da estrada some a égua em desabalada carreira. Doutra feita a barrigueira apertada bambeia a laçada. O arreio se solta e na curva da estrada, dois moleques caem e são arrastados pelo cavalo. Risos na porta da venda e alguém, cumprindo a ordem de um anjo da guarda, salta e segura o animal. Estão salvos os meninos.
Tempos do ácido fênico para curar o dente cariado, do licor de cacau para matar os vermes, do acônito e briônia em doses homeopáticas, como manda oproduto.
Tempo do rádio á válvulas e da PRK-30. De olhar as pernas das meninas a pular corda e a jogar maré. De escalar muros e árvores para observar os casais de namorados e a vizinha do lado.
Mas aí já é o tempo do moleque da cidade que se contará depois".
FONTE: MARIPÁ DE MINAS E REGIÃO, de JOSÉ LUÍS MACHADO RODRIGUES
"Estrada, porteira, pinguela: sentinelas de uma grande emoção".
Velhos tempos da cumbuca de abóbora d'água madura, da cuia de cuité com feijão tropeiro, do canecão de óleo com alça e arrebite e da água fresca, na mina, tomada na folha do inhame. Da caneca esmaltada, da panela de ferro lavada com areia e cinza e do coador de flanela para o café da manhã. Café torrado e moído no terreiro e cozinha, aquecido na trempe no chão ou no fogão à lenha. Da galinha anunciando o ovo quentinho no ninho e o menino com fome, qual gambá, roubando-lhe o produto para, com um furo na casca, o ovo consumir.
Tempos da bacia de banho, do urinol e da "casinha" do lado de fora da casa de verdade. Da mulher a lavar a roupa na bica, a alvejar no anil,a quarar no capim e depois passar tudo com o ferro de engomar "rabo-quente", ferro de brasas a soltar fagulhas e carvão na roupa branquinha. Do sabão de coalho, sabão de soda, sabão de barrigada de porco, feito no tacho de cobre, espirrado para todos os lados. Da goiabada fina, goiabada cascão, goiabada a saltar do tacho para o chão.
Bons tempos do moinho de pedra movido a água e do angú com couve que nem se sabia chamar-se "couve à mineira". Do mingau de fubá que se comia pelas beiradas do prato, onde esfriava primeiro. Do polvilho de araruta de fabricação caseira, feito para o neném que veio com a cegonha ou parteira e hoje chora sua mamadeira.
Tempos de farinha de mandioca para o tutu e o feijão tropeiro e do esperto tatu a chegar ao mandiocal primeiro. Da cana caiana, da garapa clarinha e do engenho rodando no frio mes de Julho, fazendo rapadura, açúcar e cachaça. Cachaça da boa, jogada na goela e o resto "pro santo", para evitar mal olhado. Engenho puxado por boi, tocado pelo menino molhado de tanger o gado na madrugada, de capim gordura florido e carregado de orvalho.
Saudosos tempos do carro-de-boi com junta-de-coice e de guia. A canga a jungir aos pares os animais, brocha ajustada ao pescoço de cada um, canzis de roxinho ou peroba, tamoeiro ajustado ao cabeçalho. Canga feita do cerne da tajubeira que é a madeira mais apropriada. Chumaço de pau mais macio, cocões de madeira de lei e eixos de alegre e rangedoura garapa. Range a garapa e alegra-se o carreiro. É o milho chegando da roça no sabugo e espiga. A palha no cigarro dos adultos e dos velhos. Cigarro de palha e de fumo de rolo desfiado, enrolado com a técnica e o carinho do próprio fumante.
Tempos do leite quentinho tirado da teta da vaca e misturado com o açúcar-preto do fundo da caneca. Do leite sacudido na lata ou garrafa, para fazer a manteiga gostosa. Batido na desnatadeira de um sítio mais rico dividia-se em creme, leite desnatado e soro para os porcos. Porco na ceva ou chiqueiro, atolado na lama e comendo a lavagem. Chouriço de porco defumado e tratado no calor da cozinha e a carne conservada na gordura de porco, pois geladeira não há e a gordura de coco nem tinha saído ainda da Bahia.
Tempos de ver amassar o barro na pipa e bater a forma no chão para fazer o tijolo. Vida de oleiro, de queimar caieira, de construir telha e tijolo para a casa e o patrão.
Gostosos tempos de descansar, de pescar no córrego com peneira e balaio, lambari, traíra, cará e cascudo. de ouvir casos, mentiras e calangos nas tardes mais frescas. de apreciar sanfona e cavaquinho no terreiro da venda ou debaixo da tolda. Da tulha e paiol repletos de arroz, milho e feijão e da despensa, onde se guardava o açúcar-preto, a carne, o queijo e a linguiça.
Mas tinha também os terríveis tempos do medo. De um medo maior pelas histórias ouvidas de escuridão, lobisomem, saci, bicho papão, mula sem cabeça, cobra que engole um bezerro, onça pintada, cachorro doido e demais pavores da roça.
E na madrugada fria a buscar os bezerros no pasto, o sol não nascido, um barulho acompanha o menino. A coragem de olhar para trás não lhe fazia companhia. Com medo, acelera então o passo e o barulho se torna mais rápido. Não há dúvida, é a tal cobra escolhendo o momento para o bote. Correr é a solução e de morro abaixo nenhuma cobra alcançará o moleque. Corre e corre muito. De um salto ultrapassa o córrego e o barulho some. Com um salto o cipó se desprende da perna do menino.
Correm os tempos e um dia a escola o chama. Para o mais novo, a garupa. No arreio ia o irmão com os pés no estribo e o ar de adulto. O galope é certo pois "eu sei o que faço". Mas a égua se espanta com a folha que mexe à beira da estrada. estaca, corrupia e volta. Os meninos são lançados ao chão e na poeira da estrada some a égua em desabalada carreira. Doutra feita a barrigueira apertada bambeia a laçada. O arreio se solta e na curva da estrada, dois moleques caem e são arrastados pelo cavalo. Risos na porta da venda e alguém, cumprindo a ordem de um anjo da guarda, salta e segura o animal. Estão salvos os meninos.
Tempos do ácido fênico para curar o dente cariado, do licor de cacau para matar os vermes, do acônito e briônia em doses homeopáticas, como manda oproduto.
Tempo do rádio á válvulas e da PRK-30. De olhar as pernas das meninas a pular corda e a jogar maré. De escalar muros e árvores para observar os casais de namorados e a vizinha do lado.
Mas aí já é o tempo do moleque da cidade que se contará depois".
FONTE: MARIPÁ DE MINAS E REGIÃO, de JOSÉ LUÍS MACHADO RODRIGUES
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Divulgação do livro para o público em geral.
Vamos ver mais algumas fotos? Durante a Semana Santa, não foi possível entregar o livro, como eu desejava, às Bibliotecas e outros espaços públicos dedicados à cultura. Mas um "muito fiel escudeiro" (meu irmão Amarildo), fez isso muitíssimo bem. E estou "colando" aqui, para vocês, as fotos já publicadas em seu próprio blog (http://blogdomayrink.blogspot.com.br/). Curtam conosco! FONTE: AMARILDO MAYRINK
Acima: na Biblioteca Municpal de Maripá de Minas.
Acima: na Biblioteca Municipal de Guarará.
Acima: na Biblioteca Municipal de Rochedo de Minas.
Acima: com José Carlos Barroso, estudioso da história de São João Nepomuceno e seus distritos. Em São João Nepomuceno.
Acima: na Biblioteca Municipal de Bicas.
Acima: na Biblioteca Municipal de Argirita.
Acima: na Biblioteca Municpal de Maripá de Minas.
Acima: na Biblioteca Municipal de Guarará.
Acima: na Biblioteca Municipal de Rochedo de Minas.
Acima: com José Carlos Barroso, estudioso da história de São João Nepomuceno e seus distritos. Em São João Nepomuceno.
Acima: na Biblioteca Municipal de Bicas.
Acima: na Biblioteca Municipal de Argirita.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Divulgação na Zona da Mata Mineira
Bom dia, primos! Tive uma Semana Santa realmente abençoada! Junto com minha mãe Lidia, meu irmão Amarildo e minha cunhada Leila, andei por algumas cidades de nossa Zona da Mata, divulgando nosso "filhote". Desejam ver algumas fotos? Estão aqui! FOTOS: LIDIA DOUSSEAU MAYRINK e AMARILDO MAYRINK
Acima: com Fatinha (filha de Luzia Dousseau Filgueiras) e seu esposo, Gaspar Rocha. Em Bicas.
Acima: com Maninho/Édson (filho de Francisca Guilhermina Dousseau da Costa/Nini), em seu Sítio das Araras, nos Machados.
| Acima: com Maiza da Cruz Guilhermino, em Maripá de Minas. |
Acima: com José Dousseau Guilhermino Ruellas, sua filha Izolina, sua irmã, sua filha Serrat, minha mãe Lidia, e os esposos de Izolina e Serrat, na tarefa de "pilar paçoca". Uma delícia! Em Maripá de Minas.
Acima: com Stella Matutina Mayrink Soares, em Bicas.
Acima: com Serrat Dousseau Duque, em Bicas.
Acima: com Sebastião de Souza Martins, em Bicas.
Acima: com Stella Matutina Mayrink Soares, em Bicas.
Acima: com Serrat Dousseau Duque, em Bicas.
Acima: com Sebastião de Souza Martins, em Bicas.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Alfabeto em Occitane
Aqui, para os mais curiosos, o alfabeto em occitane. Mas não pensem que é fácil! A pronúncia é completamente diferente da escrita...FONTE: WEB
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L'alphabet comprend 23 lettres.
| A a | B be | C ce | D de | E e | F èfa |
| G ge | H acha | J gi | L èla | M èma | N èna |
| O o | P pe | Q cu | R èrra | S èssa | T te |
| U u | V ve | X icsa | Z izèda |
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